domingo, 28 de novembro de 2010

Após demonstrar os alfabetos pelo mundo falaremos sobre...


Símbolos e sSinais Sagrados da Umbanda

Introdução
            A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, formada pelo congraçamento da três raças matrizes deste povo, o índio, o branco e o negro. 
Toda essa riqueza cultural contribuiu para a formação de inúmeras escolas dentro da Umbanda, cada uma com sua interpretação do Sagrado.
            Xambá, Toré, Babassuê, Terecô, Candomblé de Caboclo, Jurema e enfim, Umbanda. A Umbanda é o recipiente onde se misturaram conceitos tão diversos como reencarnação, cabala, pajelança, orixás, magia, chackras.
            A tradição oral de cada povo foi responsável pela propagação e sincretismo dos sinais e símbolos religiosos.  E neste caso, na Umbanda foram denominados de Sinais de Pemba ou Pontos Riscados.
            A raiz ameríndia é aventada por pesquisadores como Lund, Hartt, Ameghino, Hardick, como sendo a origem da Humanidade, contradizendo a hipótese européia de que seria na África essa origem (ITAOMAN, 1990, p. 24). E mesmo nos livros sagrados como o Popol Vuh (GORDON, B; MEDEIROS, S. 1997, p. 58) e na Bíblia Cristã é no barro (vermelho) que se originou a humanidade.  Então a origem estaria na raça vermelha e não na raça negra? Esta hipótese é a fonte de grandes conflitos no meio acadêmico.
            A equipe da Prof.ª Maria Beltrão (Unicamp) é a responsável por desmistificar a imagem de selvagens do povo ameríndio, mostrando que eles tinham profundos conhecimentos de astronomia, e que a datação dos instrumentos e pinturas encontrados nas grutas de Tocas e Cosmos chegam a 300.000 anos. (ITAOMAN, 1990, p. 25).
            Possuidores de uma cultura completamente diferente dos brancos colonizadores, os ameríndios foram subjugados e dizimados em poucos séculos.  E o sincretismo entre sua religiosidade e o Catolicismo originou a Santidade e a Pajelança no Pará e Amazonas, e o Caatimbó no restante do país. (BASTIDE, 1960; ITAOMAN, 1990, p. 27-31). E foi no Caatimbó, em sua riqueza ritualística, que o negro mais tarde, principalmente o povo Banto, faria seu sincretismo religioso (RIVAS, M., 2008). Surge então, o Candomblé de Caboclo. Oxalá representando Tupã, Yemanjá como Janaína, Ogum como Cariri, Oxosse como Sultão das Matas, Exu como Caipora, Babás e Eguns como Caboclos Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Pedra Negra, entre outros. (ITAOMAN, 1990, p. 30).
            Com a raiz negra (africana) se conheceu a escravidão na sua forma mais cruel, o mercantilismo hediondo.  As guerras tribais, a islamização, os interesses europeus e o silêncio vergonhoso da Igreja foram os responsáveis por esta mácula na história do povo brasileiro.
            E foi com Frobenius que se pode compreender o requinte, a complexidade e a grandeza da religiosidade iorubana, podendo ser comparada à religiosidade grega. (FROBENIUS, 2007, p. 13).
            Iorubás, Jejes, Haussás, Minas, Cambindas, Angolas, Sudaneses e Bantos, todos chegaram ao Brasil por meio da escravidão. E foi em terras brasileiras que essas etnias, envolvidas há tanto tempo em guerras e disputas tribais, agora equiparadas pela escravidão que a todos tornava iguais, encontraram o silêncio e a reflexão. Diante da necessidade de sobreviverem e preservarem sua cultura, fé e tradição, tornaram-se irmãos novamente.
            Sincretizaram-se com o Catolicismo e com a Pajelança/Caatimbó. Mantiveram o conceito de Deus Supremo (Olorum), eterno masculino (Obatalá), eterno feminino (Oduduá), conceito de dinamizador da existência (Exu), forças vitais (Iwá-Aché-Abá), mediador (Orixá), universos paralelos (Aiyé e Orum), destino (Odu), Ancestrais (Egun-Agbá), sociedades secretas (Egungun e Geledé), Iniciação e Pais Babalawos. (ITAOMAN, 1990, p. 39-40).
            A raiz branca veio representada pelos Indo-europeus (arianos) e pelos Judaico-cristãos (Heleno-semítico).
Foram os ingleses que trouxeram a cultura ariana, Brahmânica e Budista.  Trouxeram conceitos como reencarnação, karma, prana, chakras,  kundalini, tantra.  A Teosofia (Blavatsky, Besant, Neels) influenciou definitivamente o Kardecismo.
A bacia do mediterrâneo foi influenciada pela cultura e religiosidade do Egito, matemática, geometria, medicina, alquimia, astrologia, gnose. Gregos, persas, árabes, judeus, todos foram povos que trouxeram para a Europa o conhecimento iniciáticos dos templos do Vale do Nilo.  Heranças como Cabala, Alquimia e conceitos essênios causaram abalos profundos na formação do povo brasileiro.
E como se deu a formação dos símbolos e mitos que nortearam a formação do inconsciente coletivo?
No vazio, a substância escura aglutina-se em um infinito ponto, em um instante-tempo o processo pára, a energia concentrada naquele ponto emerge em uma grande explosão – o Big Bang.  O Um se transforma em Três, Luz – Som – Movimento. Irrompe a vida, o vazio está agora limitado, surge o espaço, a forma, o Sagrado torna-se plural.
O som, o conhecimento e o reconhecimento da natureza, instauram a manifestação da vida, a criação do nome, os gestos que recuperam a origem, fruto da experiência do homem com a natureza que o cerca.  Mircea Eliade define esta experiência de hierofania como algo de sagrado que se nos revela. (ELIADE, 2001, p. 14-5)., afirma que os mitos, enquanto uma expressão do sagrado, narram uma história, que remete àquilo que os deuses, os seres divinos fizeram no começo dos tempos. Assim, os mitos são narrativas que resgatam o início da existência de todas as coisas, isto é, revelam como tudo passou a existir. (ELIADE, 2001, p. 82-5).
Para Mielietinski, certas estruturas das imagens primordiais da fantasia coletiva e categorias do pensamento simbólico que organizam as representações originadas de fora são os elementos estruturais da psique inconsciente. (MIELIENTINSKI, 1987, p. 69).
Para Jung, os mitos conduzem às fontes originárias, presentes no inconsciente coletivo. E os arquétipos representam imagens, papéis a serem desempenhados, e também o processo de individualização, o consciente individual. (JUNG, 2008, p.17).
Surge assim o símbolo como modo de significar o “ente” ou “algo” enquanto finito. O símbolo está em lugar de algo. (SANTOS, 2007, p. 8). No pensamento junguiano, os símbolos constituíram a psique humana tanto coletiva como individualmente. (JUNG, 2002, p. 53).
Jung define inconsciente coletivo como algo que é herdado, consistindo de formas preexistentes, arquetípicos, que podem se tornar conscientes. (JUNG, 2002, p. 54). Fala também do inconsciente individual como sendo constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e, no entanto, desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos. (JUNG, 2002,  p. 54).
Na religião podemos ver os símbolos nos ritos e liturgias, através das palavras que determinam, nos gestos que atraem, e nos sinais que fixam. Podemos observá-los nas vestimentas, nos objetos, nas danças, nos cânticos e nos espaços destinados ao sagrado.
Alguns símbolos existem em todas as culturas e em todos os tempos.
A árvore, a montanha, a água (morte e renascimento), a terra, a mulher, a pedra, a lua, o sol, as aves, os animais, a cruz, o arco e a flecha, a cobra, o círculo, o quadrado, os triângulos, todos estão presentes em maior ou menor grau na cultura de todos os povos. 
Quais foram os símbolos mais utilizados por cada raça? Que símbolos trouxeram com elas ao chegarem ao Brasil? Como se deu esse sincretismo e o que resultou hoje na Umbanda?
E os pontos riscados? Como surgiram?
Os pontos riscados são sinais gráficos feitos no chão, paredes, ou tábuas de madeira, com um bastão de giz mineral (pemba). São riscados apenas por sacerdotes com finalidade magística ou para identificar e qualificar a entidade presente.
Embora a pemba tenha sido trazida pelos Yorubás, muito se perdeu dos sinais sagrados devido à islamização, visto que os altos sacerdotes de Ifé eram perseguidos e mortos, e alguns poucos sobreviventes, vendidos para o Brasil como escravos. O Islamismo, portanto, destruiu a cultura Yorubá.

Segundo Max Müller:
É inevitável, é uma necessidade inerente à linguagem, se reconhecemos nesta a forma externa do pensamento: a mitologia é, em suma, a obscura sombra que a linguagem projeta sobre o pensamento, e que não desaparecerá enquanto a linguagem e o pensamento não se superpuserem completamente: o que nunca será o caso. Indubitavelmente, a mitologia irrompe com maior força nos tempos mais antigos da história do pensamento humano, mas nunca desaparece por inteiro. Sem dúvida, temos hoje nossa mitologia, tal como nos tempos de Homero, com a diferença apenas de que atualmente não reparamos nela, porque vivemos à sua própria sombra e porque, nós todos, retrocedemos ante a luz meridiana da verdade. Mitologia, no mais elevado sentido da palavra, significa o poder que a linguagem exerce sobre o pensamento, e isto em todas as esferas possíveis da atividade espiritual. (MULLER, 1876)
            Ao chegar ao fim deste trabalho de conclusão de curso, deparei-me com as afirmações do eminente escritor acima citado e pude compreender a longa viagem que o povo brasileiro fez em busca de sua identidade espiritual, cultural, social e econômica.
Ficou claro que os processos sincréticos aos quais ele foi submetido configuraram em sua psique a atuação maciça de três raças matrizes, a vermelha, a negra e a branca. Este caldeamento racial culminou por meio do amalgamento destas culturas em um mestiço, o homo brasilienses. Neste momento, tínhamos um legítimo cidadão planetário.
Sua capacidade em suportar culturas diferentes fez dele um ser diferenciado.
Todo o povo brasileiro é naturalmente místico, em todos os rincões deste país sobejam às crendices e a fé no sobrenatural. Assim sendo, não acreditamos que a Umbanda tenha sido fundada em 1908, já que há relatos de fenômenos religiosos há mais de 500 anos por Padre Manoel da Nóbrega ao qual citamos no início deste trabalho. (PRIORE, 2004, pág. 52)
Estando inserido constantemente no mito, vive ele sempre em um momento atemporal. Sua maneira de ver ou conceber teorias passa sempre por processos intuitivos, valorizando o sujeito (essência), em detrimento do objeto (forma).
JUNG define a estrutura do Inconsciente Coletivo por algo que adquirimos por meio da hereditariedade, e o Inconsciente Individual por meio de arquétipos que estão esquecidos momentaneamente. (JUNG, 2002, pág. 53)
As Escolas Umbandistas ao utilizarem todos esses símbolos e sinais evocam esta herança, fazendo com que o indivíduo-adepto traga à tona os arquétipos esquecidos constituidores da Inconsciência Individual.
O povo brasileiro, que recebeu estas cargas de informação ancestral das raças matrizes acaba funcionando como um elemento de convergência, facilitando nele os processos de abstração espiritual e mística que o remete assim, à Síntese.
É por isso que podemos ver na diversidade da Umbanda, a única religião brasileira, uma amostragem fidedigna destas atuações sincréticas. O adepto desta corrente Filo-Religio-Científica utiliza os símbolos e sinais como ponte para o sobrenatural.
Ao traçar um sinal que denomina de Lei de Pemba estabelece um Espaço Sagrado que ora vai habitar, é neste momento que ao fazer o círculo, inserindo nele os símbolos arquetipais, aproxima o céu da terra, fazendo com que não exista mais o sujeito e o objeto e acaba assim imergindo no mundo Sagrado.
Eliade propõem que “o sagrado não é um momento histórico da consciência humana e sim um elemento estrutural desta mesma consciência. Logo, ao ler atentamente esses sinais, pudemos constatar que os mesmos possuem formas da construção cósmica (Cosmogênese). (ELIADE, 1978, Tomo I, vol. I pág. 13).
E sendo o homem o microcosmo dentro do macrocosmo, teria sido ele estruturalmente construído da mesma maneira (Antropogênese), pois vivenciou os processos minerais, vegetais e animais bastando ver a sua constituição psicofísica para saber que está impresso nela toda esta memória ancestral.
Observando o espaço veremos que em sua formação, existem constelações em formas de foices, espirais, machadinhas, flechas, animais, tal qual um dia os antigos observaram e nomearam estas mesmas constelações.
Veremos ainda, que esses mesmos sinais podem ser analisados e  situados dentro das inúmeras escolas umbandistas, notando que em algumas escolas os sinais obedecem a um momento histórico, demonstrando que estas ainda estão polarizadas em um aspecto sincrético de uma determinada raça. Veremos que umas utilizam símbolos e sinais judaicos – cristãos outras estão arraigadas nos cultos de nação, cultos indígenas e o espiritismo de Kardec.
Aguardamos o momento da Síntese...
Resumo do Trabalho de Conclusão de Curso de :Osvaldo Olavo Ortiz Solera - Ygbere

Referências Bibliográficas
BASTIDE, R. As Religiões Africanas no Brasil. São Paulo: Livraria e Editora Pioneira, 1960, 240 pág.
ELIADE, M. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2001, 191 pág.
ELIADE, M. História das Crenças e das Idéias Religiosa. Rio de janeiro: Zahar Editores, 1978, Tomo I, vol I, pág.13
Frobenius, L. A gênese Africana: contos, mitos e lendas da África. São Paulo: Landy Editora, 2007, pág 13.
GORDON, B; MEDEIROS, S. Popol Vuh. São Paulo: Ed. Iluminuras, 1997, 480 pág.
ITAOMAN, M. Pemba a Grafia Sagrada dos Orixás. 1ª Ed. Brasília: Thesaurus, 1990.  317 pág.
JUNG, C. G. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2ª Ed., 2008, 429 pág.
JUNG, C. G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Ed. Vozes, 2ª Edição, 2002, 447 pág.
KI-ZERBO, J. História da África Negra. Paris: Ed. Europa-américa, 1972. Vol.I, pág. 130.
KI-ZERBO, J. História da África Negra. Paris: Ed. Publicações Europa-américa, 1972. Vol.I, pág. 19-20.
KI-ZERBO, J. História da África Negra. Paris: Ed. Europa-américa, 1972. Vol.I, pág. 256-66.
PALLAS, A. 3333 Pontos Riscados e Cantados.  Rio de Janeiro: Ed. Pallas, 5ª Ed., 2008, vol I e II, 287 pág.
PRIORE, M. D. Religião e Religiosidade no Brasil Colonial. 5ª edição. São Paulo: Ed. Ática, 2004, pág. 52.
PRIORE, M. D. Ancestrais. 9ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2004, pág. 32-40.
RIVAS, F. R. Sacerdote, Mago e Médico – Cura e Autocura Umbandista. São Paulo: Ícone Editora, 2003, pág. 459.
RIVAS, F. R. Umbanda – O Arcano dos 7 Orixás. São Paulo: Ícone Editora, 1999, 247 pág.
RIVAS, M. E. O Mito de Origem – Uma Revisão do Ethos Umbandista no Discurso Histórico. 2008. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado na Faculdade de Teologia Umbandista, São Paulo.
SANTOS, G. A. Selvagens, Exóticos, Demoníacos. Idéias e Imagens de Gente de Cor. In: ESTUDOS AFRO-ASIÁTICOS, Ano 24, vol. 2, 2002, pág. 275-89.
SANTOS, G. S. Pontos Cantados e Riscados.  Rio de Janeiro: Ed. Orphanake, 5ª Ed., 2003, 164 pág.
SANTOS, M. F. Tratado de Simbólica. São Paulo: Ed. E.Realizações, 2007, 352 pág.
SILVA, W. W. M. Umbanda de Todos Nós. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos, S. A., 1969, 366 pág.




terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mais alfabetos...

Alfabeto Glozel...
Glozel é uma pequeníssima aldeia a sudeste de Vichy, na França. No dia 1º de março de 1924, o jovem de 17 anos Émile Fradin, juntamente com seu avô, lavrava uma área de pastagem quando um dos animais que puxava o arado atolou devido ao brusco afundamento do terreno. Ao liberar o animal, Fradin constatou a existência de uma construção, afundada no terreno. Escavando, encontrou pedras assentadas, tijolos, cacos de cerâmica, uma tábua coberta de curiosos sinais e alguns instrumentos de pedra.

Os achados começaram a ser analisados por um médico de Vichy e também arqueólogo amador, o Dr. Antonin Morlet, que em seu primeiro relatório afirmou que o achado não tinha qualquer ligação com os estabelecimentos romanos ou gauleses conhecidos. As escavações continuaram, e começaram a sair vasos de cerâmica, pedras com inscrições e diversos implementos de pedra e osso de rena. Dois anos após o primeiro achado, o número de objetos retirados era da ordem de dois mil, bem como ossos humanos, uma parte dos quais se apresentava fossilizada.
Mesmo assim, devido à política nada científica dos cientistas oficiais, o achado foi considerado uma fraude. O conservador chefe do Museu de Saint Germain, professor Salomon Reinach, de sólida reputação, escavou no local, e no tocante às inscrições afirmou aceitar a existência de uma escrita, bem como sua originalidade, sem qualquer ligação com as identificadas até então. Ao mesmo tempo, pesquisadores portugueses chegaram à conclusão de que também em seu país havia um sítio com material similar em Alvão (região de Trás-os-Montes), que foi localizado em 1894 (são as famosas “Pedras do Alvão”, atualmente em um museu daquela cidade e não abertas à visitação pública).

Fradin chegou a ser processado por falsificação em 1930, mas foi absolvido, por total falta de provas (era muito material para ser falsificado por um homem só, ignorante em arqueologia e sistemas de escrita). Com o início da Segunda Guerra Mundial e a morte do Dr. Morlet, o silêncio caiu sobre o assunto, para somente ser ressuscitado nos anos de 1970.

Émile Fradin, que se tornou um eminente arqueólogo, com muito esforço veio a formar um importante museu com o material recolhido em Glozel – ver o website oficial do museu - www.museedeglozel.com – , no qual encontram-se quase duas mil e quinhentas peças, entre cerâmicas, pedras trabalhadas e gravadas, ossos humanos e de animais, sendo que os ossos mostram uma tendência generalizada para a fossilização, o que pode indicar grande antigüidade.

Os ossos de animais apresentam-se com desenhos, similares ao do período pré-histórico denominado Magdalenense, pois mostram lobos, caçadores, renas, e diferem daqueles pelo fato de existirem alguns com sinais de escritura, do tipo denominado “glozeliano”. Isso não significa que o material seja do período Magdalenense, mas é um fato intrigante!

Depois de décadas, uma parte do material de Glozel terminou por ser autenticado. Assim, o Museu Nacional de Antigüidades da Escócia, a Comissão de Energia Atômica Dinamarquesa de Risö e o Centro Francês de Estudos Nucleares de Fontenay-aux-Roses, em exames paralelos de termoluminescência, concluíram que as peças eram autênticas, datadas de pelo menos 2500 anos (cerca de 500 a.C.). Posteriormente foram realizados testes de carbono-14 em diversos ossos com inscrições; obteve-se uma datação de pelo menos 8 mil anos, havendo inclusive algumas peças que atingiram 12 mil anos [tais peças foram descartadas depois, sendo consideradas como “contaminadas” por substâncias que interferiram na datação].

As ossadas humanas revelaram datas bem diferenciadas, sendo algumas contemporâneas dos ossos com inscrições, outras medievais e outras bem mais antigas, com até 18 mil anos.



Textos extraidos do blog de Paulo Stekel. 

domingo, 24 de outubro de 2010

Os diferentes alfabetos...

A Escrita Celestial:
A escrita Celestial é o alfabeto hebraico mais antigo, usado pelos hebreus antes do período de exílio na Babilônia, que ocorreu no séc. VI a.C. Voltando ao alfabeto, ele é formado por 22 consoantes e escrito da direita para a esquerda. Seu nome deriva da tradição de que seus caracteres foram vistos pelos antigos sacerdotes hebreus entre os astros do céu.


Alfabeto dos Magos:
O Alfabeto dos magos, ao contrário da escrita Celestial é uma variante mais moderna do hebraico quadrado. Também escrito de trás para frente, esse alfabeto foi muito utilizado em diversos grimoires, principalmente pelos alquimistas, que visavam assim manter ocultas suas fórmulas e anotaçoes dos olhos leigos, embora nao fosse muito utilizado em simbologia, muitas chaves (invocações) eram escritas utilizando-se do alfabeto dos magos na época.


Alfabeto Tebano:
Também chamado Alfabeto Theban, ou Alfabeto das Bruxas.
Foi muito popular e utilizado nas décadas de 1960 e 1970.
O Alfabeto Theban apareceu pela primeira vez em livros de Cornélio Agrippa, em 1521, mas acredita-se que seja ainda mais antigo...digo isso porque a ausencia das letras U/J/W nos mostra que tem origem latina, originado antes de séc. XI.
A origem de suas letras e símbolos é misteriosa.
Nunca chegou a ser um alfabeto utilizado com freqüência nos meios Ocultistas. Veio a ser  conhecido e utilizado novamente quando Gerald Gradner (o criador da tradição wiccan gardneriana) o reinventou...
 Por não ter ligação com o hebraico, não é escrito de trás para frente.


Alfabeto Hebraico:
O Alfabeto Hebraico, também chamado de Alfabeto Cabalístico é o alfabeto mais utilizado e conhecido nos meios Ocultistas, sendo que grande parte dos outros alfabetos místicos são criações dele.
O Alfabeto Hebraico foi desenvolvido a partir do sec. VI a.C
e sua criação é atribuída a Esdras.
Segundo a Cabala, as 22 letras do alfabeto hebraico, associadas as 10 Sephirots da Cabala formam a matéria-prima que Deus usou para criar o Universo, As Séfiras são representadas em uma árvore...
Cada uma dessas 22 letras representam um significado específico, e é atribuído um valor numérico a cada uma delas, e quando elas se juntam nas mais diversas combinações, seria o mesmo que estar montando uma equação numérica, dessa equação numérica de significados nasceram os conceitos, as idéias, a natureza e a própria História.  (Ex.: 666, número solar, 777, número associado a Deus).
Dele também se originou o Tarot, e esta intimamente ligado as Sephirots, a Alquimia, a quase todos símbolos místicos, operações magísticas, magia cerimonial e ocultismo em geral.
Também é escrito de trás para frente.


Alfabeto Enochiano:
O Alfabeto Enochiano representa a linguagem angélica que foi transmitida a Dee e Kelly, sendo tão poderosa que teve seus nomes anunciados de trás para frente, de modo a prevenir a conjuração acidental de algumas entidades. Acreditava-se que a simples pronúncia do nome destas entidades seria suficiente para conjurá-la, ou pelo menos algum aspecto seu. Cada letra do Alfabeto Enochiano apresenta sua correspondência planetária, elemental e nos Arcanos Maiores do Tarot,além de seu valor gemátrico. Para a utilização deste sistema mágico é imprescindível a correta pronúncia dos nomes e fórmulas.


Alfabeto Futhark (Runas)
Um dos antigos alfabetos místicos muito utilizado pelos nórdicos e que é, até hoje, utilizado como oráculo. A palavra Runa significa secreto, empregada para indicar um sonho misterioso, uma doutrina oculta ou um escrito hermético. Antes de aprender os caracteres romanos, os antepassados conheciam os signos chamados Glifos que compunham a escritaalfabética Futharka qual originou as runas. 



Alfabeto Ogham:
O Alfabeto Ogham (pronunciado ouam), também chamado de alfabeto Duídico sagrado, era o alfabeto utilizado pelos Celtas. Os Celtas acreditavam que muitas árvores eram habitadas por espíritos, por isso nomearam o nome de cada letra de seu alfabeto com um nome de uma árvore em específico. Os antigos Celtas usavam o alfabeto Ogham na realização da magia. Atiravam também paus divinatórios gravados com os símbolos do alfabeto Ogham. O Ogham era escrito da esquerda para a direita em manuscritos, e de baixo para cima em pedras. A linha central representa um tronco de árvore, e os traços representam os ramos.



Alfabeto Malaquim:
O Alfabeto Malaquim é um dos mais antigos alfabetos místicos existentes. Ele seria uma evolução do alfabeto celestial (citado acima). O Alfabeto Malaquim serviu de intermediário para a criação e origem do alfabeto cabalístico como o conhecemos hoje (o alfabeto hebraico) é também escrito da direita para esquerda. 


Alfabeto Maçônico / Rosa-Cruz:
Esse alfabeto é utilizado especificamente por algumas ordens maçônicas e rosa-crucianas. O Alfabeto maçônico foi freqüentemente usado no sec. 17, e até hoje muitos praticantes de Ordens Maçônicas o utilizam para se identificarem, ou em seus escritos. 


Alfabeto Aramaico:
O alfabeto Aramaico foi um alfabeto muito difundido na região 
da Mesopotania a partir do século VII a.C., sendo então adotado pelos persas.
Foi o dialeto que antecedeu o hebraico.Estudando o alfabeto aramaico, consegue-se conhecer a pronunciação dos nomes e dos sons das consoantes que formam o alfabeto hebraico.
Continuaremos nas próximas postagens...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As heranças Solares e  Lunares...



"Venho falando da Tradição e da Verdade , da qual eu testemunho e como se dirá ainda,  sem dúvida : O que é a Tradição ? o que é a Verdade? Quais provas podemos dar ? "
"A isso eu responderei ainda :  tais coisa não se inventam ; elas encontram-se lá onde elas mesmas estão e provam-se quando e como são necessárias ."

Cada grau dos sete primeiros ternários da história humana é comentado do princípio ao fim nos Livros Sagrados de todos os povos. Esses livros dividem-se em três, de acordo com a Matesis Divina, em três sínteses relativas ao duplo Universo e à dupla Humanidade: Invisível e Visível.
Apesar de suas aparentes divisões sob as bandeiras das várias religiões, das Universidades, das línguas e das legislações em que se divide a humanidade terrestre, os Vedas, os Kings, a Avesta, os Livros de Moisés, os Livros dos Profetas e até as mitologias asiáticas, européias e africanas não são nada mais nada menos que a expressão de sistemas individuais presididos pela anarquia. Não são filosóficos; não emanam do critério subjetivo, e demonstraremos que existe entre eles um laço de união que aponta uma origem comum neste mundo e um mesmo princípio revelador no plano espiritual. A mesma coisa podemos dizer dos sistemas científicos que acompanham essas obras, bem como os sistemas sociais que são a sua aplicação.
Todos os eruditos que tiveram a curiosidade de estudar-se uns aos outros chegaram às mesmas conclusões que as nossas, isto é, que esses desmembramentos estão tanto mais de acordo com as leis reais dos fatos universais quanto mais longe se remonta a sua antigüidade, até um ponto de partida, oculto mas translúcido, no qual se descortina a tríplice síntese primordial. E. pudemos verificar, com todo o rigor possível de um raciocínio mais exigente, que esta tríplice síntese primordial e sua Matesis são a religião cristã, aquela do Verbo Criador, antes de encarnar-se para a salvação dos homens. Além disso, o Evangelho nos diz isso com todas as letras e, depois dele, os apóstolos e seus discípulos que o pregam para todas as nações. Os sacerdotes da Igreja, saídos em sua maior parte das iniciações mediterrâneas e orientais, continuam a conquista cristã lembrando aos pagãos este fato incontestável.
É por essa razão que Jesus fala como Verbo Criador, Inspirador de toda a Revelação passada e futura, e como Verbo Encarnado antes de ascender novamente à glória de onde ele desceu, quando disse: "Eu sou a AMaTh", a verdade vivente de onde procede toda verdade.
AMaTh, com efeito, contém:
1º ThaMA, o milagre da vida, sua manifestação na existência universal;
2º AThMa, a existência infinita da Essência Absoluta, a Alma das Almas: ATh;
3º MaThA, Mata, a Razão Suprema de todas as razões verdadeiras, a incidência de todas as reflexões, a legislação de todas as leis, a eudoxia de todas as doutrinas.

Ao falar assim, o Senhor expressa, não só toda a Tradição Sagrada revelada por ele aos patriarcas, não apenas a Tora de Moisés que os resume, mas sua própria Tora direta, a do duplo Universo e da dupla Humanidade.
São João, registrou a antiga Matesis e os Princípios das três sínteses no começo de seu Evangelho. É impossível, lendo este livro e o Apocalipse, com um espírito ao mesmo tempo religioso e científico, não perceber que são do mesmo autor. Eles expressam os mesmos Mistérios, da mesma forma hierática, e em particular a AMaTh de que estamos tratando aqui.
"Eu vi um anjo ascender do Oriente com o Selo do Deus Vivo." Peço ao leitor guardar bem essas palavras do Apocalipse, VII, 2. Profetiza que a Matesis do AMaTh, inseparável em Jesus, porém aparentemente separada na humanidade religiosa, científica, universitária e social, será reconstituída entre o Oriente e o Ocidente. O eco de Daniel por meio de Esdras, relativo a certas tradições e as chaves dos Mistérios; o Talmud diz: "O Selo do Deus Vivo é AMaTh."
Os profetas, sabendo seu significado, poderiam reconhecer imediatamente o Messias a cada enunciado que este fizesse de Mistérios tão decisivos. Mas os profetas estavam todos mortos pelo estado mental e governamental da burguesia suplantadora, aquela da tribo de Judá.
Remontando o curso do tempo, examinemos as fontes universitárias em que os textos de Moisés foram reconstituídos em caracteres assírios vulgares e numa língua metade hebraica e metade caldéia. Daniel era nessa época o Grão-Mestre da Sagrada Escola dos Kashidim. As chaves dadas por ele abrem as portas de todos os Santuários da Tradição, como também de sua unidade e de sua universalidade pré-diluvianas e até pós-diluvianas por alguns séculos.
Entre essas chaves comuns direta ou indiretamente a todas as universidades patriarcais, temos que mencionar a Ca-Ba-LaH, da forma em que a definimos em nossas notas, com sua interpretação solar-lunar, lunar, horária, mensal, decânica, etc, de acordo com as línguas e sua sinalização sagrada. Essas chaves são científicas e tão claras quanto as profecias de Daniel, tão exatas como a época que ele indica para a encarnação dos Messias. Tudo isso, e muitas outras coisas, fazia parte da Matesis da AMaTh.
O mesmo Mistério nos conduz de sua segunda para a primeira transcrição, da Babilônia a Tebas, onde, sob o nome funcional de Oshar-Shiph, Moisés, como filho de um rei, foi epopte e depois chefe do Estado-Maior real comissionado como engenheiro militar para compor fortalezas e máquinas de guerra. Sua fama como sábio e como inventor passa dos egípcios aos romanos.
A universalidade tebana nos leva, voltando ao tempo, a outra que não foi sua mãe, mas sua irmã maior: Tirohita, uma vila erudita dos antigos brâmanes do Norte. Os sacerdotes tebanos e os da Etiópia, bem como os iniciados reais, iam terminar ali seus elevados estudos relativos ao Universo Invisível. Da mesma forma, os Kashidim da Babilônia iam aperfeiçoar seus estudos relativos ao Universo Visível, na sua Universidade de origem: Kashi (em sânscrito Caçi, hoje em dia Benares).
Detende-nos em Tirohita, e para observar a universidade e a universalidade cristãs, em um fato tão importante quanto a AMaTh, o Selo do Deus-Vivo; abrindo o Atharva-Veda: "O Selo do Deus-Vivo traz o Sol, porque sua Revelação ilumina o Universo." Assim, Nosso Senhor Jesus Cristo, nestas como em todas as suas palavras shemáticas, não fez mais que resumir a si mesmo, como Verbo Criador e Inspirador de sua religião eterna, una e universal.
O Atharva-Veda nos conduz a uma filiação antediluviana. E aí que voltamos a encontrar novamente a impressão do Selo da Matesis, seu Shema verbal e cosmológico solar no ARKA-METRA que reconstituímos baseados nos documentos antigos verificados pela ciência moderna. É o Arqueômetro dessa Palavra Primordial do Verbo que São João registra em seu Apocalipse. A leitura de um e do outro não deixa nenhuma dúvida de que essa impressão do Selo não teria sido revelada por seu Divino Mestre.
Assim, fomos conduzidos pelos Vedas ao Ciclo antediluviano, ao da tríplice síntese e de sua Matesis confirmada sobre o mesmo Selo: JeshU-Verbo e MeShIaH. Em nossas notas sobre a CaBaLaH, na primeira parte desta obra, lembramos que as litanias de nossa Igreja chamam o Senhor de: "Rei dos patriarcas". É um fato, e não uma forma de falar, e isso ocorre, com toda a tradição religiosa, desde seus textos teológicos até o Arqueômetro litúrgico, que os enquadra em todas as correspondências do duplo e do triplo Universo.


Em Vattan, a língua shemática do primeiro Ciclo, encontramos IShVa-Ra, JeShU, Rei dos Rishis. O sânscrito é articulado e procede do Vattan, de onde procede também o Veda, que diz IShOua e ISOua; porém, é necessário reintegrar as línguas sagradas sistematizadas cosmo-logicamente às 22 letras do Vattan que estão incluídas no Selo e em todas as suas correspondências arqueométricas. Aqui mencionaremos somente as correspondências dos números. A correspondência numérica do nome Divino é 316. Encontramos também o número 316 no nome do deus egípcio Osíris ou Oshl, Ri e Risch, Rei de Amenti, o Universo Visível. Em hebraico é ISnO, porém, antes deste, temos em etíope: ShOI. E sempre, qualquer que seja sua posição, o nome é verificado pelo seu número. Em sânscrito ISh significa o Senhor; Va, o movimento cíclico universal.
Depois do que precedeu, não podemos surpreender-nos em ver, dezessete séculos antes de nossa era, uma Iniciada no Ensino Superior da Tradição, a Infanta egípcia, dedicar a OSHI-RI uma pequena criança salva das águas, chamando-o de M'OSHI, que corresponde ao que nós chamamos: Menino de Jesus, Menino de Maria.
Voltaremos em outro momento para dar mais detalhes de todos esses pontos, mas agora queremos mostrar a seguir como, confirmando-se a AMaTh, Nosso Senhor Jesus Cristo afirmava ser o Verbo Criador, fundador do Cristianismo, religião eterna, confirmada por toda Tradição, tanto a antediluviana como a pós-diluviana.
A mentalidade européia dificilmente poderá entender tudo isso, dominada como está pela mentalidade dos pagãos greco-latinos, e apenas despertada da razão individual para a razão divina pelos recentes métodos científicos. Veremos isso mais adiante, voltando aquelas a levantar o Éter dos antigos, seu sistema ondulatório e o meio intermediário da transmissão dos Poderes divinos: ALHIM, das forças físicas: SheMaIM, para as vibrações musicais dos números.

(Textos extraídos do Arquêometro de Saint Yves...)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Tradição e os alfabetos perdidos...



 “Os ancestrais tomaram realmente como uma chave geral de
adaptação o céu e sua constituição. De forma que, embora todos
os arquivos terrestres viessem a desaparecer, era sempre possível reconstruí-los com o
 instrumento que formava a base de todas as 
artes e de todas as ciências do céu.
É por isso que o conhecimento da antiga astrologia
é indispensável aos verdadeiros pesquisadores,
como também ao historiador digno desse nome.
O céu foi dividido pelos ancestrais em doze grandes divisões,
cada uma delas correspondia a um astro: estes, por sua vez,
tinham domicílios positivos ou negativos,
quer dizer, diurnos e noturnos, em cada uma dessas casas.
Se lembrarmos, na antiga astrologia, cada signo do Zodíaco tinha uma letra,
a mesma coisa para cada planeta, de tal forma que o céu era constituído
por um verdadeiro alfabeto em movimento, no qual as letras planetárias
se apresentavam em frente a cada uma das letras fixas zodiacais;
eles inscreveram no céu nomes que encontraremos novamente
em todas as grandes religiões: Ishva-ra ou Jesus Rei, Mariah ou Mayah,
Maha-maia ou a Virgem das grandes águas celestes;
possuem seus nomes inscritos com letras de fogo no
céu desde a constituição dos primeiros elementos terrestres.”.
 O Arqueômetro (pág.196)

     Dentre os conhecimentos correlacionados com a arqueometria temos a sonometria, estudo dos sons; aritmologia, estudo dos números e morfologia, estudo da formação das palavras.
     Saint Yves d'Alveydre classificou os alfabetos de acordo com o número de letras, chamando os alfabetos de 36 letras de decânicos, os de 30 letras alfabetos mensais, os de 28 letras os alfabetos lunares, os de 24 letras alfabetos horários zodiacais e os de 22 letras alfabetos zodíacos-solares.
     Percebe-se que os alfabetos foram formados numa relação direta com a formação dos calendários pelas religiões dos povos que os criaram e que por sua vez foram baseados na observação astrológica.
     O Arqueômetro baseia-se no alfabeto zodiacal-solar de 22 letras, sendo representado pelos alfabetos siríaco, assírio, samaritano e caldeu, todos derivados ou relacionados aos alfabetos hebraicos, árabes, sânscrito e Wattan, este último considerado o alfabeto morfológico dos primeiros patriarcas, protótipo das letras védicas e sânscritas.
     Saint Yves coloca, nas páginas do arqueômetro, que a partir do renascimento, a filosofia que dava a síntese de várias ciências foi rejeitada, e assim separou-se a química da alquimia, a física da magia, a teologia da teurgia, os números e a matemática oculta, e principalmente a astronomia da astrologia, nesse particular ele cita textualmente:

 “A astrologia povoa o céu dos seres vivos e das forças inteligentes, enquanto a astronomia nos mostra acima de nossas cabeças um imenso cemitério de massas inertes e de forças cegas. Aguardando a união oficial das duas ciências, a séria astronomia e a oculta astrologia, indicaremos os elementos indispensáveis para compreender os livros dos antigos e dos modernos astrólogos. É necessário estudar três ordens de objetos: 1º.) Os planetas; 2º.) Os signos do Zodíaco e sua lista das casas planetárias; 3º.) As relações desses astros e desses signos com a vida e o destino dos entes que vivem sobre os planetas.”.  Arqueometro (p.248)

Saint Yves vai mais além e coloca que além da separação entre astronomia e astrologia, a síntese dessas duas era a astrosofia, que se tornou praticamente desconhecida.
O Arqueômetro é um aparelho constituído por dois discos fixos e dois movediços, com redução de seus diâmetros, para permitir a leitura dos elementos de que se compõem os inferiores, de modo que, desenhado um triângulo eqüilátero em cada um, os quatro passarão a formar uma estrela de 12 pontas.
Em cada uma das pontas dessa estrela de doze, há uma letra do alfabeto de 22 letras usado por todos os templos da Antigüidade, correspondem às 12 consoantes e às 12 constelações do Zodíaco, aí, também, inscritas em suas verdadeiras posições astronômicas.
Um dos círculos concêntricos é composto de seis pontas, e a cada uma corresponde uma letra das sete vogais em uso naquela época, bem como as sete notas musicais, as sete cores do espectro solar e os sete planetas. Mas, como as pontas são somente seis, vemos que a vogal A vai ocupar o centro, como diâmetro da circunferência, pois ela é, como já dissemos, sua figura geométrica ou morfológica na língua adâmica, como veremos mais adiante, ligando assim as seis cores homólogas ao centro, em que é reconstituído o raio branco em sua extrema pureza, contrariamente aos sistemas de Newton e de Chevreuil, em que ele é cinzento. A nota Mi, de uma importância capital, bem como o Sol, à roda do qual giram os seis planetas, também ocupa o centro.
Fazendo-se girar esse aparelho, assiste-se a um curioso fenômeno de vibrações ondulatórias do éter, em que a cor amarela, a única fotogênica, sobrepuja as outras mais vivas na aparência, pela coloração do ambiente. Também na mesma biblioteca pode ser visto esse aparelho.
Mas, para não complicar essa descrição, deixaremos de falar de suas funções.
Para nossa tese, precisamos unicamente utilizar o hexágono produzido pelos dois triângulos eqüilaterais, colocando-lhes exteriormente as letras que lhes pertencem e algumas interiormente em seus verdadeiros lugares matemáticos, para o caso a respeito do qual, também, teremos de nos ocupar.
Essas letras, representadas no Arqueômetro, em Wattan ou Adâmico, sânscrito, aramaico, sírio, hebraico, chinês, etc., tomam sons diversos no sânscrito, segundo as regras eufônicas do Ramayana , conforme a direção de sua leitura, da direita para a esquerda ou vice-versa, e o O tanto se pronuncia O como U ou V. O mesmo dá-se com a letra Y que tem som de I ou J.







Na Biblioteca de obras raras da Federação Espírita em Brasilia, acha-se um quadro arqueométrico onde pude ver pessoalmente o alfabeto templário das línguas orientais, até o do primitivo chinês, trigrama de Fo-hi, distribuído de acordo com seus valores, identificando-se mutuamente em sua morfologia universal.
"As letras colocadas sobre o Arqueômetro não obedeceram absolutamente à vontade humana, nem são o resultado de nenhuma combinação fantasiosa, o que afastaria, ipso facto, seu caráter científico na mais rigorosa acepção do termo. Elas ali se colocam autologicamente, obedecendo unicamente a uma lei divina, à Lei do Verbo, representando as 
forças fenomenais do Cosmos, e são falantes por sua própria natureza morfológica"
Aristides Leterre - Jesus e sua doutrina -1936

Não é em vão que a tradição se conservou sobre o valor cabalístico de certas palavras, empregadas ainda hoje por ocultistas, feiticeiros e até pelo próprio Catolicismo e seus exorcismos.
Para ser provado, seria preciso que reproduzíssemos aqui o primeiro alfabeto da humanidade, o Wattan, outrora chamado Adâmico, ainda conservado pelos Brahmanes.
A cada letra, no Arqueômetro, corresponde um Número. Esses Números, que constituem um capítulo especial da Bíblia, incompreensível a quem o lê sem possuir a chave, pertencem a uma matemática quantitativa e qualitativa.
Quantitativa pelo seu valor numérico e equivalente às vibrações sonoras e cromométricas dos gabinetes da física, e qualitativa pela correspondência verbal que possuem com as forças fenomenais do Universo sideral, com sua Logia, legislada, isto é, com o Verbo Criador, porque é bom dizer que a palavra humana não é a conseqüência do esforço dos primitivos seres racionais, como alguns antropologistas querem, mas, sim, uma incidência refletiva da Divina Palavra, dada ao homem para diferenciá-lo do resto da animalidade e poder glorificar seu Criador, que é o próprio Verbo.
...continua na próxima postagem.