quarta-feira, 27 de julho de 2011

JUNG E SINCRONICIDADE: O CONCEITO E SUAS ARMADILHAS



O CONCEITO DE SINCRONICIDADE


A sincronicidade é um conceito empírico que surge para tentar dar conta daquilo que foge à explicação causal. Jung diz que “a ligação entre os acontecimentos, em determinadas circunstâncias, pode ser de natureza diferente da ligação causal e exige um outro princípio de explicação” (CW VIII, par. 818). A física moderna tornou relativa a validade das leis naturais e assim percebemos que a causalidade é um princípio válido apenas estatisticamente e que não dá conta dos fenômenos raros e aleatórios.

Ao longo de sua obra, Jung deu várias definições ao conceito de sincronicidade. Aqui estão algumas delas:
> “... coincidência, no tempo, de dois ou vários eventos, sem relação causal mas com o mesmo conteúdo significativo.” (CW VIII, par.849)
> “... a simultaneidade de um estado psíquico com um ou vários acontecimentos que aparecem como paralelos significativos de um estado subjetivo momentâneo e, em certas circunstâncias, também vice-versa.” (CW VIII, par. 850)
> “Um conteúdo inesperado, que está ligado direta ou indiretamente a um acontecimento objetivo exterior, coincide com um estado psíquico ordinário.” (CW VIII, par. 855)
> “...um só e o mesmo significado (transcendente) pode manifestar-se simultaneamente na psique humana e na ordem de um acontecimento externo e independente.” (CW VIII, par.905)
> “um caso especial de organização acausal geral.” (CW VIII, par.955)
> “coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos.” (CW VIII, par. 959)
> “uma peculiar interdependência de eventos objetivos entre si, assim como os estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores.” (I Ching, p.17)
> “o princípio da causalidade nos afirma que a conexão entre a causa e o efeito é uma conexão necessária. O princípio da sincronicidade nos afirma que os termos de uma coincidência significativa são ligados pela simultaneidade e pelo significado”. (CW VIII, par. 906)
Jung define também três categorias de sincronicidade:
1. coincidência de um estado psíquico com um evento externo objetivo simultâneo.
2. coincidência de um estado psíquico com um evento externo simultâneo mas distante no espaço.
3. coincidência de um estado psíquico com um evento externo distante no tempo.
Através da definição destas categorias, podemos perceber que nos fenômenos sincronísticos, o tempo e o espaço são relativos, isto é, o fenômeno acontece independente destes. Basicamente o que define a sincronicidade são a coincidência e o significado.
Jung observou também que tais coincidências ocorrem principalmente quando um arquétipo está constelado. O arquétipos são fatores psicóides que possuem uma transgressividade pois “não se acham de maneira certa e exclusiva na esfera psíquica, mas podem ocorrer também em circunstâncias não psíquicas (equivalência de um processo físico externo com um processo psíquico).” (CW VIII, par. 954) 
Jung propõe que o princípio de sincronicidade seja acrescentado à tríade espaço, tempo e causalidade, dizendo que “o espaço, o tempo e a causalidade, a tríade da Física clássica, seriam complementados pelo fator sincronicidade, convertendo-se em uma tétrada, um quatérnio que nos torna possível um julgamento da totalidade”(CW VIII, par. 951). Um gráfico então ficaria assim:
Espaço

Causalidade --------------------------- Sincronicidade
Tempo
Porém através de sugestões de Pauli, Jung e ele modificam o gráfico substituindo o esquema clássico da física pelo moderno, ficando assim:
Energia Indestrutível

Conexão constante de Conexão inconstante 
fenômenos através do ------------------------------------------------------- através de contingência
efeito (causalidade) com identidade de significado (sincronicidade)

Continuum Espaço-Tempo
Através desse modelo, a microfísica e a psicologia profunda se aproximam, chegando na concepção dos arquétipos como constantes psicofísicos da natureza e fatores estruturantes criativos.
Jung referiu-se à sua definição de sincronicidade como sincronicidade em sentido estrito e a diferenciou de uma visão mais abrangente de sincronicidade que chamou de ordenação acausal. Os fenômenos sincronísticos em sentido estrito são “atos de criação” no tempo, e incluem a telepatia, fenômenos ESP e PK. Já a organização acausal geral inclui todos estes “atos de criação” e todos os fatores a priori como as propriedades dos números inteiros e as descontinuidades da física moderna.
É com base neste princípio de organização acausal geral que Jung tece suas considerações sobre o número. Ele diz que o cálculo é o método mais apropriado para se tratar do acaso, pois o número é misterioso, nunca foi despojado de sua aura numinosa. “Se, como diz qualquer manual de Matemática, um grupo de objetos for privado de todas as suas características, no final ainda restará o seu número, o que parece indicar que o número possui um caráter irredutível.” Pelo fato de o número ser o elemento ordenador mais primitivo do espírito humano, ele “é o instrumento indicado para criar a ordem ou para apreender uma certa regularidade já presente, mas ainda desconhecida, isto é, um certo ordenamento entre as coisas.” Por isso Jung chegou a chamar o número de “o arquétipo da ordem que se tornou consciente” e cita a estrutura matemática das mandalas, produtos espontâneos do inconsciente para chegar à conclusão de que “o inconsciente emprega o número como fator ordenador”. (CW VIII, par.870)


Os precursores históricos

Jung dedica uma parte do “Sincronicidade: um princípio de conexões acausais” para falar dos precursores históricos da sincronicidade. Ele afirma que a concepção chinesa da realidade, e particularmente o conceito de Tao, é, em grande parte, sincronística. Ele diz: “...segundo a concepção chinesa, há uma “racionalidade” latente em todas as coisas. Esta é a idéia fundamental que se acha na base da coincidência significativa: esta é possível porque os dois lados possuem o mesmo sentido.” (CW VIII, par. 912)
Aqui no ocidente esse princípio existiu por muito tempo. Jung diz que “a concepção primitiva, assim como a concepção clássica e medieval da natureza, postulam a existência de semelhante princípio ao lado da causalidade.” (CW VIII, par. 929) A idéia de uma unidade de toda a natureza (unus mundus) permeia essas concepções, e portanto nelas não existe uma diferença entre o micro e o macrossomo - há uma correspondência entre todas as coisas; também permeando essas concepções está a idéia de que existe na natureza uma fonte de todo conhecimento que se situa fora da alma humana, um conhecimento absoluto. Porém antigamente não se pensava em sincronicidade porque não se pensava em acaso. Tudo era atribuído a uma causalidade mágica que hoje nos parece ingênua. Com o advento do pensamento científico, essas concepções desaparecem. Jung aponta o que fez com que desaparecessem dizendo que “com a ascensão das ciências físicas, no século XIX, a teoria da correspondentia desaparece por completo da superfície e o mundo mágico dos tempos antigos parece sepultado para sempre.” (CW VIII, par. 929) Mas essa idéia de uma sincronicidade e de um significado subsistente à natureza, que é a base do pensamento chinês clássico e faz parte da concepção ingênua da idade média, embora pareça a alguns uma regressão, teve que ser retomada pela psicologia moderna uma vez que só o princípio da causalidade não explica toda a realidade dos acontecimentos.
Jung aponta como precursores da idéia de sincronicidade a “simpatia de todas as coisas” de Hipócrates; a idéia de que o sensível e o supra-sensível estão unidos por um vínculo de comunhão de Teofrasto; a idéia de uma necessidade e amizade que une o universo de Filo de Alexandria; a idéia de mônada, que também tem um significado de unidade de todas as coisas, do alquimista Zózimo; a alma universal de Plotino; a idéia do mundo como um único ser de Pico Della Mirandola; o “conhecimento” ou “idéia” inata dos organismos vivos de Agrippa von Nettesheim e a idéia da anima telluris de Johann Kepler. Jung cita também Schopenhauer e a idéia da vontade ou prima causa e da simultaneidade significativa (daí o termo “sincronicidade” usado por Jung). Mas o autor que Jung mais cita é Gottfried Wilhelm Leibniz. Leibniz explica a realidade através de quatro princípios: espaço, tempo, causalidade e correspondência (harmonia praestabilita). Este último é um princípio acausal de sincronismo dos acontecimentos psíquicos e físicos. Jung discorda de Leibniz em apenas um ponto: para Leibniz este é um fator constante, enquanto que para Jung os eventos sincronísticos ocorrem esporadica e irregularmente.

AS ARMADILHAS DO CONCEITO DE SINCRONICIDADE

Para o pensamento ocidental desde Descartes, a “explicação científica” remonta a uma validação causal: D é causado por C, C por B, B por A. Não é de espantar então que a discussão da hipótese de Jung de um princípio de sincronicidade tenha produzido inúmeros mal-entendidos.
Marie-Louise von Franz em seu artigo “A Contribution to the Discussion of C.G. Jung’s Synchronicity Hipothesis” aponta uma série de erros que já se cometeu ou que se pode cometer na interpretação desse conceito e que aqui serão resumidos e sistematizados.
A autora começa falando das dificuldades que muitos parapsicólogos têm em compreender esse novo modo de pensar e diz que:


Na minha opinião isso vem do fato de muitos parapsicólogos estarem sempre fazendo um esforço intenso por conseguir a aceitação de seu campo fundamentando-o em um método científico “rigoroso”, isto é, em métodos quantitativos e pensamento causal enquanto que justamente o que a hipótese de Jung propõe está em uma direção oposta para longe daquilo que até agora foi considerado o único modo “científico” de pensar. (p. 229)


Ela então continua falando de algumas pessoas que tendem a achar que a sincronicidade explica os fenômenos “psi” causalmente e afirma:


a hipótese da sincronicidade não “explica” causalmente os fenômenos psi, mas comparada com os resultados obtidos até hoje pelas pesquisas, ela os coloca em um contexto novo, mais amplo, isto é, no domínio dos arquétipos, um campo no qual estudos biológicos e psicológicos detalhados já foram feitos. Entretanto estes estudos infelizmente parecem ser desconhecidos da maioria dos parapsicólogos. (p. 230)


Outra tendência errônea é encontrada entre aqueles que buscam uma explicação neurológica para os fenômenos sincronísticos, quando na verdade o que caracteriza um evento sincronístico é justamente a ausência de uma relação causal. Há também aqueles que supõem que os eventos sincronísticos sejam causados pelo inconsciente do observador. Com relação a isto, ela diz:


De acordo com a visão junguiana, o inconsciente coletivo não é de forma alguma uma expressão de desejos e objetivos pessoais, mas uma entidade neutra, psíquica em sua natureza que existe de uma forma absolutamente transpessoal. Atribuir a ocorrência de eventos sincronísticos ao inconsciente do observador não seria nada além de uma regressão ao pensamento mágico primitivo, de acordo com o qual supunha-se antigamente que, por exemplo, um eclipse poderia ser “causado” pela malevolência de um feiticeiro. Jung chegou a advertir explicitamente contra considerar-se os arquétipos (ou o inconsciente coletivo) ou poderes psi como sendo a agência causal dos eventos sincronísticos. (p.231)


O fato do evento sincronístico não ter uma causa pode levar ao erro de se imaginar que tudo aquilo que não tem uma causa conhecida é um evento sincronístico. Quanto a isso Jung é bem claro, afirmando que: “Devemos obviamente nos prevenir de pensar todo evento cuja causa é desconhecida como “sem causa”. Isso é admissível apenas quando uma causa não é nem sequer imaginável. Este é especialmente o caso quando espaço e tempo perdem seu significado ou aparecem relativizados, caso em que uma conexão causal também torna-se impensável.” (CW VIII, par. 957)
A questão do significado, que é crucial na classificação de um evento sincronístico, também pode causar confusões. Afirmar que a existência de um observador que dê significado ao evento é fundamental não quer dizer que os eventos sincronísticos e seu significado sejam produzidos pelo observador. Essa questão do significado também traz outros problemas. Pelo fato do significado ser subjetivo, como podemos saber se não estamos fantasiando um significado quando na realidade ele não existe? Tudo o que diz respeito a fenômenos arquetípicos tem uma “lógica” de asserção que Jung chama de “necessary statements” (“afirmações necessárias”). Estas não são criadas pelo ego, são “impostas” pelo arquétipo e são esperadas sempre que um arquétipo está constelado, como é o caso dos eventos sincronísticos, nos dando um parâmetro para saber se o evento é mesmo significativo ou não. 
A ordenação acausal e o “conhecimento absoluto” que estão por trás dos eventos sincronísticos não devem ser confundidos com um “Deus” teológico. É possível postular um deus faber por trás destes eventos, mas isso vai além de qualquer possibilidade de prova e Jung nunca o fez.
Já que a constelação de um arquétipo é fundamental para a ocorrência de um evento sincronístico, é fácil incorrer no erro de considerar que foi o arquétipo que o ‘causou’. Jung diz que:


Eu me inclino, porém a admitir que a sincronicidade em sentido mais estrito é apenas um caso especial de organização geral, aquele da equivalência dos processos psíquicos e físicos onde o observador está em condição privilegiada de poder reconhecer o tertium comparationis. Mas logo que percebe o pano de fundo arquetípico, ele é tentado a atribuir a assimilação dos processos psíquicos e físicos independentes a um efeito (causal) do arquétipo, e assim, a ignorar o fato de que eles são meramente contingentes. Evitamos este perigo se considerarmos a sincronicidade como um caso especial de organização acausal geral. (...) ... devemos considerá-los [os acontecimentos acausais] como atos de criação no sentido de uma creatio continua (criação contínua) de um modelo que se repete esporadicamente desde toda a eternidade e não pode ser deduzido a partir de antecedentes conhecidos. (CW VIII, par. 516)


A organização arquetípica “aparece” ou torna-se “visível” em um evento sincronístico, mas não é a causa deste. O evento sincronístico é uma creatio, um surgimento espontâneo de algo inteiramente novo e que portanto não é predeterminado causalmente.
Embora Jung tenha sugerido que a ordenação acausal geral pode ser verificada experimentalmente através dos métodos de adivinhação, os eventos sincronísticos não são passíveis de serem investigados estatisticamente, uma vez que Jung é claro ao afirmar que os eventos sincronísticos são imprevisíveis, espontâneos e não podem ser repetidos.

Letícia Capriotti




Bibliografia
CARD, Charles. Symposia on the Foundations of Modern Physics. Editado por K.V. Laurikainen e C. Montown. Singapore: World Scientific, 1993.
JUNG, Carl Gustav. Dream Analysis. Editado por William Mc Guire. Bollingen Series: Princeton University Press, 1983.
______ Fundamentos de Psicologia Analítica. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991. v.XVIII/1
______ Letters. Editado por Gerhard Adler. 1. ed. New Jersey: Princeton University Press, 1973. v.1.
______ Letters. Editado por Gerhard Adler. 2a. ed. New Jersey: Princeton University Press, 1991. v. 2.
______ Nietzsche’s Zarathustra. Editado por James L. Jarrett. Bollingen Series: Princeton University Press, 1988.
______ Psicologia e Alquimia. 4a. ed. Petrópolis, RJ: Vozes: 1991. V. XII
______ Sincronicidade. 5a. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991. v. VIII/3.
______ Um mito moderno sobre coisas vistas no céu. 2a. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991. v. X/4.
______ Visions Seminar. Editado por Claire Douglas.
Bollingen Series: Princeton University Press, 1997.
SAMUELS, Andrew. Why it is difficult to be a Junguian Analyst in today’s world. Anais do "13th Congress of the International Association for Analytical Psychology" realizado em agosto de 1995 em Zurich.
WEHR, Gerhard. An Illustrated Biography of C.G. Jung. 1a.ed. USA, Boston: Shambhala, 1989.
WILHELM, Richard. I Ching. 16a ed. São Paulo, SP: Pensamento. 1997.
______ O Segredo da Flor de Ouro. 8a. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Estudando temas atuais pelo Arqueômetro


As tradições orais e a escrita...

É preciso somente pesquisar um pouco da Antigüidade em todas as partes do mundo para encontrar pistas concretas da importância da palavra humana, considerada como reflexo do Verbo Divino.
Sem dúvida, da Índia ã China, da Eslávia e da Escandinávia para a velha América, da Síria e da Caldéia ao Egito, a erudição não pode alcançar mais do que os desperdícios supersticiosos e mágicos da ancestral ciência dessa Palavra primordial e de seus alfabetos.
Mas essas mesmas relíquias são as testemunhas desta ciência perdida.
A Igreja síria atribui aos seus alfabetos ancestrais de XXII letras um valor litúrgico, dota cada letra de uma função divina, uma significação hierática.
Essa Universidade religiosa está por isso mais próxima da verdadeira ciência ancestral do que as interpretações mágicas da Antigüidade de decadência, acessíveis aos estudiosos.

Os Alfabetos

Entre os antigos alfabetos anteriores às civilizações anarquistas greco-latinas, classificamos aqueles de 22 letras numerais como equivalente típicos da palavra.
Nós os chamaremos de solares ou solar-lunares, entendendo-se que esses nomes astrais não são mais os signos de correspondência entre o Mundo da Glória e o mundo astral.
E devido ao esquecimento dessa diferença, tomando o efeito pela causa, as conseqüências pelos princípios, que algumas das antigas Universidades caíram no culto das Potências astrais, Anjos e Demônios; no sabeísmo, e inclusive no fetichismo, mais de um século atrás, Depois se precipitou no mais baixo e grosseiro dos materialismos astronômicos.
Classificamos como lunares os alfabetos de 28 letras, como horários zodiacais os de 24 letras, como mensais zodiacais aqueles de 30 letras, como decânicos os de 36 letras, etc, sempre com as ressalvas precedentes e referindo todos esses números aos alfabetos de XXII letras como padrão.
O alfabeto dos primeiros patriarcas é aquele que usamos no Arqueômetro pelas seguintes razões:
É morfológico, quer dizer, mais que geométrico; e, para suas formas rígidas ou flexíveis moldáveis de acordo com a nossa vontade, pode projetar o objeto que define, ou define com ele a sua forma, de acordo com regras que não precisam ser expostas aqui.
Os signos zodiacais e planetários derivam dele, assim como também a construção da esfera ou do planisfério que contém esses signos.
Em conseqüência, a função e o lugar cosmológico de cada letra são determinados por sua semelhança de forma com os signos astrais, cuja posição é determinada astronomicamente.
Como resultado disso, a colocação das letras dessa forma independe da mão humana, assim como sua posição, seus agrupamentos binários, ternários, etc, e todas as suas relações entre elas, em resumo, são autológicas e não antropológicas. Nós acrescentamos ali, sobre o Arqueômetro, os alfabetos siríaco, assírio (chamado de hebraico), samaritano e caldeu. todo eles solares, solar-lunares, de XXII letras equivalentes tanto literal como numéricas.
De modo que, quando a semelhança da letra arqueométrica e do signo zodiacal correspondente deixa a simples vista alguma indecisão, esta será dissipada pela letra análoga dos outros alfabetos e, principalmente, do alfabeto samaritano.

Alfabeto Morfológico dos
 Primeiros Patriarcas

Os brâmanes fazem um grande mistério com este alfabeto, e este certamente é o protótipo ariano de todos os alfabetos deste gênero, chamados semíticos, e que poderiam ser chamados com mais propriedade de esquemáticos.
O excepcional é que ele é morfológico, é o protótipo das letras védicas e sânscritas, e que certamente é da família da Universidade Brahmânica, tão antiga quanto as Universidades primordiais dos primeiros patriarcas.
O alfabeto se deriva de um ponto, de uma linha, da circunferência, do triângulo eqüilátero e do quadrado; e, mesmo que os brâmanes o chamem de vattan, ele se firma por si mesmo como: "Adão, Eva e Adama", por suas cinco formas, mães da morfologia.

Os signos astrais, zodiacais e planetários derivam, sem dúvida, desse alfabeto, assim como também a maior parte das letras e das cifras mais ou menos alteradas que recebemos de uma fonte pura comum, por diversos rios mais ou menos barrentos.
O resultado disto, repetimos propositalmente que cada letra tem o seu lugar determinado pelo signo zodiacal ou planetário que se deriva dela, a palavra arqueométrica é autológica bem como todos os seus equivalentes.
Esse alfabeto esquemático foi examinado por Moisés no versículo 19, capítulo II de seu Sepher Berashith.
Os termos magia e arcano, usados pelos brâmanes em sua descrição acima, acordam forçosamente no espírito científico cristão dos sinônimos:
Superstição e Ignorância
Superstição: decadência ou superestação de elementos arqueológicos e de fórmulas mais ou menos alteradas, mas que um estudo mais profundo pode às vezes, como é o caso agora, relacionar com um ensinamento prévio, científico e consciente, e não metafísico nem místico.
Ignorância: mais ou menos grande dos fatos, das leis e dos princípios que constituíram este ensinamento primordial. Nunca a magia nem os arcanos têm solicitado mais das inteligências submetidas à vertigem de todo o desconhecido e de todos os abismos que nas épocas de incredulidade, de anarquia e de decadência da Índia, do Egito, da Caldéia, da Pérsia, do Império grego ou do Império romano; e isso, pela mesma necessidade de fé, de princípio e de relevância.
Mas o que salvará a cristandade européia é a retidão, a lealdade que a ciência impõe à consciência e, reciprocamente, trata-se da religião, da arte ou da vida.
A descrição brahmânica anterior revela um tempo de decadência: do Império universal dos patriarcas, que começou na época do Kali-Youg, cerca de quatro mil anos antes da era cristã.
É por isso que tomamos na contramão uma indicação tão precisa, mas também tão inexata, encerrada nessa descrição. Ela afeta as concordâncias zodiacais e planetárias, as vogais acrescentadas, ou melhor, seu conjunto de vogais e de ditongos acrescentados.
Porém essa masorahm, quase pré-histórica, não tinha nada a ver com a origem, mas com o solfejo dos hinos.
Entretanto, o alfabeto das 22 letras, que substituímos por esses signos de solfejo, encerra nele todas as vogais que comportam sua série orgânica e sua numeração cosmológica solar e lunar-solar.

O alfabeto solar das 22 letras.

O número XXII, em letras adâmicas, escreve-se Ka-Ba. Se acrescentamos a esse nome a letra Lá, que significa Potência, obtemos, assim, a Potência das XXII letras.
Essa é a famosa Cabala antiga, da qual os judeus mantiveram somente a superstição babilônica, a decadente, a estéril, a mágica, a Qábalah.
A ciência das XXII Letras, pelo contrário, é uma verdadeira ciência, com todo o rigor e com toda a lealdade deste termo. É a ciência da palavra cosmológica solar, criadora e fecunda até o infinito, como será visto mais adiante.
São Paulo manifesta uma aparente insinuação na "Primeira Epístola aos Coríntios", capítulo I, versículos 7, 8, 9.
São João fala ainda com mais firmeza, no início de seu evangelho, referindo-se ao primeiro termo da Gênese de Moisés: O Princípio.a
Devemos acrescentar ainda que, desde o Yodhisthir, o ponto de partida e de retorno da série cosmológica das letras tem sido transposto, pela Universidade vedo-brahmânica, da letra Y, primeira letra do triângulo de Jesus, para a letra M, primeira letra do triângulo de Maria, da substância chamada Terra de Imanência para a substância chamada das Águas Vivas ou da Emanação.

ALFABETO LUNAR: SIGNOS VÉDICOS DERIVADOS DO PONTO DO AUM

Depois de ter-nos aprofundado durante muitos anos nos ensinamentos orais dos mais sábios pontífices, também rejeitamos a transposição da letra Y para a letra M, baseando-nos em nosso estudo pessoal de seus mistérios e em indicações muito precisas contidas nos Evangelhos e nas Epístolas.

Construção do Arqueômetro em Forma de Duplo Transportador
Semicircular, com Todos os Equivalentes da Palavra,
Correspondentes às Letras Sânscritas e Adâmicas.

Vemos, a seguir, como utilizamos as XXII letras na construção do Arqueômetro. Sobre essas XXII, III dão os centros de cada semicírculo, o diâmetro e a circunferência apresentadas no duplo semicírculo.
No Evangelho encontramos esta chave: "Eu sou o Alef e o Thau", que foi traduzido em grego: "O Alfa e o Ômega".
Essa tradução nos fez passar do mistério do real para o misticismo, sendo a língua grega um idioma soudras, prácrito ou selvagem, e não uma língua arqueométrica.
Nas escrituras assírias, chamadas hebraicas, a letra A se compõe de uma barra transversal e de dois pontos . / .
Nas escrituras morfológicas adâmicas, a barra indica o raio ou o diâmetro, e, por si só, é a letra A; nas mesmas escrituras, os dois pontos indicam um centro desdobrado e a letra S; as letras Th indicam uma circunferência desdobrada em dois semicírculos invertidos, dessa forma:
É por essa razão que, considerando o Alef como duplo diâmetro, seus dois pontos como centros e o Thau como duplo semicírculo, alteramos estas três letras morfológicas na construção da figura que recebe o nome de Zodíaco da Palavra, em forma de duplo transportador.

É a serpente de bronze de Moisés, da qual há alusões no Evangelho. É o caduceu órfico.
Essas três letras adâmicas, A, S, Th, as duas letras assírias, A, Th, significam então a Tríplice Potência divina que constitui o Universo Tipo; o círculo significa o infinito; o centro significa o absoluto; o raio ou diâmetro significam sua manifestação, sua colocação em relação.
Assim, sobre as XXII letras, III se referem à potência constitutiva. As XIX restantes se referem às potências distributivas da harmonia e da organização universal.
Das últimas XIX letras, XII são involutivas e VII são evolutivas, no Mundo da Glória ou do Verbo, e, conseqüentemente, nos Céus astrais. Dito de outra forma, XII letras são zodiacais e VII são planetárias, ou melhor ainda, VI planetárias evolucionam em torno de uma letra solar, que os judeus e gregos ignoravam.
Fica, então, por saber qual o ponto de partida e de retorno da evolução e da involução.
Para esclarecer esse ponto, é suficiente somar as cifras de XIX que dará 1+9=10. Dessa forma, 10 é o equivalente à letra Y, a primeira letra do nome IEVE e de Jesus Verbo: IShO, YPhO.
A seguir, o desenho de nossa construção do Arqueômetro em forma de duplo transportador articulado.
É de notar-se, na parte inferior da figura, a antiga relação entre 7 e 22 = 3,1428571, que se aproxima ao número É, transmitido por Euclides, mas empírico e incerto.
A partir da letra Y, I ou J, de 30° em 30°, a coroa zodiacal da palavra compõe-se das letras: L, M, W, Ph, K, R, E, O, Z, E, T.
As homologias dessas letras, a 180° de distância, quer dizer, nas duas extremidades do diâmetro, são: YR, LHa ou LHe, MÔ, WZ, PhE, K.T, e inversamente RY, EL, OM, ZWou, EPh, TaK.

O resultado disso são duas héxadas de nomes autológicos, nomes radicais ou raízes monossilábicas. IR, Ira, significa em sânscrito palavra, a Divindade da Palavra.
Lá ou Le significam o Rei dos Ciclos, o Mestre de Swarga ou Paraíso; Indra é um do doze Adityas, e também o Mestre interior, a alma, a consciência.
 
MO, raiz de MÔX e de MÔXA, significa redenção, salvação, liberação das amarras do corpo e das misérias da vida.
WZ, ou também OUZ, encontra-se novamente sob a forma US e significa, na linguagem Veda, o ardor e o brilho luminoso.
PhE, Pa, significa a potência que governa.
KT. A letra K significa a alma; a letra Ta significa a ambrosia, a essência imoral.
Inversão

RY ou RâJ, ser rei, reinar.
El, Al. conter (hebraico). Salvação, glorificação, exaltação.
ÔM, o AÛM.
ZWou, SWa, Bens.
EPh (hebraico). Que cobre e protege, garantia, segurança.
TaK (hebreu), suportar, sustentar; (caldeu), sede, trono.

Para ir acostumando pouco a pouco o arquiteto à leitura desses signos e de seus equivalentes, tomaremos do Zodíaco do Verbo as letras indicadas pelos ângulos dos dois primeiros trígonos, o de Jesus e o de Maria.
Limitamo-nos às letras homólogas, aquelas cujas cores reconstituem o raio branco e que, em conseqüência, formam pares, combinações binárias, das quais cada elemento está situado a 180° de distância um do outro.
A utilidade da coroa dos graus se verificará assim, ao mesmo tempo que o autologia da coroa zodiacal das letras.
Motivamos acima nossa seleção da letra I, Y ou J como pontos de partida e de retorno das séries harmônicas e orgânicas da palavra e de seus equivalentes.
Os equivalentes de I são o raio azul emissivo e remissivo, o número 10, a sonometria e as formas harmônicas que resultam dela, o signo da Virgem, a sabedoria ou a Rainha dos Céus dos anciãos patriarcas, Mercúrio trismegisto aos pés da Virgem, o Rafael trismegisto dos anciãos patriarcas, o Bouddah vedo-brahmânico, etc.
A homóloga dessa letra é R, da qual o leitor encontrará por si mesmo as correspondências sobre o Arqueômetro. Essa combinação binária dará um nome arqueométrico radical, uma raiz monossilábica autológica.
Assim, somente temos que abrir um dicionário sânscrito; adotar uma língua, por exemplo a devanagárica, línguas da Cidade ou da Civilização divina, porque ela tem sido articulada sobre uma língua arqueométrica do templo, a adâmica, da qual escolhemos o alfabeto.
O Verbo vai ainda nos dizer, ele mesmo, se tivemos razão contra os nossos amigos brâmanes ao tomar como ponto de partida da Palavra Criadora a letra I, e não a letra M.
IR, IRâ, significa, em sânscrito, "Palavra, a Divindade da Palavra".
A resposta é divinamente concludente. Sem deixar a base do trígono de Jesus, nós nos reportaremos para a letra O, da qual seus equivalentes são:
O vermelho, as línguas de fogo do Espírito Sagrado; a pomba vermelha; o número 6, gerador sonométrico do acorde perfeito menor que
chamamos de orgânico interno, gerador por igual dos modos de beleza resultantes dessa corda, o signo de Touro, o sinal de Vênus celestial e da Ionah. A combinação binária é dada, a 180° de distância, sobre a base invertida de triângulo de Maria, pela letra M, primeira desse nome e desse triângulo.
Deixaremos o leitor encontrar por si próprio os equivalentes da letra M, e assim abriremos o dicionário sânscrito.
ÔM, ou AÛM dos brâmanes, o AVAM dos Coranistas esotéricos, o AM, o Ave Maria dos primeiros patriarcas e dos cristãos de hoje em dia.
Meditando, com o Arqueômetro na mão, a recombinação do raio branco pelas cores complementares, ou melhor, as homólogas, O e M, e considerando as homólogas dos outros equivalente dessas duas letras, os orientais saberão cientificamente as origens de seu AÛM. Saberão por que esse nome, pronunciado sagrada exatamente na hora certa, arremessa sua vida na outra vida, aquela do triângulo das Águas viventes, em direção à fonte central, enearmônica, da Luz.
Tomaremos agora a letra Ph ou P, aquela da Porta de Deus e dos Anjos. Seus equivalentes são: o raio fotogênico amarelo, o Natal da Glória, dos Céus astrais e do Verbo Encarnado, o número 80, sua sonometria musical, a morfologia de beleza gerada por esta sonometria, Capricórnio e seu anjo, Saturno e seu anjo, etc.
Sua homologia é E ou H, o raio violeta, o número 8, a nota Lá, a sonometria musical e morfológica de 8, a porta inferior do Reino, a porta supraterrestre do homem, a descida e a volta das almas na geração terrestre e na regeneração celeste, o trono do Anjo Gabriel, o anjo da Anunciação e da Ave Maria, o Anjo do signo de Câncer e da Lua.
Sobre a vertical dos solstícios do Mundo da Glória e do mundo astral, o raio branco se reconstitui no centro arqueométrico pela combinação Norte-Sul do amarelo e do violeta. Esta cópula do casal de letras PhE e Pa-H.
Abrindo o dicionário sânscrito, Pa-H significa "a Potência que governa a vida orgânica". Vimos que esta Potência toma posse desse governo universal, quando passa da letra triangular P, ?, para a letra triangular que forma uma bissetriz que aparece no eixo do mundo: ?, Sh.
Essas respostas diretas são incontestáveis, não deixam nada a desejar. Porém, como a razão divina não se preocupa com a razão humana, que quer possuí-la inteiramente na plenitude de sua admiração e de sua adoração, vamos interrogar, então, cada um desses termos binários pelas suas inversões.
YR dará RY; RY, em sânscrito dará RâJ, que significa ser Rei, reinar. Assim, juntando os dois sentidos, o direto e o invertido, obtemos então; o Verbo, o Deus da Palavra, o Rei do Reino eterno.
ÔM dará MÔ em sânscrito, MÔx, MÔxa, que significa "a Redenção, a libertação das amarras do corpo e das misérias da existência física."
Unindo o dois sentidos, o AUM, significa: "a dilatação de alma na vida de adoração o impregna das águas vivas da vida celestial e lhe dá o sabor antecipado da salvação, da redenção, da libertação das amarras do corpo e das misérias da existência física".
PaH ou PhE dará, em hebraico, EPh, a providência que garante, protege e abriga em segurança.
Unindo o dois sentidos, temos: a potência que governa a vida, a protege, a abriga e lhe dá segurança quando essa vida se reintegra nela.
Depois de ter orientado o leitor como deve interrogar o Arqueômetro, sobre a estrela dos solstícios do Verbo nessas letras homólogas, nós nos limitaremos, no que se relaciona à estrela equinocial dos ângulos, a fazer a mesma experiência sobre a linha do horizonte.
Situamo-nos, então, entre os dois ângulos I e M dos trígonos de Jesus e de Maria. Encontraremos aí a letra L, sobre o trígono do Éter divino. Seus equivalentes são o verde-azulado, o número 30, sua sonometria musical e morfológica, o Arcanjo São Miguel, a porta horizontal e ocidental dos Anjos, dos ALaHIM encarregados de dar toda a vida mental, amante ou corporal, seus alimentos e seus elementos, o Equinócio do Outono, o signo da Balança e do juízo, Vênus noturno, etc.
A homologia, no ponto de partida do trígono de Fogo, é a letra E ou H, e tem por equivalente o Cordeiro de Deus, Agnus Dei, o Agni dos vedo-brâmanes, o cordeiro pascal dos judeus, o Amor divino até o sacrifício absoluto do próprio Eu, a Páscoa, a Crucificação do Verbo Encarnado e sua Ressurreição no terceiro dia, a cor vermelho-laranja do sangue, o equinócio da primavera, o número 5, sua sonometria musical e morfológica, o signo do Carneiro e do Cordeiro, Marte noturno ou o Centurião, o Sol sobre o seu trono, etc.
A recombinação do raio branco, entre o verde-azul e o laranja-vermelho, das letras LaH ou LH ou também Le.
O dicionário sânscrito responde: o Rei dos Céus, o Mestre de Swarga, o Senhor do Paraíso, um dos doze Adityas, que o chama Indra, que nós aceitamos como sobrenome de Jesus, e não de outra forma.
Acrescentemos, passando pela teobiologia até a ontobiologia do homem: o Mestre interior da alma, a consciência.
Invertendo, o hebraico dará: EL, AL, significando: a Salvação, a Exaltação, a Glorificação. Juntando os dois sentidos:
"O Mestre interior da alma, o Senhor da consciência humana, pregado na cruz para a sua salvação, exaltado e glorificado na sua primeira glória como Verbo, é o Senhor e Rei do Paraíso."
Coroa Planetária da Palavra

A mesma prova experimental, realizada para a coroa planetária da palavra, daria outras respostas igualmente maravilhosas.
Nós nos limitaremos agora aos exemplos que precedem e que estão de acordo com a lei da homologia e as regras de suas combinações binárias para a leitura dos "Mentras arqueométricos" nesta ordem.

Para dar mais certeza ainda acerca da exatidão autológica do Arqueômetro, tomaremos, sobre cada ângulo dos trígonos de Jesus e de Maria, a combinação binária da letra zodiacal e da planetária do ângulo, e depois a sua inversão.
Não utilizaremos mais a língua sânscrita e dos dicionários em uso para provar mais uma vez a referência ariana do Arqueômetro nas antigas Universidades patriarcais.
No ponto inicial do trígono de Jesus, as duas letras Ya e Tsa dão o termo YA ÇA, que significa emissão da glória e do esplendor.
ÇI é a inversão do termo anterior e significa remissão, repouso, sonho.
Existe, então, para o ângulo do ponto inicial e de retorno das letras, uma perfeita concordância desta combinação binária com aquela que caracterizamos como homológica.
Ph e Sh são duas letras do ângulo Norte, que coincidem em Capricórnio e em Saturno, no ponto do Natal, em nosso 24 de dezembro, à meia-noite, momento em que o Sol começa a subir sobre a Eclíptica, para gerar o ano-novo. Portanto, em sânscrito, PoeSha significa o mês de dezembro-janeiro, confirmando absolutamente tudo o que dissemos sobre a autologia arqueométrica.
Pa quer dizer Potência; Pâ quer dizer Salvador.
Sha significa Paraíso.
SaP é a inversão das letras anteriores, e significa adorar.
Unindo o sentido do Mundo Astronômico ao Mundo da Glória, obtemos: No ponto de partida do primeiro mês astronômico, revela-se a adoração, a Potência do Salvador, o Rei do Paraíso.
Depois de ter visto a interpretação arqueométrica das letras do ângulo correspondente ao Pai, e as do ângulo correspondente ao Filho, interrogaremos o ângulo que corresponde à terceira pessoa da Trindade fundamental.
OG da OGA, que significa a potência que une e reúne, a força que fecunda e multiplica. Em latim, Augere, aumentar.
GO, inversão do precedente, significa (em veddo) o que tende à união, tudo o que é bom. Mas é pelo menos singular no que diz respeito ao seu sentido astronômico do mês de dezembro-janeiro, o termo GO significa também, em sânscrito, o sentido astronômico zodiacal do signo correspondente à letra O: Touro, Boi.
MaKa é um termo formado pelas duas letras zodíaco-planetário do ângulo do trígono inicial de Maria, significa Sacrifício; MaGa, significa felicidade e sacrifício.
KaMa significa o amor, o desejo, a vontade da qual o amor é o princípio.
RD, situado no segundo ângulo do trígono do Maria, forma o nome RaD, que significa dar, concordar.
DR, DaRa, significa o que comporta, o que contém e possui. Porém aqui, um sentido astronômico é dado por DRu que significa o que flui, liquefaz-se e se funde, ou corre rápido na água, concordando com o signo de Peixes.
HB, no ângulo sul do triângulo de Maria, dará o termo HEBE, que verte para dar de beber aos deuses, na mitologia órfica derivada da vedo-bramânica.
Em sânscrito, esse nome se decompõe em Ka, que significa Água etérea ou Ar vaporoso, e Ba que significa uma, o que concorda astronomicamente com Câncer, signo de água e com a correspondência da marcha da Lua e do estado de todos os fluidos e líquido sublunares.
BH, inversão do termo anterior, dará BaHu, o BoHu hebraico, mistura fluida de onde sai BaHuKa, que significa cisterna, que concorda também com o sentido astronômico do signo.

LETRAS MORFOLÓGICAS E ARITMOLÓGICAS

Chamamos zodíaco-solares os alfabetos orgânicos de XXII letras, tais como o siríaco litúrgico, o assírio dos judeus, o samaritano, etc. Escolhemos este gênero de alfabeto porque é cientificamente regular como processus de letras e de números correspondentes, ao que se podem reduzir todo alfabeto empírico ou vulgar. E, nesse tipo alfabético, escolhemos o mais antigo, o adâmico, desconhecido na Europa, mas conservado pelos brâmanes com o nome de vattan. Nós o adotamos porque ele é exato, não somente como processus de letras e de números, mas também como processus de formas.
É um alfabeto morfológico, ou parlante exatamente por suas formas que são geradas de um ponto, da linha, do ângulo, do círculo e do quadrado:

As ciências e as artes relativas à aplicação das formas para os usos da Arquitetura, Estatuária e Ornamentação de todo Gênero encontrarão nestas letras, remetidas por mim a seu ponto exato de correspondência sobre o cosmômetro pantográfico, uma morfologia parlante.
Em Arquitetura tão-somente, este novo gênero, este estilo parlante, é derivado da correspondência com as cores do pantógrafo.
Esse estilo consiste na utilização do ferro ou de qualquer outro metal e do vidro colorido, utilizando-se o ferro não só como armação mas também como engaste parlante dos muros de vidro colorido, como o ouro, a platina e a prata servem de engaste às pedras preciosas.
Veremos mais adiante por que, do alfabeto de XXII letras, extraímos três letras: aaa, A, para o número 1, , S, para o número 60, ?
Th, para o número 400, quer dizer, o Raio Gerador, os Pontos e o Sinal de união das zonas.
Restam XIX letras, XII modais e VII diatônicas. Elaborando a tabela das correspondências morfológicas, resultou no seguinte: (1º) entre as XII modais e os XII signos zodiacais, entre as VII Diatônicas e os VII signos planetários.
A comparação mostra que esses signos astrais são derivados dessas letras, e somente este fato se refere a uma época universitária dos patriarcas anterior ao Paganismo, ao Sabeísmo, ao Antropomorfismo e ao Zoomorfismo; É por essa razão que chamamos zodíaco-solares a esses alfabetos de XXII letras e zodíaco-lunares aos alfabetos de XXVIII, XXIX e XXX letras, como o Musnad e o Coreïsh.
Aritmologia dos Alfabetos Cosmológicos Solares
Sendo as XXII letras aritmológicas, tivemos que reconstituir sua aritmologia de acordo com seu ponto de partida e de retorno, com seu módulo emissivo que, sendo a letra Y, é o número 10, com o número 6 como módulo menor. Pelo contrário, no sistema lunar vedo-brahmânico, sendo o ponto de partida e de retorno a letra M, é o número 40, com o número 8 como módulo menor.
É útil ressaltar ao arquiteto que esta aritmologia restabelece toda uma parte perdida das ciências aritméticas, a dos números qualitativos inversamente proporcionais às cifras quantitativas.
O maior destes números é a unidade e todos os outros são as funcionalidades internas dela.
Além do mais, essa aritmologia qualitativa pode ser demonstrada fisicamente com experiências, seja sobre uma corda sonora, seja sobre as placas vibrantes, de acordo com os números e com as formas equivalente das placas.
Revela-se com isso a qualidade musical dos números, enquanto as cifras revelam a quantidade das vibrações físicas.
Esse conhecimento, do qual deriva a música cosmológica das formas ou morfologia, é indispensável para a arquitetura e todas as artes a que ela preside, passando do artista e de sua obra do estado inconsciente ao estado de ciência e da consciência plena e inteira, quer dizer, de cooperação direta com os princípios metrológicos e morfológicos.
A síntese religiosa ou a sabedoria é dessa forma uma aliança divina real e positiva, tanto na ciência como na arte e na vida, da qual a ciência e a arte são seus instrumentos.
Em resumo, como os números constituem também palavras, o arquiteto notará que aquelas que resultam das principais séries numéricas do alfabeto adâmico poderão ser lidas seguindo a numeração decimal sânscrita. Assim, perceberá facilmente a grande importância destas palavras reveladoras.
Uma vez mais, a vontade humana não faz parte desta autologia que nós dará o critério de certeza utilizado nas mais antigas Universidades patriarcais.


Critério de Certeza

Não se acredita em nada sem convicção, sem o poder da vida que apela no Verbo, mesmo com uma irresistível certeza que coloca uma luz no coração, como um calor sagrado.
O Arqueômetro é o revelador dessa Revelação, dá esta certeza e ele apela a essa força da vida que arrastará o arquiteto a uma aliança e a uma colaboração real com o projeto de sua arte.
É por essa razão que chamo a atenção, com muita gravidade, sobre o que vem a seguir:
Olhando a tabela da aritmologia das XXII letras, encontraremos:
1º) Que as letras que têm a chave do número 10 são Y, I ou J.
2º) Que esse número 10 não é o resultado da soma das interioridades do número 4 + 3 + 2 + 1 = 10, como nos outros sistemas decadentes da Antigüidade, mas da Unidade da Trindade e da interioridade dessa Trindade, assim: 3 + 2 + 1 = 6, que significa: sestilidade.
O número 1 corresponde à incognoscível Unidade de Deus, o número 3 corresponde à sua Trindade constituinte de toda a manifestação, a seu Verbo cognoscível. Jesus disse: "Quem me vê, vê ao Pai".
O número 6, que é do Espírito Santo, representa a própria inferioridade de 3 + 2 + 1 = 6.
Esses três números, 1, 3, 6, igualam-se ao 10, sem ser necessário recorrer ao 4 para obter, com a soma, o número 10.
Tudo o que precede pode ser feito experimentalmente sobre a corda sonora.
Com efeito, 1 representa a corda inteira, 2 representa uma oitava nos dois lados, para a direita e para a esquerda a partir do meio da corda. A dualidade não consiste numa potência de oposição, mas de simetria com a própria unidade.
Três sobre a corda sonora dará a quinta a 2/3, mas cada terço isolado dará também essa quinta à oitava; o número 3 é, então, autônomo em 1, como palavra do número 1.
Quatro, pelo contrário, representa a subsimetria de 2, que é ela mesma a potência simétrica de 1.
Quatro dará os ¾ da quarta, sendo a metade geométrica da oitava, porém cada quarto isolado reproduz a oitava, sendo ela mesma a dupla oitava.
Dessa forma, sendo 2 a potência simétrica da unidade, 4 é a potência subsimétrica, ou interferencial. Este número, então, não é autônomo nem diretamente parlante, não mais em Sonometria que em Morfologia, como veremos mais adiante.
Em 6, interioridade de 3, o respaldo de sua potência simétrica, que então resulta 3, como 2 é respaldo de 1 na simetria interna.
Em 6, tudo responde com a maior segurança sobre a corda sonora; tudo ali é verbal e autônomo, como em 3, e que essa palavra, que corresponde, em morfologia, ao hexágono, dará a onda sonora, seu acorde menor perfeito, que nós chamamos orgânico interno, com propulsão de 2 quintos nos agudos, quer dizer, uma dupla promulgação do verbal 3.
Continuaremos nas próximas inserções...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carta de Saint Yves D'Alveydre a Papus.


Meu querido amigo,
tenho um grande prazer em responder a vossa excelente carta. Não tenho nada que acrescentar a vosso notável livro sobre a Cabala judaica. Pode ser classificado entre os de primeira linha pela eminente e merecida apreciação feita pelo saudoso Sr. Frank, do Instituto, o homem mais capacitado a tecer um juízo sobre esse tema.
Vossa obra completa a dele, não somente quanto à erudição mas também na bibliografia e na exegese dessa tradição especial, e, mais uma vez, crio este livro definitivo. Mas, sabendo meu respeito pela tradição e, ao mesmo tempo, minha necessidade de universalidade e de verificação por todos os processos dos métodos atuais, conhecendo, além do mais, o resultado dos meus trabalhos, não deveis temer que eu venha a ampliar o tema, e, ao contrário quereis pedi-lo.
Não aceitei até agora devido ao benefício que pode trazer ao inventário dos livros sobre a Cabala judaica, apesar do seu interesse.
Porém, uma vez feito o inventário, as minhas pesquisas pessoais encaminharam-se para a universalidade anterior, de onde procedem esses documentos arqueológicos, desde o começo, bem como as leis que puderam provocar esses feitos do espírito humano.
Para os judeus, a Cabala provém dos caldeus, elaborada por Daniel e Esdras.
Entre os israelitas anteriores à dispersão das dez tribos não judias, a Cabala provinha dos egípcios, composta por Moisés.
Tanto para os caldeus como para os egípcios, a Cabala formava parte do que todas as Universidades metropolitanas chamavam de Sabedoria, isto é, a síntese das Ciências e das artes reintegradas ao seu Princípio comum. Esse Princípio era a Palavra do Verbo.
Um precioso testemunho da antigüidade patriarcal pré-mosaica confirma essa sabedoria perdida ou transformada aproximadamente 3.000 anos antes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse testemunho é Jó, e a antigüidade desse livro é autologicamente confirmada pela posição das constelações que ele menciona: "Que foi da Sabedoria, onde, pois, está?", disse esse Santo patriarca.
Em Moisés, a perda da unidade anterior e o desmembramento da sabedoria patriarcal são indicados com o nome de divisão da línguas e época de Nimroud. 

Essa época caldéia corresponde à época de Jó.
Outro testemunho da antigüidade patriarcal é o Brahmanismo. Ele conservou todas as tradições do passado, superpostas com os diferentes acontecimentos geológicos da Terra. Todos os que o estudaram do ponto de vista moderno ficaram surpreendidos pela riqueza de seus documentos e a impossibilidade de uma classificação mais satisfatória, tanto do ponto de vista cronológico como do científico. Suas divisões em seitas bramânicas, vishnavistas, sivaistas, por não falar mais daquelas, contribuíram da mesma forma para essa confusão.
Não é menos certo que os brámanes do Nepal remontam ao começo da época do Kaly-Yuga, à ruptura da antiga universalidade e à unidade primordial de ensino.
Essa síntese primitiva levava, muito antes do nome de Brahma, o de Isvha-Ra, Jesus Rei: Jesus Rex Patriarcarum, contam as nossas letanias.
É a essa síntese primordial que São João faz alusão no início de seu Evangelho; porém, os brámanes estão longe de duvidar que seu Isoua-Ra seja nosso Jesus, Rei do Universo, como Verbo Criador e Princípio da Palavra Humana. Sem isso, seriam todos cristãos.
O esquecimento da Sabedoria Patriarcal de Isvha-Ra data da época de Krishna, o fundador do Brahmanismo e de sua Trimurti. Aí também existe concordância entre os brámanes, Jó e Moisés, tanto quanto aos fatos como à época.
Desde esse tempo babélico, nenhum povo, nenhuma Universidade, tem possuído mais do que restos de pequenos fragmentos da velha Universidade dos Conhecimentos divinos, humanos e naturais, reduzidos a seu princípio: o Verbo Jesus. Santo Agostinho define como Religio Vera essa síntese Primordial do Verbo.
A Cabala dos Rabinos, relativamente de redação recente, era conhecida do começo ao fim pelos adeptos judeus, em suas fontes escritas ou orais, no primeiro século de nossa era. Certamente não havia segredos para um homem de valor da ciência de Gamaliel. Porém, não os havia também para seu primeiro e proeminente discípulo, São Paulo, que se tornou o apóstolo do Cristo Ressuscitado.
 
Vejamos agora o que diz São Paulo na sua Primeira Epístola aos Corintios, capítulo 2, 

versículos 6-8:
"Predicamos a sabedoria aos perfeitos, não a sabedoria deste mundo, nem dos principais deste mundo, que se destroem; mas, predicamos a sabedoria de Deus, encerrada em seus Mistérios; sabedoria que havia permanecido oculta, que Deus, antes de todos os séculos, havia predestinado e preparado para a nossa glória; 
que nenhum dos primeiros deste mundo a tem conhecido; pois se a tivessem conhecido, nunca teriam crucificado ao Senhor da Glória."
Essas palavras são pesadas em quilates como o ouro e os diamantes, e não existe uma só dentre elas que não seja infinitamente precisa e preciosa. Elas proclamam a insuficiência da Cabala judaica. Antes de tudo, verifiquemos a origem do termo Cabala: ele tem dois sentidos de acordo com a forma em que é escrito, conforme os judeus. Se o escrevemos com Q, isto é, adotando a vigésima letra do alfabeto assírio, a que corresponde ao número 100, ou com a letra C, a décima primeira letra do mesmo alfabeto, que corresponde ao número 20.
No primeiro caso, o nome significa transmissão, tradição, e a coisa fica assim indecisa, pois, tanto vale o transmissor quanto a transmissão; tanto vale o traditivo quanto vale a tradição.
Acreditamos que os judeus nos transmitiram bastante fielmente o que receberam de seus sábios em sua escrita caldéia original, e que foi refundido nos livros anteriores por Esdras, guiado pelo Grande Mestre Daniel, da Universidade dos magos de Caldéia. Mas do ponto de vista científico, isso não amplia muito a questão, que foi recuando no tempo por meio do levantamento dos documentos assírios, e assim subseqüentemente até chegar à fonte primordial.
No segundo caso, Ca-Ba-Lá, significa a potência das XXII letras, CaBa, já que C = 20 e B = 2.
Mas, então, a questão é resolvida exatamente, pois se trata do caráter científico determinado pelos antigos patriarcas ancestrais para os alfabetos de vinte e duas letras numerais.
Temos que considerar esses alfabetos como um monopólio das raças chamadas semitas? Talvez seja realmente um monopólio, ou muito pelo contrário.
Segundo as minhas pesquisas sobre os antigos alfabetos da Ca-ba-Lá, de XXII letras, o mais oculto, o mais secreto, que me serviu de protótipo não tão-somente para todos os outros do mesmo gênero mas também aos signos védicos e às letras sânscritas, trata-se do alfabeto ário. É aquele alfabeto que fui feliz em transmitir e que obtive de eminentes bramanes, os quais nunca, nem em sonho, exigiram-me guardar segredo dele.



Esse alfabeto se distingue dos outros chamados semitas porque suas letras são morfológicas, isto é farlantes exatamente pelas suas formas, o que o transforma num alfabeto absolutamente único. Mais ainda, um estudo cuidadoso me levou a descobrir que as mesmas letras são o protótipo dos signos zodiacais e planetários, o que é também de máxima importância.
Os bramanes chamam a esse alfabeto de vattan; e parece que se remonta à primeira raça humana, pois, pelas suas cinco formas matrizes, rigorosamente geométricas, confirma ele mesmo: Adão, Eva e Adamah.
Moisés parece apontá-lo no versículo 19 do capítulo II de seu Sepher Bereshit. Mais ainda, esse alfabeto se escreve de baixo para cima, e suas letras se agrupam de tal maneira que formam imagens morfológicas falantes. Escrevem-no da esquerda para a direita e de cima para baixo.
 Por todas as razões precedentes, esse alfabeto protótipo de todos os Kaba-Lim pertence à raça ária. Não podemos continuar a denominar com o nome de semitas os alfabetos desse gênero, pois não são o monopólio das raças que se denomina assim, com razão ou erradamente.
E possível, e deve-se, chamar esses alfabetos de esquemáticos. Agora, bem, o esquema não significa somente signos da palavra, mas também signos da glória. Esses alfabetos existem também em outras línguas, como o eslavo; assim, por exemplo, a etimologia do termo eslavo é slovo e slava, que significam palavra e glória.
Esses sentidos nos conduzem a significados muito altos. O sânscrito costuma corroborar essa elevação. Sama, que encontramos também nas línguas de origem celta, significa similar, identidade, proporcionalidade, equivalência, etc.
O termo Cabala, tal como o compreendemos, significa o Alfabeto das XXII Potências, ou a Potência das XXII letras desse alfabeto. Esse tipo de alfabeto tem um protótipo ário ou jafético, que pode ser designado, certamente por direito, com o nome de Alfabeto da Palavra ou da Glória.
Palavra e Glória! Por que estes dois termos estão relacionados em duas línguas antigas tão distantes uma da outra como o eslavo e o caldeu? Isso é sustentado por uma constituição primordial do espírito humano, em um Princípio comum ao mesmo tempo científico e religioso: o Verbo, a Palavra cosmológica e seus equivalentes.
Jesus, em sua última oração tão misteriosa, lança nisso, como em tudo, uma luz esclarecedora sobre o mistério histórico que nos ocupa agora:
"Oh Pai! coroa-me com a glória que tive antes de que este mundo fosse!"
O Verbo Encarnado faz alusão, com isso, à Sua Obra, à Sua Criação direta como Verbo Criador.
Criação designada com o nome de Mundo divino e eterno da Glória, protótipo do mundo astral e temporal, criado pelos Alahim sobre este modelo incorruptível.
Que o Princípio Criador seja o Verbo, a antigüidade não possui sobre este ponto mais que uma voz unânime. Falar e criar são, aqui, o sinônimo de todas as línguas.
Entre os brâmanes, os documentos anteriores ao culto de Brahma apresentam a ISOu-ra, Jesus Rei, como Verbo Criador.
Entre os egípcios, os livros de Hermes Trismegisto dizem a mesma coisa, e OShI-Ri é Jesus Rei, lido da direita para a esquerda.
Entre os trácios, Orfeu, iniciado nos Mistérios do Egito pela mesma época que Moisés, escreveu um livro intitulado "O Verbo Divino". Enquanto para Moisés, o Princípio é o motivo da primeira frase de seu Sepher. Não se trata da Essência de Deus, IHOH, que é nomeado somente no sétimo dia, mas de seu Verbo Criador da héxada divina: BaRa-Shith, em que Bara significa falar e criar; Shith, significa a héxada. Em sânscrito, temos o mesmo significado para BaRa-Shith.
Este termo, BaRa-Shith, tem dado lugar a polêmicas e inúmeras discussões. São João não defende o termo como Moisés desde o começo de seu Evangelho, e escreve em Siríaco, língua cabalística de XXII letras: "O Princípio é o Verbo. Jesus tinha dito: 'Eu sou o Princípio'".
O sentido exato é fixado assim por Jesus, que confirma toda a universalidade pré-mosaica anterior. O que precede explica por que as Universidades verdadeiramente antigas consideraram o Verbo Criador como a incidência, da qual a palavra humana é o reflexo exato, quando o processo alfabético se encaixa perfeitamente no planisfério do Cosmos.
O processo alfabético, junto com todos os seus equivalentes, representa, então, o Mundo Eterno da Glória; e o processo cósmico representa o mundo dos Céus astrais.
E por isso que o Rei Profeta, eco de toda a antigüidade patriarcal, disse: "CÉli enarrant Dei Gloriam", ou, em francês: "O mundo astral reflete o mundo da Glória divina." O Universo invisível fala por meio do Universo visível.
Permanecem assim dois casos a serem resolvidos: primeiro, o processo cósmico das escolas antigas; segundo, o dos alfabetos correspondentes.
Para o primeiro ponto, III Formas matrizes: O centro, o rádio ou diâmetro e o círculo; XII signos involutivos; VII signos evolutivos.
Em ambos os casos: III + XII + VII = XXII = CaBa, pronunciando-se: C = 20, B = 2, dando um total de 22, C, Q, F, D.
Os alfabetos das 22 letras correspondiam, pois, a um Zodíaco solar ou solar-lunar, montado a partir de um setenário mais evoluído. Eram os alfabetos esquemáticos.
Os outros, de acordo com o mesmo método, provinham das 24 letras, dos horários dos precedentes, de 28 letras seus lunares; por 30, seus mensais solar-lunares; por 36, seus decânicos, etc. Sobre os alfabetos das 22 letras, a regia, a emissiva da ida, a remissiva da volta, era o I, o Y e o J, e colocada sobre o primeiro triângulo eqüilátero inscrito, devia formar antologicamente, com as outras duas, o nome do Verbo e o de Jesus, IshVa-(Ra), OshI-(Ri).
Pelo contrário, todos os povos que têm adotado o Cisma Naturalista e Lunar escolhem a letra M como Regia, que governa o segundo trígono elemental.
Todo o sistema védico, e depois o brahmânico, tem sido regulado posteriormente por Krishna dessa forma, a partir do Kaly-Youg. Essa é a chave do Livro das Guerras de IEVE, guerra da letra Regia I ou Y contra a ursupadora M.
Tendes visto, meu querido amigo, as moderníssimas provas, fruto da simples observação e da experiência científica, pelas quais a mais antiga tradição foi ao mesmo tempo restabelecida e verificada por mim. Portanto, não falarei mais do que o estritamente necessário para o esclarecimento do fato histórico da Cabala.
Conforme os patriarcas que os têm precedido, os brâmanes têm dividido as línguas humanas em dois grandes grupos: (1º) Devanagáricas, são as línguas da cidade celestial ou da civilização reintegrada ao seu Princípio Cosmológico divino; (2º) Prácritas, são as línguas das civilizações selvagens ou anárquicas. O sânscrito é uma língua devanagárica de quarenta e nove letras; o veda, igualmente, com suas oitenta letras e signos, derivados do ponto do AUM, ou seja, da letra M.
Essas duas imagens são cabalísticas em seu sistema particular, no qual a letra M é o ponto de partida e de retorno. Porém, têm sido, desde sua origem e continuando até os nossos dias, articuladas sobre uma fatia do templo de vinte e duas letras, da qual a letra Regia primeira é o I.
Todas as retificações se tornam possíveis e fáceis graças a esta chave, no triunfo e maior glória de Jesus, verbo de IEVE, dito de outra forma, da síntese primordial dos primeiros patriarcas.
Os atuais brâmanes conferem a seu alfabeto de vinte e duas letras uma virtude mágica; porém esses termos não possuem para nós mais do que uma conotação de superstição e ignorância.
Superstição, decadência e superestação de elementos arqueológicos e de fórmulas mais ou menos alteradas, porém, com um estudo mais profundo se poderia, como neste caso, relacionar uma experiência ou um ensinamento anterior de forma científica e consciente e não de forma metafísica ou mística. Esse ensinamento primordial foi motivado principalmente pela maior ou menor ignorância dos fatos, das leis e dos princípios.
Por outra parte, a Escola lunar vedo-brahmânica não é a única na qual a ciência com sua síntese solar, a religião do Verbo, tem degenerado em Magia. Basta que se explore um pouco a universalidade terrestre a partir da época babélica para ver uma crescente decadência, atribuída cada vez mais à influência envolta de um caráter de superstição e magia, que exercem cada vez mais os alfabetos antigos.
Da Caldéia até a Tessália, da Escitia até a Escandinávia, dos Kouas de Fo-Hi e dos Musnads da antiga Arábia aos Runas dos Varaighes, podemos observar a mesma degeneração.
A verdade, nisso como no todo, é infinitamente mais maravilhosa que o erro, e conheceis, querido amigo, esta admirável verdade.
Por último, como nada se perde na humanidade terrestre, da mesma forma que no Cosmos inteiro, o que tem acontecido ainda é testemunho da antiga universalidade da que nos fala Santo Agostinho, em suas Retrações.
Os brâmanes cabalizam com os oitenta signos védicos, com as quarenta e nove letras do sânscrito devanagárico, com as dezenove vogais, semivogais e ditongos, isto é, toda a mistura de Krishna, acrescentada por ele ao alfabeto vattan ou adâmico.
Os árabes, os persas e os soubbas cabalizam com seus alfabetos lunares de vinte e oito letras e os marroquinos com seu Koreish.
Os tártaros manchus cabalizam com seu alfabeto mensal de trinta letras. As mesmas observações podem ser feitas entre os tibetanos e os chineses, etc, as mesmas reservas podem ser feitas quanto às alterações da ciência antiga dos equivalentes cosmológicos da palavra.
Resta saber em que ordem devem ser dispostos funcionalmente esses XXII equivalentes sobre o Planisfério do Cosmos.
Querido amigo, tendes sob os olhos o modelo de acordo com aquele que foi legalmente depositado sob o nome de Arqueômetro.
Vos sabeis que as chaves deste instrumento de precisão, para serem usadas em elevados estudos, têm sido dadas pelo Evangelho, por certas palavras precisas ditas por Jesus e comparadas com as de São Paulo e São João.
Todas as Universidades religiosas, asiáticas e africanas, abastecidas pelos alfabetos cosmológicos, solares, solar-lunares, horários lunares, mensais, etc, servem-se de suas letras de forma cabalística.
Trata-se da ciência pura, da poesia interpretando a ciência ou da inspiração divina, todos os livros antigos, escritos em línguas devanagáricas e não prácritas, que não podem ser compreendidas se não fosse a Cabala dessas línguas.
Porém, aquelas devem ser reintegradas às XXII equivalentes esquemáticas, e estas, às suas posições cosmológicas exatas.
A Cabala dos Judeus está, pois, motivada por toda a constituição anterior do espírito humano; porém, ela tem necessidade de ser arqueométrica, isto é, medida por um princípio regulador, controlada sobre o instrumento de precisão do Verbo e de sua síntese primordial.
Não sei, querido amigo, se estas páginas respondem a vossa afetuosa espera. Não pude mais do que resumir capítulos inteiros em algumas linhas.
Rogo-vos, pois, desculpar as imperfeições e olhar o que precede como um testemunho da minha boa vontade e da minha velha amizade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pitágoras...continuação.



O Erro Triunfante
A LUTA DE PITÁGORAS CONTRA A MENTALIDADE PAGÃ
SEUS ESFORÇOS PARA A RECONSTITUIÇÃO DA PROTO-SÍNTESE

Saint-Yves D'Alveydre

Bereshith, c. VI, vers. 1, 2, 3, 4.

1. "Tendo-se pervertido a Igreja do patriarca Adão, em razão da multiplicação das raças e da sua mistura, sobre a face visível (PhaNa-I) da Terra espiritual (ADa-MaH), resultando na formação de numerosas confrarias de virgens. 2. "Os filhos dos Alhim celestiais amaram estas filhas de Adão. Tomaram-nas por esposas espirituais, por inspiradas, por Nashim, aquelas cujo amor os tinha cativado mais em espírito: (B'HaROu, inversão de BaROu-aH). 3. "Porque os Nephilim* existiram sucessivamente sobre a Terra astral desses Ya-Mim, Épocas e Ondas luminosas do Yá. Com efeito, desde que os filhos dos Alhim tinham freqüentado as confrarias virginais da Igreja de Adão, a aliança ghiborea, a grã Boreal havia nascido desta inspiração e havia fundado, desde a mais remota Antigüidade, o Anosh-yá, a corporação masculina do Yá, o Estado-Maior sagrado de Ha-Shem, do Shema celestial da glória divina." Eis a antiga aliança chamada hoje em dia ariana, fundada por uma reação das virgens inspiradas contra a decadência universal. Pitágoras não esquecerá, como chefe de Ordens, de agradecer ao verdadeiro feminismo toda a sua Missão, toda a sua parte legítima de influência.
Além da aliança citada, porém muitos séculos depois, temos que mencionar a aliança que data do patriarca Koush antes da Revolução Nemródica. As metrópoles orientais, cujos Sacros Colégios tinham como correspondentes todos os outros centros mais ou menos aderidos à Antiga Ordem, eram: a capital de Jana-Cadesha;Mithilâ, para a seção das ciências divinas e humanas chamadas Purânicas, ou Humanidades Santas, e Kashi, para a seção das ciências chamadas positivas ou iyóticas, porque a Astronomia, levada até a fisiologia cósmica, era considerada a síntese dessas ciências.

São dessas épocas históricas que datam, muito antes de Moisés, as relações sacerdotais da Índia com o Oriente e o Extremo Oriente, de uma parte, e o Norte da Ásia e a Europa, incluindo Grécia e Itália, de outra. E por último, com Egito e Etiópia. Foi de Kashi, hoje em dia Benares, que veio o Colégio dos Kashidim do Tr.: Anjos caídos. (literalmente, dado por Kashi), os caldeus. Era aí também que os magos do velho Irã iam terminar seus Altos Estudos Iyóticos. Mas, depois do primeiro Zoroastro e da reputação do culto dos Devas, que considerava como oponente a velha Ortodoxia, abstiveram-se de Mithilâ, o Grande Colégio Purânico freqüentado pelos sacerdotes egípcios, cólquidos, délficos e outros.
Pitágoras era, pois, um religioso, um piedoso peregrino da Unidade e da Universidade Patriarcal, um fiel de sua dupla revelação e de seu duplo critério, que estudaremos mais adiante: a vida e a ciência. A vida, vida eterna, porque sem ela o Thanatismo, que é a finalidade de todo ser, seria o Princípio da vida, o que é absurdo. A ciência, não a do homem, mas aquela que antes dele já estava escrita, com todos os seus feitos, desde o infinitamente grande até o infinitamente pequeno. A biologia do Universo invisível e a fisiologia do Universo visível.
À parte disso, escutemos por intermédio dos seus discípulos, e eles nos dirão se os critérios da verdade são objetivos ou subjetivos, reais ou metafísicos, vivos ou .mortos, universais ou singulares.
"A razão humana não tem, por si mesma, mais do que um valor de conjetura. A ciência e a sabedoria pertencem somente à Divindade e nós só temos a capacidade de obter esse conhecimento de acordo com o nosso grau de receptividade." Essas palavras, a que nos refere Proclo, exalam cheiro de incenso, aos altares do Verbo, seu Cristianismo Uno e Universal, sua Revelação descontínua desde os primeiros patriarcas até os de nosso tempo.

Comecemos pelos altares do Verbo.
É historicamente certo que Pitágoras reconstituiu, graças ã documentação dos templos, um dos livros de Orfeu: O Verbo hierático. Dedicou-o à memória desse profeta eslavo, renovador da Grécia e da Itália patriarcais. Com certeza, os sacerdotes egípcios conservavam, com o nome de Thoth, livros provenientes da proto-síntese pré-diluviana do Verbo, e, debaixo do livro de Thoth, os da Deuto-sínteses pósdiluviana. Não temos dúvidas de que o fundamento desses livros era comum às Universidades religiosas da Europa, da África, da Ásia e inclusive da América, até a revolução política e filosófica que, em 3100 antes da Encarnação, quebrou esta Santa aliança e a obrigou a ser ocultada. É indiscutível que entre os títulos miriônimos do Verbo, disseminados entre essas duas sínteses, figura desde toda a Antigüidade seu nome direto e invertido; em etíope ShOu-I, em zenda IOSh, em caldeu IShO, em veda IshVa, em sànscrito ISOua, em chinês ShOuI e SOul. É o IeShU, Rei dos patriarcas de nossas liturgias. Esse mesmo nome era o de Moisés, escrito tal como o do Infante Thermouthis, que foi: M'OShI, dedicado a OShI. Os Qabbalistas têm toda a razão, quando dizem por hábito de tradição: o nome de Deus está dentro do de Moisés; porém eles não podem apresentar as provas disso: elas estão no que precede.
Nós teremos que voltar detalhadamente sobre todos esses pontos; porém o que notamos aqui demonstra que o ponto de apoio tomado por Pitágoras sobre o Verbo nos Templos de Europa e da Ásia é religioso e não filosófico. Pertence à revelação universal una e contínua da Igreja e das Igrejas Patriarcais. Dessa forma, Pitágoras não pôde deixar de repudiar o Paganismo lônico, seu politeísmo ateu, sua anarquia mental, suas políticas anti-sociais. E nisso não fez mais que seguir as pegadas de Numa e de Xenófanes no Ocidente, de Lao-Tsé na China, de Daniel na Caldéia, de Zaratas na Pérsia. Muito mais ainda, o próprio Invisível o teria enviado. Seus biógrafos, gregos e alexandrinos, dizem efetivamente que recebeu a graça de sua primeira teofania ou sua vocação em Creta, pelo ano de 550 ou 553. Tinha então alcançado e até ultrapassado seu trigésimo ano. Estava assim em uma das condições ritualísticas impostas pelas Igrejas Patriarcais ao segundo nascimento, o espiritual, para a abertura dos sentidos fisiológicos na biologia divina, a entrada, pela Porta da Morte, para sua experiência da imortalidade.
Levando o Verbo Encarnado ao cumprimento total de sua própria lei, como Verbo Criador, observou esse rito no seu retiro no deserto. Foi assim que Pitágoras teria visto o céu e o Inferno pela primeira vez, e, nos círculos mais espantosos deste último, os dois corifeus do Paganismo, os dois magos do Jonismo mediterrâneo: Hesíodo e Homero, cujos admiráveis cantos haviam deleitado sua elegante juventude na casa do seu pai, o rico banqueiro de Samos. Desolado, não ousava acreditar no que seus olhos viam, olhava para esses espíritos vítimas do Espírito das Trevas, da turba dos Demônios, da sua luz preta e vermelha. "Por quê?", gritou-lhes. E eles lhe responderam: "Oh! Por ter maculado a deuses e homens; aos deuses, por haver-lhes dado como Mestre o Ateísmo, caluniando-os, mostrando que são corruptos como nós homens; e aos homens, divinizando seus vícios".

Eis pois uma antinomia perfeitamente resolvida cortada pela raiz pelo espírito de primeira linha de Pitágoras. De um lado, o profeta Orfeu e o Verbo Divino cuja santidade é ocultada na sua majestade celestial; de outro lado, a tagarelice humana nua e crua, notoriamente de sua arte emprestada à arte sagrada do panteísmo, em que tudo é Deus, com exceção do próprio Deus, de seu teosofismo, no qual tudo é divinamente verdadeiro, com exceção da verdade, e de Amath, o Selo do Verbo eterno, e d'Ele mesmo.
O Orfismo, mil anos antes de Pitágoras, havia sido na Europa um dos máximos esforços da aliança Templária contra a invasão da revolução asiática, de seus retóricos, de seus sofistas, de seus exploradores, de seus políticos suplantadores e escravistas.
Na época de Moisés e de Orfeu, a Creta das cem cidades tinha sido reafiliada à Santa aliança dos Templos de Manu e de Menes. Os curetes eram uma missão sacerdotal dos Kouros celebrados nos poemas hindus. A Minoa de Minos22 os tinha visto renovar um dos nós górdios,23 símbolos do Orço24 e do Orcus órfico, do 22 Minos (gr.): Antigo rei de Creta. Grande Juiz do Hades. 23 Nós górdios: Referem-se ao chamado nó górdio. Conta-se que o nó prendia o jugo dos bois com a lança da carroça doada ao Templo de Júpiter por Mídia, filho de Górdio, em reconhecimento à nomeação deste ao trono da cidade de Frígia, que os tinha feito com tal destreza que não se podia distinguir nenhuma das pontas da corda. Conta ainda a história que quando Górdio era lavrador e possuía somente duas juntas de bois como bens. uma ele usava para puxar o arado, e a outra para puxar a carroça. Um dia. quando eslava arando, uma águia pousou sobre o jugo dos bois, e ficou ali até o início da noite. Górdio. admirado de semelhante prodígio, foi consultar os oráculos e adivinhos da região, entre eles uma virgem donzela que linha fama de fazer oráculos certeiros, a qual o aconselhou afazer um sacrifício a juramento de aliança com Deus. A filosofia e as políticas cortaram facilmente estes nós sagrados, para desgraça dos povos; somente a religião poderia refazer a sua paz. Estes nomes - Mínoa, Minos, Menes, Manu - significam, na língua do Bereshith: Na-NoaH, a regra, a ortodoxia de Noé. Durante este tempo, o O-Rifeo, o Ribhou dos Vedantas, o filho dos reis Sármatas daTrácia, Orfeu, renovava o mesmo prazo no santuário eslavo e pelasgo de Delfos. É a Daliph egípcia, a Daliph sânscrita. Em devanagárico,25 Dalapha ou Dalapa expressa um desses lugares santos, neutralizados, e também um desses tesouros sagrados da aliança. A mesma observação para Dodona,* uma das Dyomnas do Danu védico e dos Dodonim de Moisés.
A Grande Soberania Noaquídes, renovando o Adâmica, semeou de Dalaphas semelhantes a sua marcha sacerdotal de um extremo a outro do planeta. Na Europa, existiam siríngos26 desse gênero do Cáucaso até os Pireneus, e o catálogo dessas bibliotecas subterrâneas era propriedade dos soberanos pontífices metropolitanos. A Cólquida também teve sua Dalapha, que motivou a expedição órfica dos Argonautas.27 Este último nome designa uma das antigas épocas da aliança chamada Arga ou Arka. Seu conselho de vigilância era chamado de Argus, o cachorro de Pan, de Phanés e do Grande Pan.

Orfeu havia sido encarregado de ser, na Europa, o renovador da Anfictionia celto-eslavo e pelasga, cuja data vem de Krishna no que concerne ao culto dos Deuses, dos Devas, dos Alhim, fruto pagão da revolução das burguesias asiáticas. Atrás desse neoconcordato, havia-se salvaguardado a antiga ortodoxia dos OSI-oï, da qual os pontífices de Delfos conservaram, porém, o Santo Nome. Havia assim mesmo ligado a paz sagrada - na Cólquida, na Grécia; na Táurida, na Itália; e até na Gália, na Espanha - aos invasores revolucionários, contidos de século em século sobre a Europa pela represa oriental dos magos e depois pelos reis da Pérsia. Seus ensinamentos, registrados na língua deva e depois na dórica sobre placas de cobre, eram, em cada cidade central, guardados por famílias nativas que, até mesmo em Atenas, desfrutavam ainda de grandes prerrogativas no tempo de Pitágoras. Com maior razão, esses costumes subsistiam ainda na Grécia e na Itália.
A obra destruída de Orfeu foi, como já dissemos, reconstituída por Pitágoras, o qual, para selar melhor sua imparcialidade de pensamento, a submissão de sua Júpiter, o que ele fez. e ainda tomou a donzela por esposa. Por outro lado, os frígios, que precisavam então de um rei, tiveram um oráculo de que deveriam eleger aquele que entrasse primeiro para fazer uma oferenda no Templo de Júpiter no início de uma primeira Lua Crescente. Górdio foi o primeiro a entrar no Templo e, assim, foi eleito rei.
A história conta ainda que Júpiter prometeu o império da Ásia a quem desatasse o nó de Górdio. Muitos tentaram sem sucesso, entre eles Alexandre Magno, mas este. percebendo a dificuldade, decidiu cortá-lo com a espada, ganhando o império da Ásia.
24 Orço (Orcus); 0 inferno ou mundo inferior; é também um sobrenome de Plutão. deus das regiões infernais. O abismo sem fundo, segundo o Codex dos nazarenos.
25 Devanagárico: Antigo dialeto das primeiras raças da India; 26 Siríngos: Exprime a idéia de flauta, tubo.
27 Argonautas: Príncipes gregos que, sob o comando de Jasão, embarcaram na nave Argo para ir a Cólquida
conquistar o Velocino de Ouro. Entre os principais, temos: Anfiarau, Casior, Corono, Euriâamas, Hércules, Ifidamo,
Melampo, Orfeu, Pólux, Télamon, Teseu, Testor, etc.
própria razão suprema, desprezando colher os louros fáceis dos jônicos, não escreveu nem destruiu suas próprias obras para não confiar na essência delas mais que à memória de seus adeptos. Esse desprezo por toda a sua doutrina, de todos os sucessos individuais, junto com muitos outros sinais, faz de Pitágoras um grego sem igual; aproxima-o tanto dos sacerdotes patriarcais quanto o afasta dos filósofos. Essa forma de compreendê-lo é a verdadeira, a cristã, a que temos desenvolvido em nossa primeira Missão.

Pitágoras



O Erro Triunfante
A LUTA DE PITÁGORAS CONTRA A MENTALIDADE PAGÃ
SEUS ESFORÇOS PARA A RECONSTITUIÇÃO DA PROTO-SÍNTESE
Saint-Yves D'Alveydre

Esses seculares teólogos laicos, principalmente Pitágoras e Aristóteles, que se destacaram sobre o fundo banal do seu tempo como homens de outra raça e de outro Ciclo, vieram dos seus templos metropolitanos do politeísmo para esforçar-se em debelar uma dupla praga instalada perpetuamente no seu povo, como a revolução civil e seu corretivo militar, a guerra. São Paulo, em suas Epístolas aos romanos, define maravilhosamente a mediocridade da terceira casta mental e moral e podemos dizer até que estes filósofos a haviam previsto.
A história comprova mais que suficientemente, ó, o quão refratários permaneceram esses meios à ação desses homens, a todo espírito hierárquico, a toda a sociologia, e como somente a segunda raça mental, a dos Estados-Maiores militares, poderia uni-los em paz forçada.
Esse admirável Pitágoras, que criou a palavra Filosofia no idioma grego, era um filósofo no sentido em que entendemos o termo Filosofia: possuir sua própria sabedoria? Um religioso, sim; um fundador de Ordens, que seja; o São Benito do quase divino Orfeu, bem; porém um filósofo, é dizer muito, e não é o bastante. Os chefes das confrarias órficas que naquela época dirigiam a Grécia e a Itália foram chamados, por muitos séculos, de teólogos e profetas.. Antes de Pitágoras, Numa tinha sido um dos enviados à nascente anarquia dos romanos. Era o rei eleito de um Colégio Sacro etrusco de acordo com os ritos patriarcais. Os Mestres mediterrâneos do Grande Samien possuíam as mesmas características: Epimênides;Ferécido, de Siros; Aristeas, de Proconesis; todos eram teólogos e profetas, o segundo é taumaturgo; o terceiro é sacerdote. Seu antecessor na Itália, Xenófanes, pai espiritual dos Eléates, era igualmente teólogo, combateu a peito aberto o Paganismo dos jônicos e mesmo o seu politeísmo, como também o dos fenícios.

Além disso, os hierofantes que instruíram Pitágoras não eram filósofos:
Temístocles era grande sacerdotisa de Delfos; Abaris era sacerdote do Verbo Solar entre os hiperbóreos; Aristeas, já mencionado; Zalmoxis era o chefe dos sacerdotes trácidas; Aglaofemo era grão-sacerdote de Lesbetra, etc, etc. Não mencionamos aqui mais que os chefes dos templos da proto-Grécia, a Órfica, a Eslava, que se interligam com as federações celto-eslavas e pelasgas, as quais se remontam à Igreja patriarcal que Manu e Moisés designam pelos nomes de Koush e Rama.

Mas vamos prosseguir com Pitágoras nas metrópoles iniciáticas da África e da Ásia. Seus Mestres sacerdotais são: em Sais, o profeta de Oshi; em Om, Heliópolis; no templo no qual Moisés, com o nome de Oshar-Sif, tinha sido o profeta de Oshi-Rish e o iniciador de Orfeu, o profeta Hôn-Ofi. Na Babilônia é Nazarath (este nome é sugestivo, porque o profeta Daniel, o nazareno, era então o Grão-Mestre da Escola Sacra dos magos). Na Pérsia, é o chefe dos neo-zoroastrianos, o Gheber Zarothosh. No Nepal, visitado também por Lao-Tsé, é o primeiro pandit do Sacro Colégio de Brahma, depois de Krishna, e antes deste último de IShVa-Ra. Detemo-nos aqui para mostrar algumas etapas importantes da antiga unidade religiosa. Esta contava com numerosas sínteses e alianças superpostas, como segue:
1º A Universal de IShVa-Ra;
2° A Índia das raças morenas e douradas, as de Bharat e de IShVa-Ra;
3º A Ária conquistadora, a de Pavan, do Hanouman, escrita de Rama;
4º O sistema de Nareda, que foi aderido à proto-síntese;
5° A brahmânica concordatáría, a de Krishna, fonte do abrahamismo dos cashidim, sendo estes últimos uma ramificação dos iyotishikas de Caçi, Cashi. O egipcianismo concordatário segue os Pouranikas, de Tirohita. Essa superposição dos sistemas pré e pós-diluvianos, de seus Ciclos e das suas doutrinas, é quase impossível de captar em razão da inversão do Selo de AMaTh, que, feito por Krishna cerca de 3 mil anos antes de Pitágoras, envolve a Palavra do Verbo BRA-ShITh, do seu ShéMa e do SéPheR. Mas, com o Arqueômetro, é relativamente fácil de reconhecê-la (a inversão), e a sobreposição indicada anteriormente se torna então muito clara.
Moisés chama à proto-síntese a primeira aliança: Adão, em veda AD-Am, Unidade-Universalidade; e ela se multiplica em tantas Igrejas étnicas quanto Moisés, seguindo os egípcios, os caldeus, os brâmanes, os magos, o Kouo-Tsé-Kien do Extremo Oriente e os Votánidas do Extremo Ocidente, mencionam os patriarcas até Noé.
Então, começam a deutosíntesis e a segunda aliança universal. Se tivéssemos que mencionar todos os documentos históricos dessas duas Igrejas católicas, este livro quase não seria o bastante para isso. Moisés, que os teve todos sob sua vista, registra alguns entre eles, com sua habitual precisão, os que concernem, e interessam hoje mais do que nunca para a vanguarda da raça branca na Ásia, no Nepal e na Pérsia. A seguir, a tradução das palavras, extremamente misteriosas e ocultas com uma arte grande, porque seu fundamento é muito simples, muito real e, sobretudo, sem metáforas, nem filosofia.
 Continuaremos nas próximas postagens...