domingo, 24 de outubro de 2010

Os diferentes alfabetos...

A Escrita Celestial:
A escrita Celestial é o alfabeto hebraico mais antigo, usado pelos hebreus antes do período de exílio na Babilônia, que ocorreu no séc. VI a.C. Voltando ao alfabeto, ele é formado por 22 consoantes e escrito da direita para a esquerda. Seu nome deriva da tradição de que seus caracteres foram vistos pelos antigos sacerdotes hebreus entre os astros do céu.


Alfabeto dos Magos:
O Alfabeto dos magos, ao contrário da escrita Celestial é uma variante mais moderna do hebraico quadrado. Também escrito de trás para frente, esse alfabeto foi muito utilizado em diversos grimoires, principalmente pelos alquimistas, que visavam assim manter ocultas suas fórmulas e anotaçoes dos olhos leigos, embora nao fosse muito utilizado em simbologia, muitas chaves (invocações) eram escritas utilizando-se do alfabeto dos magos na época.


Alfabeto Tebano:
Também chamado Alfabeto Theban, ou Alfabeto das Bruxas.
Foi muito popular e utilizado nas décadas de 1960 e 1970.
O Alfabeto Theban apareceu pela primeira vez em livros de Cornélio Agrippa, em 1521, mas acredita-se que seja ainda mais antigo...digo isso porque a ausencia das letras U/J/W nos mostra que tem origem latina, originado antes de séc. XI.
A origem de suas letras e símbolos é misteriosa.
Nunca chegou a ser um alfabeto utilizado com freqüência nos meios Ocultistas. Veio a ser  conhecido e utilizado novamente quando Gerald Gradner (o criador da tradição wiccan gardneriana) o reinventou...
 Por não ter ligação com o hebraico, não é escrito de trás para frente.


Alfabeto Hebraico:
O Alfabeto Hebraico, também chamado de Alfabeto Cabalístico é o alfabeto mais utilizado e conhecido nos meios Ocultistas, sendo que grande parte dos outros alfabetos místicos são criações dele.
O Alfabeto Hebraico foi desenvolvido a partir do sec. VI a.C
e sua criação é atribuída a Esdras.
Segundo a Cabala, as 22 letras do alfabeto hebraico, associadas as 10 Sephirots da Cabala formam a matéria-prima que Deus usou para criar o Universo, As Séfiras são representadas em uma árvore...
Cada uma dessas 22 letras representam um significado específico, e é atribuído um valor numérico a cada uma delas, e quando elas se juntam nas mais diversas combinações, seria o mesmo que estar montando uma equação numérica, dessa equação numérica de significados nasceram os conceitos, as idéias, a natureza e a própria História.  (Ex.: 666, número solar, 777, número associado a Deus).
Dele também se originou o Tarot, e esta intimamente ligado as Sephirots, a Alquimia, a quase todos símbolos místicos, operações magísticas, magia cerimonial e ocultismo em geral.
Também é escrito de trás para frente.


Alfabeto Enochiano:
O Alfabeto Enochiano representa a linguagem angélica que foi transmitida a Dee e Kelly, sendo tão poderosa que teve seus nomes anunciados de trás para frente, de modo a prevenir a conjuração acidental de algumas entidades. Acreditava-se que a simples pronúncia do nome destas entidades seria suficiente para conjurá-la, ou pelo menos algum aspecto seu. Cada letra do Alfabeto Enochiano apresenta sua correspondência planetária, elemental e nos Arcanos Maiores do Tarot,além de seu valor gemátrico. Para a utilização deste sistema mágico é imprescindível a correta pronúncia dos nomes e fórmulas.


Alfabeto Futhark (Runas)
Um dos antigos alfabetos místicos muito utilizado pelos nórdicos e que é, até hoje, utilizado como oráculo. A palavra Runa significa secreto, empregada para indicar um sonho misterioso, uma doutrina oculta ou um escrito hermético. Antes de aprender os caracteres romanos, os antepassados conheciam os signos chamados Glifos que compunham a escritaalfabética Futharka qual originou as runas. 



Alfabeto Ogham:
O Alfabeto Ogham (pronunciado ouam), também chamado de alfabeto Duídico sagrado, era o alfabeto utilizado pelos Celtas. Os Celtas acreditavam que muitas árvores eram habitadas por espíritos, por isso nomearam o nome de cada letra de seu alfabeto com um nome de uma árvore em específico. Os antigos Celtas usavam o alfabeto Ogham na realização da magia. Atiravam também paus divinatórios gravados com os símbolos do alfabeto Ogham. O Ogham era escrito da esquerda para a direita em manuscritos, e de baixo para cima em pedras. A linha central representa um tronco de árvore, e os traços representam os ramos.



Alfabeto Malaquim:
O Alfabeto Malaquim é um dos mais antigos alfabetos místicos existentes. Ele seria uma evolução do alfabeto celestial (citado acima). O Alfabeto Malaquim serviu de intermediário para a criação e origem do alfabeto cabalístico como o conhecemos hoje (o alfabeto hebraico) é também escrito da direita para esquerda. 


Alfabeto Maçônico / Rosa-Cruz:
Esse alfabeto é utilizado especificamente por algumas ordens maçônicas e rosa-crucianas. O Alfabeto maçônico foi freqüentemente usado no sec. 17, e até hoje muitos praticantes de Ordens Maçônicas o utilizam para se identificarem, ou em seus escritos. 


Alfabeto Aramaico:
O alfabeto Aramaico foi um alfabeto muito difundido na região 
da Mesopotania a partir do século VII a.C., sendo então adotado pelos persas.
Foi o dialeto que antecedeu o hebraico.Estudando o alfabeto aramaico, consegue-se conhecer a pronunciação dos nomes e dos sons das consoantes que formam o alfabeto hebraico.
Continuaremos nas próximas postagens...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As heranças Solares e  Lunares...



"Venho falando da Tradição e da Verdade , da qual eu testemunho e como se dirá ainda,  sem dúvida : O que é a Tradição ? o que é a Verdade? Quais provas podemos dar ? "
"A isso eu responderei ainda :  tais coisa não se inventam ; elas encontram-se lá onde elas mesmas estão e provam-se quando e como são necessárias ."

Cada grau dos sete primeiros ternários da história humana é comentado do princípio ao fim nos Livros Sagrados de todos os povos. Esses livros dividem-se em três, de acordo com a Matesis Divina, em três sínteses relativas ao duplo Universo e à dupla Humanidade: Invisível e Visível.
Apesar de suas aparentes divisões sob as bandeiras das várias religiões, das Universidades, das línguas e das legislações em que se divide a humanidade terrestre, os Vedas, os Kings, a Avesta, os Livros de Moisés, os Livros dos Profetas e até as mitologias asiáticas, européias e africanas não são nada mais nada menos que a expressão de sistemas individuais presididos pela anarquia. Não são filosóficos; não emanam do critério subjetivo, e demonstraremos que existe entre eles um laço de união que aponta uma origem comum neste mundo e um mesmo princípio revelador no plano espiritual. A mesma coisa podemos dizer dos sistemas científicos que acompanham essas obras, bem como os sistemas sociais que são a sua aplicação.
Todos os eruditos que tiveram a curiosidade de estudar-se uns aos outros chegaram às mesmas conclusões que as nossas, isto é, que esses desmembramentos estão tanto mais de acordo com as leis reais dos fatos universais quanto mais longe se remonta a sua antigüidade, até um ponto de partida, oculto mas translúcido, no qual se descortina a tríplice síntese primordial. E. pudemos verificar, com todo o rigor possível de um raciocínio mais exigente, que esta tríplice síntese primordial e sua Matesis são a religião cristã, aquela do Verbo Criador, antes de encarnar-se para a salvação dos homens. Além disso, o Evangelho nos diz isso com todas as letras e, depois dele, os apóstolos e seus discípulos que o pregam para todas as nações. Os sacerdotes da Igreja, saídos em sua maior parte das iniciações mediterrâneas e orientais, continuam a conquista cristã lembrando aos pagãos este fato incontestável.
É por essa razão que Jesus fala como Verbo Criador, Inspirador de toda a Revelação passada e futura, e como Verbo Encarnado antes de ascender novamente à glória de onde ele desceu, quando disse: "Eu sou a AMaTh", a verdade vivente de onde procede toda verdade.
AMaTh, com efeito, contém:
1º ThaMA, o milagre da vida, sua manifestação na existência universal;
2º AThMa, a existência infinita da Essência Absoluta, a Alma das Almas: ATh;
3º MaThA, Mata, a Razão Suprema de todas as razões verdadeiras, a incidência de todas as reflexões, a legislação de todas as leis, a eudoxia de todas as doutrinas.

Ao falar assim, o Senhor expressa, não só toda a Tradição Sagrada revelada por ele aos patriarcas, não apenas a Tora de Moisés que os resume, mas sua própria Tora direta, a do duplo Universo e da dupla Humanidade.
São João, registrou a antiga Matesis e os Princípios das três sínteses no começo de seu Evangelho. É impossível, lendo este livro e o Apocalipse, com um espírito ao mesmo tempo religioso e científico, não perceber que são do mesmo autor. Eles expressam os mesmos Mistérios, da mesma forma hierática, e em particular a AMaTh de que estamos tratando aqui.
"Eu vi um anjo ascender do Oriente com o Selo do Deus Vivo." Peço ao leitor guardar bem essas palavras do Apocalipse, VII, 2. Profetiza que a Matesis do AMaTh, inseparável em Jesus, porém aparentemente separada na humanidade religiosa, científica, universitária e social, será reconstituída entre o Oriente e o Ocidente. O eco de Daniel por meio de Esdras, relativo a certas tradições e as chaves dos Mistérios; o Talmud diz: "O Selo do Deus Vivo é AMaTh."
Os profetas, sabendo seu significado, poderiam reconhecer imediatamente o Messias a cada enunciado que este fizesse de Mistérios tão decisivos. Mas os profetas estavam todos mortos pelo estado mental e governamental da burguesia suplantadora, aquela da tribo de Judá.
Remontando o curso do tempo, examinemos as fontes universitárias em que os textos de Moisés foram reconstituídos em caracteres assírios vulgares e numa língua metade hebraica e metade caldéia. Daniel era nessa época o Grão-Mestre da Sagrada Escola dos Kashidim. As chaves dadas por ele abrem as portas de todos os Santuários da Tradição, como também de sua unidade e de sua universalidade pré-diluvianas e até pós-diluvianas por alguns séculos.
Entre essas chaves comuns direta ou indiretamente a todas as universidades patriarcais, temos que mencionar a Ca-Ba-LaH, da forma em que a definimos em nossas notas, com sua interpretação solar-lunar, lunar, horária, mensal, decânica, etc, de acordo com as línguas e sua sinalização sagrada. Essas chaves são científicas e tão claras quanto as profecias de Daniel, tão exatas como a época que ele indica para a encarnação dos Messias. Tudo isso, e muitas outras coisas, fazia parte da Matesis da AMaTh.
O mesmo Mistério nos conduz de sua segunda para a primeira transcrição, da Babilônia a Tebas, onde, sob o nome funcional de Oshar-Shiph, Moisés, como filho de um rei, foi epopte e depois chefe do Estado-Maior real comissionado como engenheiro militar para compor fortalezas e máquinas de guerra. Sua fama como sábio e como inventor passa dos egípcios aos romanos.
A universalidade tebana nos leva, voltando ao tempo, a outra que não foi sua mãe, mas sua irmã maior: Tirohita, uma vila erudita dos antigos brâmanes do Norte. Os sacerdotes tebanos e os da Etiópia, bem como os iniciados reais, iam terminar ali seus elevados estudos relativos ao Universo Invisível. Da mesma forma, os Kashidim da Babilônia iam aperfeiçoar seus estudos relativos ao Universo Visível, na sua Universidade de origem: Kashi (em sânscrito Caçi, hoje em dia Benares).
Detende-nos em Tirohita, e para observar a universidade e a universalidade cristãs, em um fato tão importante quanto a AMaTh, o Selo do Deus-Vivo; abrindo o Atharva-Veda: "O Selo do Deus-Vivo traz o Sol, porque sua Revelação ilumina o Universo." Assim, Nosso Senhor Jesus Cristo, nestas como em todas as suas palavras shemáticas, não fez mais que resumir a si mesmo, como Verbo Criador e Inspirador de sua religião eterna, una e universal.
O Atharva-Veda nos conduz a uma filiação antediluviana. E aí que voltamos a encontrar novamente a impressão do Selo da Matesis, seu Shema verbal e cosmológico solar no ARKA-METRA que reconstituímos baseados nos documentos antigos verificados pela ciência moderna. É o Arqueômetro dessa Palavra Primordial do Verbo que São João registra em seu Apocalipse. A leitura de um e do outro não deixa nenhuma dúvida de que essa impressão do Selo não teria sido revelada por seu Divino Mestre.
Assim, fomos conduzidos pelos Vedas ao Ciclo antediluviano, ao da tríplice síntese e de sua Matesis confirmada sobre o mesmo Selo: JeshU-Verbo e MeShIaH. Em nossas notas sobre a CaBaLaH, na primeira parte desta obra, lembramos que as litanias de nossa Igreja chamam o Senhor de: "Rei dos patriarcas". É um fato, e não uma forma de falar, e isso ocorre, com toda a tradição religiosa, desde seus textos teológicos até o Arqueômetro litúrgico, que os enquadra em todas as correspondências do duplo e do triplo Universo.


Em Vattan, a língua shemática do primeiro Ciclo, encontramos IShVa-Ra, JeShU, Rei dos Rishis. O sânscrito é articulado e procede do Vattan, de onde procede também o Veda, que diz IShOua e ISOua; porém, é necessário reintegrar as línguas sagradas sistematizadas cosmo-logicamente às 22 letras do Vattan que estão incluídas no Selo e em todas as suas correspondências arqueométricas. Aqui mencionaremos somente as correspondências dos números. A correspondência numérica do nome Divino é 316. Encontramos também o número 316 no nome do deus egípcio Osíris ou Oshl, Ri e Risch, Rei de Amenti, o Universo Visível. Em hebraico é ISnO, porém, antes deste, temos em etíope: ShOI. E sempre, qualquer que seja sua posição, o nome é verificado pelo seu número. Em sânscrito ISh significa o Senhor; Va, o movimento cíclico universal.
Depois do que precedeu, não podemos surpreender-nos em ver, dezessete séculos antes de nossa era, uma Iniciada no Ensino Superior da Tradição, a Infanta egípcia, dedicar a OSHI-RI uma pequena criança salva das águas, chamando-o de M'OSHI, que corresponde ao que nós chamamos: Menino de Jesus, Menino de Maria.
Voltaremos em outro momento para dar mais detalhes de todos esses pontos, mas agora queremos mostrar a seguir como, confirmando-se a AMaTh, Nosso Senhor Jesus Cristo afirmava ser o Verbo Criador, fundador do Cristianismo, religião eterna, confirmada por toda Tradição, tanto a antediluviana como a pós-diluviana.
A mentalidade européia dificilmente poderá entender tudo isso, dominada como está pela mentalidade dos pagãos greco-latinos, e apenas despertada da razão individual para a razão divina pelos recentes métodos científicos. Veremos isso mais adiante, voltando aquelas a levantar o Éter dos antigos, seu sistema ondulatório e o meio intermediário da transmissão dos Poderes divinos: ALHIM, das forças físicas: SheMaIM, para as vibrações musicais dos números.

(Textos extraídos do Arquêometro de Saint Yves...)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Tradição e os alfabetos perdidos...



 “Os ancestrais tomaram realmente como uma chave geral de
adaptação o céu e sua constituição. De forma que, embora todos
os arquivos terrestres viessem a desaparecer, era sempre possível reconstruí-los com o
 instrumento que formava a base de todas as 
artes e de todas as ciências do céu.
É por isso que o conhecimento da antiga astrologia
é indispensável aos verdadeiros pesquisadores,
como também ao historiador digno desse nome.
O céu foi dividido pelos ancestrais em doze grandes divisões,
cada uma delas correspondia a um astro: estes, por sua vez,
tinham domicílios positivos ou negativos,
quer dizer, diurnos e noturnos, em cada uma dessas casas.
Se lembrarmos, na antiga astrologia, cada signo do Zodíaco tinha uma letra,
a mesma coisa para cada planeta, de tal forma que o céu era constituído
por um verdadeiro alfabeto em movimento, no qual as letras planetárias
se apresentavam em frente a cada uma das letras fixas zodiacais;
eles inscreveram no céu nomes que encontraremos novamente
em todas as grandes religiões: Ishva-ra ou Jesus Rei, Mariah ou Mayah,
Maha-maia ou a Virgem das grandes águas celestes;
possuem seus nomes inscritos com letras de fogo no
céu desde a constituição dos primeiros elementos terrestres.”.
 O Arqueômetro (pág.196)

     Dentre os conhecimentos correlacionados com a arqueometria temos a sonometria, estudo dos sons; aritmologia, estudo dos números e morfologia, estudo da formação das palavras.
     Saint Yves d'Alveydre classificou os alfabetos de acordo com o número de letras, chamando os alfabetos de 36 letras de decânicos, os de 30 letras alfabetos mensais, os de 28 letras os alfabetos lunares, os de 24 letras alfabetos horários zodiacais e os de 22 letras alfabetos zodíacos-solares.
     Percebe-se que os alfabetos foram formados numa relação direta com a formação dos calendários pelas religiões dos povos que os criaram e que por sua vez foram baseados na observação astrológica.
     O Arqueômetro baseia-se no alfabeto zodiacal-solar de 22 letras, sendo representado pelos alfabetos siríaco, assírio, samaritano e caldeu, todos derivados ou relacionados aos alfabetos hebraicos, árabes, sânscrito e Wattan, este último considerado o alfabeto morfológico dos primeiros patriarcas, protótipo das letras védicas e sânscritas.
     Saint Yves coloca, nas páginas do arqueômetro, que a partir do renascimento, a filosofia que dava a síntese de várias ciências foi rejeitada, e assim separou-se a química da alquimia, a física da magia, a teologia da teurgia, os números e a matemática oculta, e principalmente a astronomia da astrologia, nesse particular ele cita textualmente:

 “A astrologia povoa o céu dos seres vivos e das forças inteligentes, enquanto a astronomia nos mostra acima de nossas cabeças um imenso cemitério de massas inertes e de forças cegas. Aguardando a união oficial das duas ciências, a séria astronomia e a oculta astrologia, indicaremos os elementos indispensáveis para compreender os livros dos antigos e dos modernos astrólogos. É necessário estudar três ordens de objetos: 1º.) Os planetas; 2º.) Os signos do Zodíaco e sua lista das casas planetárias; 3º.) As relações desses astros e desses signos com a vida e o destino dos entes que vivem sobre os planetas.”.  Arqueometro (p.248)

Saint Yves vai mais além e coloca que além da separação entre astronomia e astrologia, a síntese dessas duas era a astrosofia, que se tornou praticamente desconhecida.
O Arqueômetro é um aparelho constituído por dois discos fixos e dois movediços, com redução de seus diâmetros, para permitir a leitura dos elementos de que se compõem os inferiores, de modo que, desenhado um triângulo eqüilátero em cada um, os quatro passarão a formar uma estrela de 12 pontas.
Em cada uma das pontas dessa estrela de doze, há uma letra do alfabeto de 22 letras usado por todos os templos da Antigüidade, correspondem às 12 consoantes e às 12 constelações do Zodíaco, aí, também, inscritas em suas verdadeiras posições astronômicas.
Um dos círculos concêntricos é composto de seis pontas, e a cada uma corresponde uma letra das sete vogais em uso naquela época, bem como as sete notas musicais, as sete cores do espectro solar e os sete planetas. Mas, como as pontas são somente seis, vemos que a vogal A vai ocupar o centro, como diâmetro da circunferência, pois ela é, como já dissemos, sua figura geométrica ou morfológica na língua adâmica, como veremos mais adiante, ligando assim as seis cores homólogas ao centro, em que é reconstituído o raio branco em sua extrema pureza, contrariamente aos sistemas de Newton e de Chevreuil, em que ele é cinzento. A nota Mi, de uma importância capital, bem como o Sol, à roda do qual giram os seis planetas, também ocupa o centro.
Fazendo-se girar esse aparelho, assiste-se a um curioso fenômeno de vibrações ondulatórias do éter, em que a cor amarela, a única fotogênica, sobrepuja as outras mais vivas na aparência, pela coloração do ambiente. Também na mesma biblioteca pode ser visto esse aparelho.
Mas, para não complicar essa descrição, deixaremos de falar de suas funções.
Para nossa tese, precisamos unicamente utilizar o hexágono produzido pelos dois triângulos eqüilaterais, colocando-lhes exteriormente as letras que lhes pertencem e algumas interiormente em seus verdadeiros lugares matemáticos, para o caso a respeito do qual, também, teremos de nos ocupar.
Essas letras, representadas no Arqueômetro, em Wattan ou Adâmico, sânscrito, aramaico, sírio, hebraico, chinês, etc., tomam sons diversos no sânscrito, segundo as regras eufônicas do Ramayana , conforme a direção de sua leitura, da direita para a esquerda ou vice-versa, e o O tanto se pronuncia O como U ou V. O mesmo dá-se com a letra Y que tem som de I ou J.







Na Biblioteca de obras raras da Federação Espírita em Brasilia, acha-se um quadro arqueométrico onde pude ver pessoalmente o alfabeto templário das línguas orientais, até o do primitivo chinês, trigrama de Fo-hi, distribuído de acordo com seus valores, identificando-se mutuamente em sua morfologia universal.
"As letras colocadas sobre o Arqueômetro não obedeceram absolutamente à vontade humana, nem são o resultado de nenhuma combinação fantasiosa, o que afastaria, ipso facto, seu caráter científico na mais rigorosa acepção do termo. Elas ali se colocam autologicamente, obedecendo unicamente a uma lei divina, à Lei do Verbo, representando as 
forças fenomenais do Cosmos, e são falantes por sua própria natureza morfológica"
Aristides Leterre - Jesus e sua doutrina -1936

Não é em vão que a tradição se conservou sobre o valor cabalístico de certas palavras, empregadas ainda hoje por ocultistas, feiticeiros e até pelo próprio Catolicismo e seus exorcismos.
Para ser provado, seria preciso que reproduzíssemos aqui o primeiro alfabeto da humanidade, o Wattan, outrora chamado Adâmico, ainda conservado pelos Brahmanes.
A cada letra, no Arqueômetro, corresponde um Número. Esses Números, que constituem um capítulo especial da Bíblia, incompreensível a quem o lê sem possuir a chave, pertencem a uma matemática quantitativa e qualitativa.
Quantitativa pelo seu valor numérico e equivalente às vibrações sonoras e cromométricas dos gabinetes da física, e qualitativa pela correspondência verbal que possuem com as forças fenomenais do Universo sideral, com sua Logia, legislada, isto é, com o Verbo Criador, porque é bom dizer que a palavra humana não é a conseqüência do esforço dos primitivos seres racionais, como alguns antropologistas querem, mas, sim, uma incidência refletiva da Divina Palavra, dada ao homem para diferenciá-lo do resto da animalidade e poder glorificar seu Criador, que é o próprio Verbo.
...continua na próxima postagem.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

A. Leterre



Tive contato pela primeira vez com este renomado autor lá pelo idos de 1980, ao descobrir as obras de Saint Yves de Alveydre. Naqueles anos passei a procurar as obras do Marquês de Alveydre incessantemente em todos os sebos da capital paulistana. Eu sabia que teria muita dificuldade, pois, alem de ser obras raras eram caríssimas.
A primeira vez que me deparei com o Arqueometro foi na antiga Casa Fretin no centro de São Paulo, a Fretin era uma casa importadora de livros técnicos, instrumental cirúrgico e livros ocultistas, e cobrava todos seus produtos em dólar ou libra e naquela época eu era apenas um moço com parco salário, que só podia ficar admirando aquele livro em francês e que tinha o planisfério astro silábico no sua capa de papel que envolvia a encardenação de capa dura, e que durante muito tempo não pude ter.
Mas existia uma alternativa de conhecer um pouco mais as obras do Marques, era conseguir a obra de A. Leterre que chamava: Jesus e sua doutrina (1936).
O primeiro exemplar de Jesus e sua doutrina, foi conseguido através de um irmão nosso de santo     de nome Antonio Rivas que de forma curiosa conseguiu gerar uma cópia da Biblioteca de São Paulo.
Este livro foi citado exaustivamente pelo mestre W.W. da Mata e Silva  em suas obras, e assim pude conhecer um pouco mais do homem que trouxe os livros do Marquês para o Brasil.




No final do seu livro Jesus e sua doutrina, Leterre cita que tinha deixado todos os seu livros para a Federação Espírita Brasileira no Rio de Janeiro, inclusive uma tradução feita a mão por ele da Missão dos Judeus e Missão da Índia na Europa em papel almaço, sim aquele papel que todos nós usávamos quando meninos.





Passou o tempo, e em 1998 eu dirigia o Templo da Ordem Iniciatica do Cruzeiro Divino em Brasília. Ao  reler o livro de Leterre, tive a idéia de ligar para a FEB que já se estabelecia na capital federal e obtive a informação que todos as obras raras estavam agora em Brasília.

Imediatamente consultei a lista telefônica e liguei. A recepcionista em conversa comigo, informou que o diretor responsável estava em férias e não poderia falar com ele. Mas mesmo assim insisti pois voltaria para São Paulo por aqueles dias e era importante o contato. A moça reconhecendo que eu tinha necessidade em falar com o diretor me passou o telefone  particular dele, ao falar-lhe expliquei que procurava as obras que citei acima, inclusive o aparelho arqueometrico que Leterre citava no final de seu livro, como aquele que tinha trazido da França e doado a FEB.
Apesar de estar em férias, aquiesceu e nos encontramos em um domingo a tarde na FEB e pude conhecer a biblioteca de obras raras e que não estava aberto ao público.
Quando o diretor chegou, trazia consigo uma caixa de madeira e que ao abrir para mostrar-me, imediamente me perguntou se eu sabia o que era aquilo, e para meu doce regalo lá estava uns dos aparelhos construído pelo Marques e que Leterre trouxe ao Brasil.
O diretor informou que o aparelho ia fazer parte do museu da FEB, e se eu poderia escrever uma sinopse sobre o mesmo, assim combinamos que eu o faria se pudesse copiar alguns livros raros que estavam com ele e prontamente ele aceitou.
Mas não tinha acabado minha procura, pois queria os manuscritos de Leterre e estes o próprio diretor desconhecia, mostrou-me toda a biblioteca e uma serie de papeis que estavam para ser catalogados e reclamava de não ter pessoal para fazê-lo.
Naquele dia, tinha levado dois integrantes do templo de Brasília ( Leila e Guilherme) comigo. Combinamos que eles ajudariam o diretor todos os domingos, e assim foi feito, através do trabalho árduo destes dois filhos espirituais a época conseguimos acesso a estes materiais raros.
Interessante que todos falavam de Leterre e não citavam seu primeiro nome, escreviam apenas A. Leterrre , e foi em uns dos livros do Marques que Leterre escreveu na lateral de uma das páginas, algumas letras do alfabeto Wattan e que ao traduzi-las pudemos saber o seu nome completo: Aristides Leterre.

Aristides  Leterre era um renomado fotografo no Rio de Janeiro e que produzia fotos de operações cirúrgicas e trabalhos especializados para o governo, falava francês fluentemente e também tinha dotes musicais, esteve na França algumas vezes e pode desfrutar da atmosfera dos grandes mestres da época.

E foi assim meus amigos que tivemos a oportunidade em conhecer mais o trabalho deste autor.

Espero que aqueles que editam suas obras, sem a preocupação em descrever sua vida ou citar seu nome inteiro  façam-no a partir de agora.

O respeito com aqueles que favoreceram o conhecimento integral deve existir em todos os momentos, afinal os historiadores que prefaciam suas obras deveriam por ética ou apenas por questão de bom senso, elucidar seus leitores sobre quão grandioso é a missão de levar a Tradição a todos, e não ter apenas por escopo a aquisição financeira, mas...

Olavo Solera - Ygbere

Estas são as obras trazias por Leterre:






quarta-feira, 22 de setembro de 2010

René Guénon







René Guénon nasceu em Blois, no famoso Vale do Loire, na França dos castelos de contos de fadas, e morou e estudou por vários anos no Quartier Latin – centro da agitação cultural parisiense. Mas foi no Oriente que ele encontrou inspiração e suporte intelectual para sua vasta obra (27 livros ),especialmente na filosofia do Vedanta da Índia, na sabedoria chinesa e no sufismo, cujos princípios universais ele tratou de reelaborar em estilo acessível aos ocidentais. Ele foi, assim, o mais oriental dos filósofos europeus no século XX; tão oriental, de fato, que viveu com a família seus últimos 20 anos no Cairo.

René Guénon foi o mentor do método ‘universalista’ de estudo dos legados intelectuais das diferentes civilizações, tendo sido um dos primeiros a apontar para a solidariedade substancial dos patrimônios culturais das distintas tradições e para seus fundamentos filosóficos comuns, por trás das diferenças de doutrinas, ritos, moralidades e formas artísticas. Ao mesmo tempo, foi um crítico severo do exclusivismo religioso e de todo ‘comunalismo’ e fundamentalismo extremista. Foi também um pioneiro da crítica da mentalidade materialista e individualista de nossos tempos. Para ele, o moderno Ocidente vive em profunda crise de valores e de sentido porque se separou de suas raízes espirituais e esqueceu as dimensões mais profundas da existência. Guénon foi, ainda, incomparável na exposição e explicação dos símbolos e mitos nas diversas culturas. Seu livro Símbolos da Ciência Sagrada (S. Paulo, Pensamento, 1993) é uma prova disso.

Nas primeiras décadas do século XX – quando começou a publicar seus livros e artigos – ele por assim dizer se ergueu, praticamente sozinho, para expor com precisão ‘matemática’ as contradições do mundo e da mentalidade de então. Mundo o qual a grande maioria dos homens acreditava ter um futuro róseo e radiante, cegados que estavam pelo encanto do ‘culto’ da ciência e da tecnologia, que a todos os problemas, afinal, resolveria. O pensamento quase unânime de então era que tudo ia se tornar cada vez melhor, graças ao progresso da técnica, e que o homem finalmente estava se encaminhando para o paraíso.

Como um João Batista do século XX, ele foi a voz que clamava no deserto do racionalismo europeu. Como um Atanásio, lutou sozinho contra os erros e as ilusões de uma mentalidade que ele considerava materialista, relativista e racionalista. Racionalista por crer na razão individual como a única fonte e como a única legitimadora de toda forma de conhecimento. Materialista por crer, do mesmo modo, que só a matéria, o que pode ser pesado, mensurado e tocado, é real; que por não poder ser quantificado, o espírito não é real. Relativista por negar o conceito do Absoluto, seja no campo filosófico, religioso, ou mesmo ético, moral e social; por pretender relativizar tudo que é objetivo, tornando , portanto, tudo subjetivo e instável.
Guénon surgiu como um autor singular por tratar destas profundas questões de uma perspectiva puramente intelectual e objetiva; em seus escritos, as dimensões moral e sentimental, a despeito de seu valor, não constituem o principal vetor, que é, ao contrário, representado pela inteligência e o discernimento.

A despeito de sua importância e do impacto causado pela força de suas idéias, os biógrafos de Guénon ressentem-se da carência de informações acerca de sua vida pessoal. Pois o autor francês sempre foi extremamente reservado e não tinha o menor interesse pela individualidade, nem a sua, nem a de outros. Característica esta diametralmente oposta ao de nossos dias, nos quais a curiosidade ilimitada das pessoas e o furor dos meios de comunicação de massa em saciá-la colocam as informações mais reservadas e privadas de determinado indivíduo praticamente ao alcance de todos. Guénon considerava-se apenas um transmissor da sabedoria perene, e não reivindicava em absoluto qualquer ‘originalidade’ . Ele fazia tanta questão do anonimato que um leitor de seus livros – que era seu vizinho no Cairo – ficou perplexo ao descobrir, quando de sua morte, que a pessoa em questão era ninguém menos que o famoso René Guénon!

O que se sabe da vida do indivíduo é, assim, inversamente proporcional à profundidade e influência de sua obra; quanto a este último ponto, basta dizer que ao longo da última década dezenas de livros foram publicados sobre ele e também que, se consultarmos um desses buscadores eletrônicos na Internet, como o Google, por exemplo, centenas de páginas aparecerão ao digitarmos o nome de Guénon. Seja como for, sabemos ao certo que René-Jean Marie Joseph Guénon nasceu em Blois, no Vale do Loire, na França, em 15 de novembro de 1886. Seu pai, Jean-Baptiste Guénon, era arquiteto; sua mãe, Anna-Leontine Jolly, dona de casa; ambos católicos piedosos, deram ao filho uma educação religiosa tradicional. (Isto, contudo, não impediu que ele manifestasse certa incompreensão acerca de alguns aspectos da perspectiva cristã, assunto que discutiremos mais adiante.)

Profundamente interessado por filosofia e matemática desde a juventude, Guénon mudou-se para Paris em 1904, aos 18 anos de idade, para prosseguir seus estudos no Collège Rollin.
Na capital francesa, envolveu-se com o movimento ocultista que então agitava parcela do mundo intelectual e artístico parisiense. Foi, por exemplo, admitido numa ‘ordem martinista’, a qual seria um suposto ramo da ‘cavalaria cristã’, e também na ‘Fraternidade Hermética de Luxor’, bem como em algumas obediências maçônicas e na ‘Igreja Gnóstica’. Chegou mesmo a assumir posições de destaque nessas organizações, algo que lhe propiciou informações preciosas para a sua posterior e radicalmente crítica postura anti-ocultista. Sua intensa participação nessas sociedades foi, neste sentido, providencial. Rompeu com o ocultismo, considerando-o uma contrafação, desprovida de qualquer ensinamento sério: “O equívoco da maior parte dessas doutrinas pseudo-espiritualistas é o de ser não mais do que materialismo transposto a outro plano, e de querer aplicar ao patrimônio do espírito os métodos que a ciência ordinária emprega para o estudo do mundo material”, ele escreveu em dezembro de 1909.

Sobre o ocultismo em geral, escreveu livros como L'Erreur Spirite, publicado originalmente em Paris em 1923, e Le Théosophisme - Histoire d'une pseudo-religion, de 1921, obras que não perderam sua relevância e que continuam sendo publicadas, lidas e debatidas. Desnecessário dizer que, por causa delas, granjeou visceral oposição de parte do submundo ocultista em geral. A este respeito, é interessante reproduzir aqui o que Mircea Eliade escreveu:

“A crítica mais erudita e devastadora de todos esses assim chamados grupos ocultistas foi feita, não por um observador externo racionalista, ‘de fora’, mas por um membro do círculo interno, alguém devidamente iniciado em algumas de suas ordens secretas e familiarizado com suas doutrinas ocultas; ademais, esta crítica foi feita, não a partir de uma perspectiva cética ou positivista, mas a partir do que ele chamou ‘esoterismo tradicional’. Este crítico culto e inteligente foi René Guénon.” (Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais. Belo Horizonte, Interlivros, 1979. p. 59.)

Nesta mesma época, nas primeiras décadas do século XX, Guénon entrou em contato com hindus da escola Advaita-Vedanta, com quem aprofundou seus conhecimentos da metafísica não-dualista de Shankara – o principal formulador desta doutrina –, os quais utilizaria em toda a sua obra subseqüente. Vem daí também seus contatos com o meio católico francês, no qual pontificavam figuras como o filósofo neo-tomista Jacques Maritain e o padre Sertillanges, entre outros.


Guénon passou a escrever então, década de 1920, para a revista católica Regnabit. Contudo, a reivindicação para a Igreja, por parte de alguns desses intelectuais, da posse exclusiva da verdade, forçou Guénon – em razão de sua postura ‘universalista’ e não exclusivista – a deixar seu quadro de colaboradores. Alguns mais exaltados, não contentes com isto, chegaram a levar ao Vaticano um pedido para incluir seus livros no famoso Index. Mas o papa de então, Pio XI (1922-1939), bem como seu sucessor, Pio XII (1939-1958), negaram o pedido, demonstrando compreensão pela essência dos seus ensinamentos.


Pouco antes disso, em 1917, foi nomeado professor de filosofia na Argélia, onde viveu cerca de um ano; foi seu primeiro contato direto e prolongado com o mundo do Islã. Após a morte de sua primeira mulher, Bherta Loury, ele abandonou Paris, em 1930, com destino ao Cairo. Seu objetivo era pesquisar e traduzir textos da mística islâmica. Consumado poliglota, sabia também o latim, o grego, o hebraico, o sânscrito, o alemão e o espanhol. Habitou numa casa simples, situada nos arredores da capital do Egito, até 1951, quando faleceu. Seu cotidiano era totalmente dedicado ao estudo e à escrita, além da manutenção de uma espantosa correspondência com interlocutores em quase todas as partes do mundo, inclusive o Brasil. Seu primeiro tradutor para o português, Fernando Guedes Galvão, de São Paulo, correspondeu-se com ele por mais de duas décadas, de 1929 a 1950. No Egito, Guénon se casou novamente, com Fátima, filha de um cheikh da centenária confraria mística Qadiriah, e teve quatro filhos.

Guénon é autor de livros até hoje considerados importantes para se entender a crise de valores do mundo contemporâneo, algo que tem sido admitido mesmo por aqueles que não esposam suas idéias; o prêmio Nobel de literatura de 1947, André Gide (1869-1951), por exemplo, escreveu em seu diário:
“O que me teria sucedido se eu tivesse lido os livros de René Guénon em minha juventude? Nesta altura, porém, eles ainda não haviam sido escritos. Agora é demasiado tarde, os dados já estão lançados. Mantive-me e mantenho-me ao lado de Descartes e de Bacon. Não importa! As obras de Guénon são notáveis e aprendi nelas muita coisa.” (Journal, 1942-1949)
Em vida, publicou 17 livros; postumamente, mais uma dezena de obras vieram à luz, abordando uma vasta gama temática. Da importância dos símbolos para se entender a sabedoria das distintas civilizações ao legado do pensamento chinês, da concepção político-religiosa de Dante Alighieri à história do ocultismo moderno, da Cabala à maçonaria, passando pela alquimia, a mística islâmica, a filosofia indiana e a matemática, sempre tendo como pano de fundo a filosofia perene.

O professor Kenneth Oldmeadow dividiu a obra guenoniana em cinco categorias, advertindo ao mesmo tempo que se trata de uma classificação algo arbitrária, mas que não obstante ajuda a melhor entendê-la. As categorias correspondem grosso modo a períodos da vida de Guénon. A primeira é a dos escritos ocultistas, abrangendo até a primeira década do século XX; vem em seguida a fase de crítica do ocultismo; a terceira categoria é a dos escritos sobre a metafísica oriental; a quarta, sobre a iniciação; e a quinta e última abrangendo a crítica da mentalidade materialista e relativista.

Entre estes últimos escritos, destacam-se A Crise do Mundo Moderno (Lisboa, Vega, 1977, publicado originalmente na França em 1927) e O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos (Lisboa, Dom Quixote, 1989, cuja primeira edição francesa é de 1945). Duas obras hoje consideradas visionárias por anteciparem a situação de perplexidade hoje experienciada por muitos, mostrando que, se o mundo moderno avançou do ponto de vista material e tecnológico, isto teve e tem um alto custo em termos de degradação intelectual, cultural, moral, ambiental e, na verdade, de toda a ambiência que cerca o homem, por exemplo em termos de explosão da violência nos centros urbanos, da expansão de formas mecanizadas e repetitivas de trabalho, da existência desprovida de sentido, da cultura estupidificante etc. Critica a crença num progresso indefinido e na evolução como uma lei inexorável, ‘dogmas’ modernos desprovidos de base verdadeiramente intelectual.

A doutrina tradicional dos ‘ciclos cósmicos’ é outro tema importante abordado; como transmitida por exemplo pelas tradições da Antigüidade Ocidental – como a antiga religião romana e também celta, ou pelo Hinduísmo –, ensina que um ciclo humano completo abrange quatro eras – e não um ‘progresso’ em linha reta –, indo da mais excelente à mais degradada, da ‘Idade de Ouro’ à de ‘Ferro’, passando pelas de ‘Prata’ e de ‘Bronze’. Guénon mostra que, segundo a doutrina hindu, estamos atualmente na última das quatro eras, e na fase final desta, a qual a cosmologia da Índia denomina Kali Yuga, ou ‘Idade Sombria’, na qual os princípios que normatizam a vida humana estão obscurecidos, esquecidos ou são abertamente contestados.

Em O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos, propõe por assim dizer uma continuação à A Crise do Mundo Moderno, detalhando e aprofundando os temas tratados, partindo de dois pilares: a teoria dos ciclos e a tendência verificada no mundo moderno de tudo reduzir ao quantitativo, daí a designação de ‘reino da quantidade’, que seria justamente a nossa época. A partir desta base comum, aborda assuntos diversificados, que vão do caráter enganoso das ‘profecias’ às contradições e limitações da psicanálise, da ‘ilusão das estatísticas’ à ‘ilusão da vida comum’ e à ‘degenerescência da moeda’.

Símbolos da Ciência Sagrada é outro livro seminal, no qual expõe a ciência do símbolo e mostra que este não é algo arbitrário, ou fruto da convenção, mas sim que deriva da própria natureza das coisas. Ao partir do dado sensível e concreto, o símbolo aponta para uma realidade mais elevada do que aquela aparente aos sentidos. O não entendimento do simbolismo, no caso da exegese dos escritos sagrados, resulta no literalismo; este por sua vez pode desembocar no chamado fundamentalismo. Se outrora relativamente inofensivo, o ‘fundamentalismo moderno’ é potencialmente explosivo em seu desprezo do rico legado filosófico, cultural e artístico de sua própria tradição e em sua intolerância para com visões e interpretações diferentes das suas, podendo levar às ações extremistas e violentas nos mais ‘militantes’.

Símbolos da Ciência Sagrada inclui ainda artigos publicados entre 1925 e 1950 em diversas revistas francesas, versando sobre o simbolismo das diversas tradições – céltica, islâmica, hindu, cristã, romana, chinesa. Interpretações penetrantes são dadas para diversos tipos de símbolos, do centro e do mundo, símbolos espaciais e geográficos – como a montanha, a caverna, a planície, o labirinto –, símbolos zoológicos, arquitetônicos, paisagísticos, corporais etc. A riqueza simbólica da árvore, só para dar um exemplo, é explorada a fundo, em todas as tradições. As raízes representam os princípios universais; os ramos, a manifestação desses mesmos princípios no tempo e no espaço. Os vários níveis da árvore simbolizam as ‘dimensões’ da realidade. Os frutos são imagem da misericórdia e a sombra, da clemência. Nos galhos, aninham-se os pássaros (símbolos dos estados superiores). Finalmente, a árvore é a imagem por excelência do axis mundi, o tronco representando o eixo vertical e os galhos o horizontal, exatamente como ocorre em outro símbolo fundamental, a cruz.

Os textos que Guénon escreveu originalmente para a revista Regnabit constituem um dos principais interesses de Símbolos da Ciência Sagrada, por mostrá-lo aplicando o método ‘perenialista’ à interpretação de aspectos da tradição cristã. Uma de suas intenções era mostrar a concordâncias das idéias fundamentais desta com as das demais perspectivas. Entre estes textos, incluem-se ‘O Sagrado Coração e a legenda do Santo Graal’, ‘O Verbo e o Símbolo’,
‘A idéia do Centro nas tradições antigas’, e ‘A reforma da mentalidade moderna’. Neste último, lamenta a desconfiança com a qual o simbolismo tem sido visto nos meios católicos e critica a falta de uma visão integralmente intelectual de parte da maioria daqueles que se dizem católicos, os quais muitas vezes encaram a religião fundamentalmente como apenas uma moral e como assunto do sentimento – como uma vaga 'religiosidade' em suma. O Homem e seu devir segundo o Vedanta e Introdução Geral ao Estudo das Doutrinas Hindus são outras obras importantes de Guénon, com sua abrangente exposição da filosofia antiga.

Em seus livros, Guénon não se limita a apontar as contradições e limitações da mentalidade moderna, mas também as saídas e soluções para as perplexidades e os impasses vividos pela consciência contemporânea, respostas as quais, para ele, estão justamente na mensagem da Philosophia Perennis.

Guénon foi, assim, um dos primeiros a dizer conscientemente não à euforia que tomava conta do mundo nas primeiras décadas do século XX, quando a crença nos poderes 'mágicos' da ciência e tecnologia estava em seu apogeu. Ele representou para muitos a objetividade em pessoa, vendo talvez melhor do que ninguém os perigos e males do subjetivismo e do individualismo, e as conseqüências longínquas destes e de outros pilares da weltanschauung predominante, como o culto à indústria (que levou à caótica situação ecológica atual, que ameaça a própria sobrevivência do gênero humano) e ao assim chamado 'progresso', puramente material. Seu agudo discernimento o fez ver exatamente o que estava errado com nosso mundo; ele foi assim um dos primeiros a desafiar intelectualmente, com pleno conhecimento de causa, as crenças do status quo.

Não se pode negar, contudo, que há aspectos problemáticos no legado guenoniano, que têm de ser vistos com olhos críticos. Entre eles, aponta-se a hipervalorização do Oriente, e a conseqüente subvalorização do patrimônio intelectual e espiritual ocidental. Seu equívoco mais grave tem relação com este ponto, pois diz respeito à incompreensão com relação a aspectos da tradição cristã. Metafísico universalista e adepto da perspectiva ‘sapiencial’, Guénon acabou por subestimar a mística devocional – amplamente majoritária no Cristianismo. Ele parecia também desconhecer Mestre Eckhart, que não obstante é um dos autores fundamentais da perspectiva sapiencial no Cristianismo. Errou igualmente ao procurar encaixar a tradição cristã dentro da mesma estrutura que é característica do Islã e do Judaísmo, a qual separa as dimensões ‘exotérica’ (legal, moral, convencional) e ‘esotérica’ (contemplativa). Ao passo que nela estas duas dimensões estão por assim dizer ‘fundidas’. Estas limitações foram, contudo, corrigidas e amplamente superadas pela obra de um ilustre companheiro de Guénon, o filósofo suíço-alemão Frithjof Schuon (1907-1998), que é considerado o outro grande expositor da Philosophia Perennis. Seja como for, a penetração e amplitude excepcionais da obra de Guénon, com sua apresentação e explanação de idéias cruciais, primam sobre estas lacunas. Ao longo deste último meio século, ela conquistou um amplo espectro de seguidores em todo o mundo, em grande parte devido à sua severidade e objetividade, e também – como estimou a Enciclopédia Chambers (Edimburgo, 1991. p. 73) – pela ‘natureza algo profética de suas colocações’.
Texto extraido de Mateus Soares de Azevedo  que é mestre em História das Religiões (USP)

Biografia e Obras 

René Guénon nasceu em Blois, 15 de novembro de 1886, onde passou sua juventude, os religiosos irão Instituto Notre-Dame des Aydes e depois o-Augustin Thierry faculdade.
Em 1904, o Bacharel em Filosofia e ultrapassa o de matemática elementar. Em outubro, ele se mudou para Paris, onde frequentou um curso de licenciatura em matemática no Colégio Rollin.
Dois anos depois, ele interrompeu os seus estudos universitários, provavelmente por causa de suas ondas instáveis.
Em 1909, aos 23 anos, publicou seus primeiros artigos no jornal "Gnosis". A parceria durou até 1912. Ele está interessado nas tradições taoístas, hinduístas e islâmicos.
Em 1912 ele entrou para o islamismo e adotou o nome de 'Abd al-Wahid Yahia ("Servo de Deus João Lei").
Em 1913, ele colaborou com a revista católica "La France Antimaçonnique" assinado com o pseudônimo de A Esfinge.
Em 1915 ele obteve uma licenciatura em literatura e no ano seguinte o diploma de estudos superiores de filosofia, com uma tese dedicada all'Examen des idées de Leibnitz sur la du calcul infinitesimal de significação. Ensina filosofia em Saint-Germain-en Laye-.
Em 1917 mudou-se para Setif, na Argélia, para continuar ensinando.
Em 1918 ele foi contratado para ensinar filosofia na faculdade de Blois, e em 1919 ele se demitiu do ensino para se dedicar aos seus estudos.
Em 1921 ele publicou seu primeiro livro, "Uma Introdução Geral ao estudo das doutrinas hindus", seguido por "A Teosofia, a história de uma pseudo-religião", que denunciava a impostura da Sociedade Teosófica.
Em 1923 ele publicou "O erro do espiritismo", que rejeita decididamente o espiritismo naquela época muito popular.
Em 1924 ele lançou "Oriente e Ocidente", que descreve a elite intelectual a um entendimento entre o Ocidente ea Europa Oriental. Currículos filosofia de ensino na Cours Saint-Louis.
Em 1925 começou a trabalhar com a revista católica "Regnabit" e da revista "Le Voile d'Isis".
Publicado em "O Homem e seu devir segundo o Vedanta", e deu uma palestra na Sorbonne, em "A Metafísica do Leste da Europa."
Em 1926, ele escreveu "A Crise do Mundo Moderno", em resposta a "Defending the West", de Henri Massis, recém lançado. Além disso, publica "O Rei do mundo".
Em 1929 ele publicou o "poder da autoridade temporal e espiritual" e do estudo de curta duração "São Bernardo".
Em 05 de março de 1930 mudou-se definitivamente para o Cairo, onde vai continuar a escrever e colaborar com a revista "Le Voile d'Isis".
Em 1931 ele publicou "O simbolismo da Cruz, dedicado ao 'Abd ar-Rahman Shaykh Elish El-Kebir, trabalho inspirador.
Em 1932 apareceu "Os vários estados do Ser", uma síntese admirável da Metafísica dos que Guénon foi porta-voz.
Em 1934 casa-se com Fátima, a filha do xeque Mohamed Ibrahim. Partir desta união, ele teve quatro filhos. Colabora com a revista italiana "Diorama filosófica."
Em 1935 a revista "Le Voile d'Isis" mudar o nome para "Traditionnelles Etudes" sob a orientação intelectual dos Guenon. A revista cessou a publicação de '40 a '45.
Entre 1945 e 1946 publicou "O reino da quantidade e os sinais dos tempos", "Os princípios do cálculo", "Considerações sobre a iniciativa" e "A Grande Tríade".
Nle 1951, 07 de janeiro, morre no Cairo, dizendo o nome de Alá. Seus restos mortais estão enterrados segundo os rituais islâmicos no cemitério de Darassa.