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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Outros Saberes... O manuscrito de Voynich.


O manuscrito de Voynich é considerado "o manuscrito mais misterioso no mundo". Até hoje este artefato medieval resiste todos os esforços da tradução. Ou é uma enganação engenhosa ou uma cifra indecifrável. O manuscrito é nomeado pelo seu descobridor, o negociante de antiguidades americano, Wilfrid M. Voynich, que o descobriu em 1912, junto com uma coleção de manuscritos antigos mantidos no vila Mondragone em Frascati, perto de Roma, que tinha sido transformado em uma faculdade dos Jesuítas (fechada em 1953).
Baseado na evidência calígrafica, dos desenhos, do tecido, e dos pigmentos, Wilfrid Voynich estimou que o manuscrito fosse criado no final do século 13. 

O manuscrito é pequeno, dezoito por vinte e três centímetros, mas grosso com quase 235 páginas. Foi escrito num código desconhecido de que há nenhum outro exemplo no mundo. Ilustra-se abundantemente com desenhos coloridos de: plantas não identificada; o que parece ser receitas ervais; minúsculas mulheres despidas que brincam em umas banheiras conectadas por encanamento intricado que parece mais como as peças anatômicas do que invenções hidráulicas; planilhas misteriosas em que alguns têm o que parece ser objetos astronômicos vistos através de um telescópio, ou células vivas vistas através de um microscópio; planilhas em que você pode ver um calendário estranho de sinais zodiacais, povoadas por minúsculos povos despidos em latas de lixo.

 Ninguém sabe realmente as origens do manuscrito. Os peritos acreditam ser europeu. Eles acreditam que se escreveu entre os séculos 15 e 17. De um pedaço de papel que estava junto ao manuscrito de Voynich, e que é armazenado agora em uma das caixas que pertencem ao manuscrito de Voynich da biblioteca de Beinecke, sabe-se que o manuscrito uma vez fazia parte da biblioteca confidencial de Petrus Beckx S.J., 22o general conhecido da Companhia de Jesus.

Não há nenhum outro exemplo da língua em que o manual é escrito. É um certificado alfabético, mas de um alfabeto tendo dezenove a vinte e oito letras, nenhuma que tem qualquer relacionamento com o sistema inglês ou europeu de letras. O texto não tem nenhuma correção aparente. Há uma evidência para duas "línguas diferentes" (investigadas por Currier e por D'Imperio) e mais de um escrevente, indicando provavelmente um esquema de codificação ambíguo. Aparentemente, Voynich quis ter as cópias decifradas e forneceu fotografias do misterioso manuscrito a um número de peritos.

 Entretanto, apesar dos esforços de muitos cryptólogos e intelectuais sabidos, o livro permanece não lido. Há algumas reivindicações de ter decifrado, mas até hoje, nenhum destes pode ser substanciada com uma tradução completa.
O manuscrito de Voynich é aproximadamente dezoito por vinte e três centímetros. Alguns acreditam ser um livro sobre alquimia. Contem o equivalente de 246 páginas do in-quarto, mas pode originalmente ter contido não menos de 262 páginas. Há 212 com texto e desenhos, 33 páginas contêm o texto somente, e a última página contem a Chave. 

O texto é escrito em um escrito cifrado, e os desenhos são coloridos em vermelho, em azul, em marrom, em amarelo, e verde. Os conteúdos do manuscrito são divididos em 5 categorias: A primeira e maior seção contem 130 páginas de desenhos de plantas acompanhado por texto, e é chamada a divisão Botânica. 

O segundo contem 26 páginas de desenhos, obviamente astrológicas e astronômicos na natureza. A terceira seção contem quatro páginas de texto e 28 desenhos, que pareceriam ser biológicas na natureza. A quarta divisão contem 34 páginas de desenhos, que são farmacêuticas em natureza. A última seção do manuscrito contem 23 páginas de texto organizado em parágrafos curtos, cada um começando com uma estrela. 

A última página (a 24a desta divisão) contem a chave somente.
Quando o manuscrito foi mostrado aos criptólogos peritos, pensaram ser fácil de resolver, pois o texto era composto de "palavras", algumas que eram mais freqüentes e ocorridas em determinadas combinações. Isto logo ficou obvio ser um erro; o texto não poderia facilmente ser convertido em Latin, em inglês, alemão ou um enorme grupo de outras línguas que puderam possivelmente estar na base deste original. 

Uma primeira "solução" foi anunciada em 1919, por William Romaine Newbold, que causou uma sensação reivindicando que o manuscrito conteve certamente o trabalho de Roger Bacon e que o Bacon sabia do uso do telescópio e do microscópio, podendo ver a estrutura espiral da galáxia de Andrômeda somente visível com telescópios e estrutura celulares desconhecidos no século 13. O que Newbold descobriu no texto era absolutamente incrível o bastante para ganhar a atenção da comunidade científica. Os desenhos biológicos descritos no texto eram tubos

asseminíferos, as células microscópicas com núcleos, e até espermatozóides. Entre os desenhos astronômicos tinha as descrições de nébulas espirais, de um eclipse coronário, e do cometa de 1273. 

Uma das coisas mais desconcertantes era que muitos dos desenhos das plantas, e das galáxias pareceram ter sido inventados. Não havia nenhuma dúvida que se o Bacon for o autor de tal texto, ele deve ter tido alguma maneira de obter a informação. Por exemplo, a tradução de Newbold do subtítulo perto do desenho da nebulosa de Andrômeda (que mostra claramente suas características espirais), deu sua posição pelo seguinte:"Em um espelho côncavo eu vi uma estrela no formato de um caracol, entre o umbigo de Pegasus, o cinto de Andrômeda, e a cabeça de Cassiopea ".

As tentativas de quebrar o código, entretanto, não estavam encerradas. Em 1931, a Sra. Voynich levou uma cópia fotostática do manuscrito à universidade católica em Washington onde o frade Theodore Petersen a reproduziu fotogràficamente e começou uma transcrição completa a mão do manuscrito, com um índice de cartão das palavras, e as listas das concordâncias. Só a transcrição levou mais de quatro anos. Infelizmente, não se sabe que conclusão ele alcançou. Em 1944, Hugh O'Neill, um botânico renomado da universidade católica, identificou várias plantas descritas no manuscrito como espécies do Novo-Mundo, no detalhe um gira-sol americano e uma pimenta vermelha. Isto significou que a data do manuscrito deve ser colocada após 1493, quando Cristóvão Colombo trouxe as primeiras sementes de gira-sol da Europa. Entretanto, não é certo que a identificação: a pimenta vermelha é colorida verde e a identificação do gira-sol é contestada igualmente. Outras pessoas envolvidas no estudo do manuscrito eram criptólogos proeminentes tais como W. Friedman e o J. Tiltman, que chegaram independentemente à hipótese que o manuscrito foi escrito em uma língua artificial, construída. Isto foi baseado na estrutura das "palavras". Tais línguas artificiais foram inventadas pelo menos um século após a data provável do manuscrito de Voynich. Somente o "Língua Ignota" de Hildegarde de Bingen (1098-1179) antecede o manuscrito de Voynich por muitos séculos, mas esta língua não exibe a estrutura observada por Friedman e por Tiltman, e fornece somente substantivos e alguns adjetivos. Friedman veio conhecer Petersen que lhe apresentou um dia sua transcrição a mão e o outro material. Após a morte de Friedman, todo o material foi movido para a coleção de W.F. Friedman da fundação do Marshall. Recentemente, as versões eletrônicas das transcrições feitas por grupos de Friedman foram produzidas das folhas datilografadas e fizeram disponível no Internet. Umas soluções aclamadas mais recentes vêem no manuscrito uma cifra simples da substituição que possa somente decodificar palavras isoladas, o primeiro uso da cifra mais ou mais menos sofisticada, um texto sem vogais Ukraniano ou o único original sobrevivente do movimento dos Cathar.

domingo, 29 de maio de 2011

O SOM E O NÚMERO

O Som Criador
Todas as Escrituras Sagradas, de Oriente a Ocidente, se referem a um Som inicial, fazedor de Mundos. No Ocidente, a versão bíblica nos diz que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele” (João, 1:1-3).
Igualmente nas Cosmogonias  orientais, o som (sabda, em sânscrito) é o construtor da Manifestação (Sabda Brahman). No sistema Vedantino, esse Som criador ou Palavra é Vâch. E no Ocidente, os Gregos antigos tinham o designativo Logos para este mesmo conceito. Contudo, Verbo, vocábulo de etimologia latina, é um termo sumamente feliz para significar, precisamente, esse ato da Criação.
Gramaticalmente, Verbo é uma palavra com a qual afirmamos a existência de uma ação, de um estado ou de uma qualidade que atribuímos ao sujeito. É, pois, algo como uma extensão (ativa) do (de um) sujeito. Infere-se, daí, que o sujeito permanece abstrato e imanifestado sem essa ação, que então o representa e torna manifesto. Assim, de fato, o Verbo é a primeira expressão da Manifestação e o que permite que ela se desenvolva.
O Verbo, neste sentido místico, metafísico, veio a antropomorfizar-se e a integrar a tríade de figuras deíficas da Tradição Cristã – as três “Pessoas” da Trindade (ou Unidade trina, de três aspectos) “Pai, Filho e Espírito Santo” – fazendo-se corresponder ao “Filho” ou “Cristo”.
O mesmo sucedera nas outras culturas e, assim, segundo a alegoria do Padma Purâna: “No princípio, Mahâ-Vishnu (o Grande Vishnu), desejoso de criar o mundo, converteu-se em três: criador, conservador e destruidor. A fim de produzir este mundo, o Espírito supremo fez emanar Brahmâ do lado direito do seu corpo; em seguida, a fim de conservar o universo, produziu do seu lado esquerdo o deus Vishnu; e, por fim, para destruir o mundo, do meio do seu corpo produziu o eterno Shiva”.
O equivalente deste Verbo, em sânscrito, é Vâch, que já mencionámos. Vâch é a expressão concreta da Ideação Divina e, por conseguinte, a “Palavra”. Figurativamente é também Sarasvatî, a consorte ou aspecto feminino de Brahmâ, a deusa da Sabedoria e da eloquência. Nesta conformidade, por sua vez, Sarasvatî é idêntica à Sophia dos Gnósticos (é ela, nas diversas acepções, o Logos feminino, a Sabedoria Divina personificada, a Virgem Celestial…). Diz o Mahâbhârata: “Vâch é a celestial Sarasvatî produzida dos céus”, “uma palavra derivada do Brahmâ sem fala”.
No sistema vedantino, o Som que origina, permeia e sustenta todo o Universo desdobra-se em 4 níveis, do mais subtil ao mais grosseiro e material

1º - Parâ ou Parasabda [parâ = transcendente, supremo, e sabda = som], o Som Causal e insonoro; de Parabrahman, além do Númeno e de todos os Númenos;
2º - Pasyantî, o próprio Logos;
3º - Madhyamâ, a luz de Isvara (a luz do Logos); a Duração, a Permanência, a Eternidade;
4º - Vaikharî, a linguagem pronunciada ou articulada; o som material e o Cosmos que conhecemos; o último estado de densificação do Som causal.
O termo grego Lógos reveste o significado de “palavra”, “razão”, e os antigos filósofos usaram-no no sentido de “Razão divina organizadora do Mundo”. O seu equivalente latino é, pois, ratio (razão), oratio, verbum – palavra, linguagem, expressão do pensamento. Por seu turno, os semitas usaram o termo que lhes corresponde na sua respectiva língua – “memra” –, neste caso como referente a Jeová, ou revelador da sua presença. Nos Targums (as versões aramaicas do Velho Testamento), a Memra (’imrah ou ’emrah) figura constantemente como a manifestação do Poder divino, ou como Mensageiro divino em lugar do próprio Deus. Nos Targums da Caldeia, esta Palavra de Jeová representa-o, falando e atuando: “E eles ouviram a Palavra [Memra] de Deus caminhando no Jardim [do Éden] na brisa da tarde e Adão e sua mulher esconderam-se da presença da Palavra [Memra] de Deus, por entre as árvores do Jardim…”. A Memra partilha a natureza de Deus e, ao mesmo tempo, é o seu mensageiro.
S. João aplicou o termo Logos a Cristo, o revelador do Pai, a imagem visível do Deus invisível (posto que a Palavra é a exteriorização do Pensamento – Divino e Universal, como também o individual).
O Som insonoro, o Som potencial
No Princípio, foi o Som que dividiu a Unidade, que produziu o dois ou dualidade. E foi a dualidade que deu início à Consciência reflexa ou de relação.
A consciência (assim entendida) só existe no mundo fenomênico, porquanto a consciência é uma efusão produzida por fricção. O Um é designado “Nada” ou “Parâ” porque, não tendo onde se refletir (onde se confrontar), não é essa consciência – de modo inapreensível para nós, transcende-a, e simplesmente É, sem apêndices nem atributos .
Todo o Universo manifestado e todos os fenômenos são cadeias e “arranjos peculiares” de vibrações. E é o Universo que é Consciência – consciência precisamente originada pela efusão, pelo atrito, pela estimulação da infinidade de vibrações. Tais vibrações são os Filhos monádicos desse Um, seus desdobramentos incessantes… o Um desdobra-se nos múltiplos.
A Sinfonia do Universo
O termo ‘logos’ igualmente “tomou o seu lugar na linguagem musical grega, referindo a medida da cítara ou da lira (i.e., os trastos ou travessões) onde a corda deveria ser pisada de modo a produzir uma nota definida". Este parece-nos um facto muito sugestivo. Os sons puros (as 7 notas musicais, ou o que elas representam), que integram a escala diatónica, são, na sua matriz, contenções de arquétipos que no curso da Manifestação se desprendem e combinam infinitamente. E esse Grande Septenário harmónico (matemático) é o que sustenta e viabiliza a Manifestação dos mundos, a Lei do Ritmo operando por detrás.
É dito que a escala musical hindu terá evoluído de 3 notas apenas para a escala de 7. Essas 3 notas detinham a chave da vocalização do AUM, sendo que este Mantra, o mais sagrado de todos os mantras, sintetiza e representa o poder da Trindade. As três letras do AUM correspondem ao “Fogo Triplo”, respectivamente Agni ou Abhimânim (Fogo ígneo) – ‘A’; Varuna ou Vishnu (Fogo aquoso, Águas do Espaço ou Akasha) – ‘U’; Marut (Fogo aéreo, Espírito de Vida) – ‘M’.
Sendo o AUM o emblema da Trindade na Unidade, as 3 letras de que se compõe representam ainda os três aspectos do Ser Supremo – Brahman -, ou seja, o de Criador (Brahmâ – ‘A’), o de Conservador (Vishnu – ‘U’), e o de Destruidor/Renovador (Shiva – ‘M’). E assim, também, naturalmente, Âtma, Buddhi e Manas.
Depois, as três evoluíram para sete, Sa – Ra – Ga – Ma – Pa – Dha – Na (ou Ni-sa), a escala sendo dividida em 22 intervalos ou srutis. O sruti, ou intervalo micro-tonal, é a mais pequena diferença tonal entre dois sons que pode ser distinguida pelo ouvido humano.
Cada uma das 7 notas musicais representa cada um dos 7 Rishis (os 7 Filhos Nascidos da Mente de Brahmâ) que transmitiram o conhecimento sagrado à Humanidade. Diz a lenda que são os animadores (os espíritos) das 7 estrelas da Ursa Maior, os quais, descendo à terra em forma de cisnes, ancoraram no lago Mânasa-Sarovara (nos Himalaias) e aí comunicaram o conteúdo dos Vedas aos mais merecedores entre os humanos. As notas musicais, no seu substracto, são pois, cada uma delas, uma potência – um som – subtil e sintético que, desdobrando-se infinitamente, e concretizando-se em linguagem, constitui os Vedas e todo o escol de conhecimento superior e sagrado.
A Revelação – As Escrituras Sagradas
Tomemos, de novo, o termo Sruti (literalmente em sânscrito, “o que é ouvido”). Sruti é um cânon de textos sagrados hindus. Não data de um período estrito mas atravessa a história inteira do Hinduísmo, começando com alguns dos textos sagrados mais antigos conhecidos, estendendo-se aos mais recentes Upanishads. É dito que o Sruti não tem autor humano; que é um registo divino dos “sons cósmicos da Verdade”, ouvidos pelos santos Rishis em profunda meditação.
Considera-se que o Sruti é composto pelos 4 Vedas: o Rig-Veda (o Cântico da Sabedoria), o mais antigo dos Vedas e o mais importante conjuntamente com o Sâma-Veda (dele se diz que surgiu da boca do próprio Brahmâ); o Yajur-Veda (Sabedoria do Sacrifício), o segundo em antiguidade; o Sâma-Veda (a Escritura ou Shâstra da Paz), o Veda do canto (no mais alto sentido da potência da música); e o mais recente, o Atharva-Veda (Sabedoria dos Mantrams ou Fórmulas Mágicas). Segundo reza o Ocultismo, os Vedas foram ensinados oralmente pelo espaço de milhares de anos e, só depois, copiados nas margens do lago Mânasa-Sarovara.
O Som e o Número
O Som e o Número caminham enlaçados. Com efeito, os Antigos postulavam que o Universo fora feito segundo os preceitos de razão e medida. Acreditavam que uma Trindade Divina fora a matriz e o motor que criara o Mundo. Essa Trindade, pressuposto comum e fundamental de todas ou quase as religiões, era mais precisamente uma Unidade-trina, a Unidade sob três aspectos distintos – criação/expansão; sustentação/equilíbrio; destruição/interiorização/recolhimento. Naturalmente, essa mesma matriz estava simbolizada na figura geométrica do triângulo.
Para os antigos hindus, a matriz trinitária original cunhou e impregna tudo o que existe, sendo o seu padrão diretor. Para os gregos, e designadamente para Platão, três eram os triângulos que estariam na base constitutiva dos arquétipos dos 4 Elementos, sendo estes quatro os tijolos arquitetônicos de que fez uso o Grande Arqueu (o Demiurgo) na Obra da Criação.
É sabido, mas mal compreendido, que na Antiguidade todos estes conhecimentos matemáticos e muitos outros se regiam pela regra do segredo. Refira-se que a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia eram precisamente as ciências obrigatórias dos pitagóricos (designadas Quadrivium) e consideradas os “quatro últimos Caminhos das Sabedoria”. Na verdade, a regra do segredo tinha como fundamento a percepção de que a Matemática sagrada veiculava um imenso Poder, revelando as Leis Ocultas da Natureza e da Psique individual e colectiva, sendo por isso imperativo preservá-la da posse dos profanos…
 É assim que as Cidades-Estado da Caldeia tiveram à frente dos seus governos Reis-Sacerdotes (ou Reis-Magos) detentores desses arcanos, bem como a linhagem “divina” dos primitivos faraós os utilizou para fundar o seu reino.
Muitos desses conhecimentos dos antigos, com efeito, parecem ter sido verdadeiramente extraordinários. É o caso do Schem Hamaphoras. Schem era uma fórmula de poder que insuflava vida ou o “pleroma”. Jesus foi acusado pelos judeus de ter roubado este nome do Templo, valendo-se de artes mágicas, e de empregá-lo para a produção dos seus milagres.
Assim, o Tratado da Sinceridade do Rabino Moisés Takko (séc. XIII) diz:
 “… E todos estes magos do Egipto, que haviam criado esses seres [‘artificiais’], estudavam junto dos dáimones [génios]  ou por meio de uma espécie de arte mágica, a Ordem das Esferas… e criavam o que queriam. Pois bem, os Rabinos, que deles aprenderam e conheciam os Mistérios, podiam criar um homem ou um bezerro: pegavam em terra… pronunciavam sobre ela o ‘Schem’, e o ser era criado.
Já no século X, corre a lenda da criação de homúnculos com recurso à Séphèr Iétzirah mediante “grandezas geométricas” expressas em letras retiradas dos Schem Hamaphoras (os nomes divinos do triângulo sefirótico.
 Homúnculos são pequenos seres, réplicas ou projeções da anatomia e psiquismo humanos, criados pelo homem por meio de métodos espagíricos. Estes seres receberam também o nome de Golem, herdado das lendas cabalísticas. Golem é uma derivação da palavra “gelem”, que significa “matéria prima”. Na Bíblia, é empreque no sentido de “embrião”, “pré-homem”, “substância incompleta”. O salmo 139:16 usa a palavra “gal’mi”, significando “a minha substância ainda informe”.
“Da fase babilónica data, aliás, a obra “Schim Koma” (Medida da estatura de Deus, tratando sobre medidas, formas precisas do corpo e do rosto divinos…), mas o livro mais notável desta época é o Séphèr Iétzirah (Livro da Criação), escrito em hebraico (na Síria, provavelmente) cerca do século VI ou VII. (…) A influência gnóstica e neopitagórica é patente: Deus criou o mundo por intermédio das dez Potências ou Verbos chamadas Séphiroths e as vinte e duas letras do alfabeto hebraico”.
A imitação da obra de Deus – a Criação
O poder do uso da Palavra é um fato incontornável. A Palavra (o som) sabiamente direcionada (alicerçada e dirigida pelo Conhecimento Oculto) é um extraordinário veículo de poder, inclusive o poder de animação, tanto a seres naturais quanto a seres artificiais.
Segundo a crença judaica, do mesmo modo que Deus criou o universo e o homem a partir do substrato (da alma) das vinte e duas letras hebraicas, os homens podem replicar o ato criador se conhecerem as combinações adequadas. Nas palavras do filósofo e cabalista Augustín Izquierdo, citadas na obra O Ritmo do Tempo, de Patrick Mimran: “… ao princípio, a criação do Golem parece que apenas tinha um caráter ritualista: acontecia como a coroação do estudo da Séphèr Iétzirah empreendido por um grupo de pessoas. O ser artificial assim criado não tinha nenhum objetivo prático. A sua realização destinava-se a pôr em evidência o poder das palavras sagradas; o ser criado, a partir do barro, era imediatamente destruído.
Só mais tarde surge o Golem como um ser independente, a que se atribuem funções utilitárias, e que pode representar um perigo para os que o rodeiam. Da lenda à ficção literária, designadamente ao Romantismo alemão, foi um passo…”.
Lê-se na Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky: “Os homúnculos de Paracelso são um facto na Alquimia e, muito provavelmente, sê-lo-ão na Química”. E, em Ísis sem Véu, escreveu a mesma autora: “Existem relatos circunstanciados da produção de alguns homúnculos, entre outros os do famoso conde Kueffstein, camareiro da imperatriz Maria Tereza, da Áustria. Este conde e o abade Geloni fecharam-se num laboratório de convento na Calábria e, durante cinco semanas, dia e noite, estiveram trabalhando com fornos acesos. Ao fim desse tempo, conseguiram criar nada menos que dez homúnculos. O modus operandi é descrito por Paracelso no seu tratado De Natura Rerum.”
O Espaço Vivente
Efetivamente, a Natureza é o grande Laboratório da Vida manifestada. Nele fervilha a Consciência. O homem é um aprendiz de feiticeiro, mesmo nos seus mais ínfimos empreendimentos. Tateamos no aparente invisível para sorvermos, gota a gota, algo da grande Sabedoria, porque sabemos que ela ali se encontra. A evolução é uma imitação progressiva de Deus.
Nesse aparente vazio, o Akasha, a Alma Universal, encontramos o alimento espiritual que dá o ser a tudo o que é – do mais ínfimo grão de pó ao deva mais grandioso, da pequena flor campestre ao sábio mais elevado, das estrelas às galáxias… Nele estão ou rudimentos (os princípios) de todas as coisas que são, que foram e que hão-de vir. Nele estão os números de tudo o que é. Como dizia Platão, no Timeu, “a Alma do Mundo é a matriz a partir da qual a composição de todas as proporções matemáticas é repercutida no Mundo Sensível por ação da inefável providência de Deus”.
Esta mesma realidade os Pitagóricos reverenciaram e simbolizaram na figura fundamental da Tetraktys. “O diagrama de pontos da Tetraktis foi para os membros da Confraria Pitagórica um símbolo esotérico tão importante como o pentagrama, que era a sua ‘contra-senha’ secreta. Evocando a Tetraktis, os membros prestavam juramento solene de não divulgar nunca os seus segredos matemáticos. Jâmblico reproduziu a fórmula do juramento: ‘Não, juro por Aquele que transmitiu a Tetraktys à nossa alma, em Quem se encontra a fonte e a raiz da eterna Natureza’. E estes são os termos da oração pitagórica dirigida à Tetraktys: ‘Abençoa-nos, Número Divino, tu que engendraste os deuses e os homens! Oh, santa, santa Tetraktys, tu que encerras a raiz e a fonte do fluxo eterno da criação! Pois o número divino se inicia pela unidade pura e profunda, e alcança em seguida o Quatro sagrado; depois engendra a mãe de tudo, que une tudo, o primogênito, o que não se desvia jamais, que não se cansa jamais, o Dez sagrado que detém a chave de todas as coisas.” 
“Os resultados do estudo dos intervalos musicais foram as matemáticas pitagóricas, especialmente a teoria das proporções, posteriormente desenvolvida por Platão. Com efeito, os gregos não comparavam as freqüências vibratórias das cordas, que eles não haviam medido, e sim os seus comprimentos, o que equivalia ao mesmo (freqüências e comprimentos são inversamente proporcionais); a teoria resultante dos intervalos musicais e das suas proporções podia depois transferir-se diretamente ao estudo de proporções entre quaisquer magnitudes lineares. Voltamos a encontrar aqui a Tetraktys e uma das razões da sua importância no fato de que a progressão 1, 2, 3, 4 traduz as principais relações dos intervalos da gama diatónica: o de 4 a 2 ou de 2 a 1 a oitava, o de 3 a 2 a quinta, e a presença do número 5 = 3 + 2 ou Pêntada, sublinhando a importância da quinta da qual deriva a gama diatónica pitagórica. Cabe, pois, dizer, com Delatte que: ‘A Tetraktys é o conjunto dos quatro números cujas relações representam os acordes musicais essenciais’”(18).
Por outro lado, a Tetraktys encontra uma curiosa equivalência com o esquema da Árvore da Vida (o Ootz Chim hebraico) ou Árvore das dez Sephiroth (de sephira = número) uma vez que esta evoca o desdobramento da Década, do Um do Absoluto ao 10 da Manifestação. Segundo o já referido Séphèr Iétzirah (Livro da Criação): “Dez são os números saídos do Nada, e não o número nove; dez e não o número onze. Compreende esta grande sabedoria, entende este conhecimento, investiga-o, reflete sobre ele, torna-o evidente, e reconduz o Criador ao seu Trono”.
Assim se desdobra em Quatro Planos ou Mundos a Trindade ou Tríade superior.
A Tetraktys, compreende, ainda, três triângulos menores, simbolizando os níveis do Ser, 1+2, 1+3, 1+4, nestas cifras se contendo a chave do triângulo da Criação, o famoso Triângulo Perfeito (ou Triângulo Áureo), dito “de Pitágoras”, de proporção 3, 4, 5. Contudo, os Egipcios, já anteriormente o haviam eleito como o triângulo da perfeição. Conta-nos Plutarco, na sua De Iside et Osiride: … os Egípcios representavam a natureza do Todo Universal como o mais belo triângulo. (…) Esse triângulo apresenta a parte vertical, como tendo três comprimentos, uma parte de base de quatro comprimentos e uma hipotenusa de cinco comprimentos (…). Poderá comparar-se a linha vertical ao elemento masculino, a linha de base ao feminino, e a hipotenusa ao que deles nasceu, e assim, ter-se Osíris como a origem, Ísis como a concepção, e Hórus como o nascimento [ou o Filho]”. Com efeito, também para os Pitagóricos, os números 3, 4 e 5 – cuja soma é 12 (o número das Hierarquias Criadoras) – teriam presidido à formação do Cosmos e da Criação.
Newton, um pontífice da Sabedoria dos Antigos
A despeito do seu grande e incontestável valor, Isaac Newton pouco mais fez do que (meritoriamente, sublinhamos) ressuscitar e interpretar a Ciência dos Antigos. Todo o seu trabalho foi fundado no estudo minucioso do legado daqueles sábios. No Manuscrito de Portsmouth, conservado pela Royal Society de Londres, diz ele: “‘Que a matéria consiste de átomos era uma muito antiga crença. Este era o ensinamento de uma multidão de filósofos que precederam Aristóteles, nomeadamente Epicuro, Demócrito, Ecfanto, Empédocles, Xenócrates, Asclépidos, Diodoro, Metrodoro de Quios, Pitágoras e, previamente a estes, Moschus o Fenício, de quem Estrabão declara ser mais velho do que a guerra de Tróia. Pelo que eu penso do mesmo modo, fundado nessa mística filosofia que chegou aos gregos do Egipto e da Fenícia, porquanto átomos são por vezes designados mónadas, pelos místicos. Porque os mistérios dos números. bem como do restante dos hieroglifos se inserem na mística filosofia” Newton prossegue dizendo que são estas ‘sementes imutáveis’ que asseguram que ‘as espécies e os objectos estejam conservados na perpetuidade’.
(…) Por que proporção a gravidade decresce por distanciamento dos Planetas, os antigos não deixaram suficientes indicações. Contudo, a ela parecem ter aludido através da música das esferas celestes, designadamente o Sol mais os seis Planetas, Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, relacionando-a com Apolo e a sua Lira de sete cordas e medindo o intervalo das esferas em função do intervalo dos tons musicais. Assim, eles alegavam que ‘sete tons’ foram trazidos à existência, a cujo conjunto chamaram o diapasão da harmonia, e que Saturno foi movido pelo som [phthong] Dório, ou seja, o grave (-pesaroso), e os restantes planetas por mais agudos [como Plínio relata, de acordo com Pitágoras], e que o Sol vibra, faz soar, as cordas.
Por esta razão, Macróbio diz: ‘a Lira de sete cordas de Apolo provê o entendimento dos movimentos de todas as esferas celestes acima das quais a Natureza colocou o Sol como regente’. E Proclo, [no seu Memorandum] sobre o Timeu de Platão: ‘… O número sete, eles dedicaram a Apolo como aquele que abarca todas as sinfonias e, assim, eles costumavam chamá-lo Deus o Hebdoma’getes, o que significava Príncipe do número Sete. Semelhantemente, na Preparação do Evangelho, de Eusébio, o Sol é chamado pelo oráculo de Apolo, o rei da harmonia dos sete sons. Mas, por meio deste símbolo, eles indicavam que o Sol, pela sua própria força de tensão, age sobre os Planetas naquela proporção harmónica das distâncias, segundo a qual a força de tensão atua sobre cordas de diferentes comprimentos, ou seja, inversamente na razão dobrada das distâncias. Pois a força pela qual uma mesma tensão atua numa mesma corda de diferentes comprimentos é a recíproca do quadrado do comprimento da corda. (…) já que Pitágoras, como Macróbio admite, esticou intestinos de carneiros e tendões de bois, neles pendurando variados pesos e, a partir daqui, estabeleceu as proporções da Celeste Harmonia”. De forma muito clara, num testemunho de Conduitt, seu amigo e biógrafo, Newton confirma a sua plena rendição à sabedoria de Pitágoras e revela, inequivocamente, a fonte das suas inspirações: “‘… e eu pensei que a música das esferas de Pitágoras tinha a intenção de tipificar a gravidade e que, assim como ele faz os sons e as notas dependerem da medida das cordas, assim a gravidade depende da densidade da matéria…’”.
Janelas para o infinito…
Também a Ciência moderna tende a regressar ao Pitagorismo. Com efeito, em múltiplas áreas vem ela debruçando-se, com nova atenção e respeito, para elementos e fatos, legados pelos Antigos, que antes desprezava como sendo parte de uma mística inconsistente, própria da “infância” da humanidade.
No âmbito da Geometria, uma exploração recém encetada são os fractais, complexos modelos gráficos “com implicações inestimáveis em domínios tão diversos como a compressão de imagens, a arte visual, a música, até aplicações financeiras…”. Tais modelos, freqüentemente de uma estética belíssima, constituem poderosas janelas que nos revelam um mundo de possibilidades arrebatadoras, orientando-nos para universos insondados cujas fronteiras, à semelhança das velhas mandalas, apenas místicos e ioguis haviam logrado transpor e contemplar. Para o vulgo, é hoje mais acessível perspectivar a coerência de um Universo em que o Infinitamente Pequeno é réplica perfeita do Infinitamente Grande… e verificar o alcance do velho axioma “Como Em cima, assim Abaixo”.
Na atualidade, deleitamo-nos com estes maravilhosos fractais, que nos acenam com sugestivas promessas… No entanto, os seus protótipos pitagóricos e platónicos ainda permanecem como os mais reveladores, designadamente o assim chamado “Triângulo Sublime”, tão caro a Pitágoras, de que aqui nos socorremos. Neste triângulo, o fator 1,618 – dito “Número de Ouro” ou “Divina Proporção” – é o elemento diretor (Ver Diagrama 4).
O Triângulo Isósceles dito “Sublime” e a sua espiral logarítmica de pulsação radial 1,618. 
Entre os primitivos hindus, figurativamente, o 3 [através de Brahmâ, o Construtor] projecta-se nas 4 direcções do Espaço [plasmando o Septenário cósmico] e dá origem às 12 Hierarquias Criadoras.
Na figura podemos apreciar como, tendo como ponto de partida um minúsculo triângulo, desabrocham e se foram construindo mais triângulos, idênticos ao primeiro – mantendo sempre a “razão áurea” entre os seus lados (já que a base do primeiro se converte na base do seguinte, e assim sucessivamente…). Podemos entrever a espiral – que cresce e se delineia, por entre os vértices dos triângulos sucessivos. Esta é a famosa espiral de Fibonacci, que se verifica ser uma chave ordenadora e multiconstrutora na arquitectura da Natureza. Sobre ela, já nos detivemos em anteriores ocasiões em artigos de edições anteriores desta Revista.
Este triângulo é o instrumento-modular que integra o “Pentagrama Estrelado” ou Estrela de 5 Pontas pitagórica. Por outro lado, a sua base é o lado de um decágono (D) inscrito num círculo que, por seu turno, tem por raio (E) o seu lado maior, o que compreende e revela, de novo, a “Divina Proporção”, E/D=1,618. Para os pitagóricos, o “Número de Ouro” rege a chamada “Harmonia das Esferas”, em cujos fundamentos a ciência renascentista, em especial Johannes Kepler, ancorou, reabilitando a antiga ciência da mecânica celeste.
O Triângulo Sublime é o símbolo da Evolução humana – do homem para Deus, do homem rumo à sua condição divina.
A espiral
A espiral assenta numa estrutura trinitária (no início da Manifestação, o primeiro impulso terá gerado o triângulo). Na alegoria do Rig-Veda, Vishnu é descrito cruzando aos saltos as sete regiões do Universo em três passadas [configurando o primeiro impulso trinitário] e permeando todas as coisas com a essência dos seus raios de luz.
Vishnu (o símbolo do curso da Manifestação) é a personificação da qualidade Sattva (Sattva tem numerosas acepções: estabilidade, duração, equilíbrio, ritmo…). Nesta conformidade, outra imagem iconográfica representa-o descansando sobre a serpente Ananta (“sem fim”), símbolo da eternidade. Deve-se notar que a serpente é também a espiral – do tempo e do espaço infinitos.
No que a este último concerne, a Física admite e reconhece, hoje, a propriedade ondulatória do espaço. Assim, o próprio som se propaga em sentido espiralado: a sua viagem é “ondulatória”. De novo, Vishnu [a Voz do Pai, Brahmâ] é representado exibindo numa das mãos uma concha; a concha – a espiral – que contém a potência (e esquema virtual) do Manvantara.
Diz-se em A Doutrina Secreta que “o Akasha é o Espaço Universal em que está imanente a Ideação eterna (…) e do qual procede o Logos, ou seja, o ‘Verbo’ ou ‘linguagem’ no seu sentido místico”. O Akasha é o upadhi (i.e., o veículo, a forma externa, manifestada) da Mente Divina e é, sob outro aspecto, Kundalinî – assim, de novo, a imagem serpentina…
Curiosa, no mínimo sugestiva, é a própria constituição do sistema auditivo. No ouvido interno, a cóclea é uma espiral (muito semlhante a uma concha de caracol ou do náutilo) constituída por um tubo ósseo enrolado sobre si próprio. Este tubo é, por sua vez, estrutural e funcionalmente trino (tri-seccionado e trifásico). A própria anatomia externa do aparelho auditivo humano conforma uma estrutura espiralada, o pavilhão (as orelhas).
No Universo físico, as formas – quaisquer formas – não são aleatórias. A sua configuração obedece a padrões internos de ressonância (relembremos que o Akasha é o continente dos arquétipos de todas as coisas e de todas as possibilidades). A Geometria não é mais do que a forma visível do alinhamento de números… No incomensurável universo dos números, cada função, cada propósito, na Natureza, configura uma série restrita, específica, de números. Um ser organizado (uma pedra, um animal, um homem…) é, pois, um aglomerado vastíssimo de complexos desses números. Na imensa variedade de espécies animais existentes, por muito que aparentemente divirjam entre si, não é decerto fortuito que (por exemplo) praticamente todos tenham os olhos, o nariz, a boca, os ouvidos, na mesma disposição relativa; a cabeça num extremo do corpo; os órgãos respiratórios, de nutrição, de reprodução, dispostos equivalentemente, etc.. Na vida orgânica, tudo o que tenha um ou mais elos comuns, propósitos similares, percursos evolutivos partilhados, parece ser regido por definidas leis estruturantes (morfológicas, psicológicas, funcionais, etc) igualmente comuns. Entretanto, a dissemelhança existe – é absolutamente necessária – neste universo em que os contrastes geram consciência; mas estas assimetrias vivem dentro de grandes Simetrias, cujo acorde, lenta mas inexoravelmente, as conduz, as afina, as eleva a patamares superiores de consciência comungante, a novas identidades comuns. O ritmo está para o tempo assim como a simetria está para o espaço, e nesta grande Sinfonia Cósmica tudo converge para o UM.
Passo por passo, as Grandes Simetrias percorrem um caminho de progressiva descristalização, porquanto, acreditamos, a verdadeira Harmonia não tem forma…
Isabel Nunes Governo
Vice-Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As heranças Solares e  Lunares...



"Venho falando da Tradição e da Verdade , da qual eu testemunho e como se dirá ainda,  sem dúvida : O que é a Tradição ? o que é a Verdade? Quais provas podemos dar ? "
"A isso eu responderei ainda :  tais coisa não se inventam ; elas encontram-se lá onde elas mesmas estão e provam-se quando e como são necessárias ."

Cada grau dos sete primeiros ternários da história humana é comentado do princípio ao fim nos Livros Sagrados de todos os povos. Esses livros dividem-se em três, de acordo com a Matesis Divina, em três sínteses relativas ao duplo Universo e à dupla Humanidade: Invisível e Visível.
Apesar de suas aparentes divisões sob as bandeiras das várias religiões, das Universidades, das línguas e das legislações em que se divide a humanidade terrestre, os Vedas, os Kings, a Avesta, os Livros de Moisés, os Livros dos Profetas e até as mitologias asiáticas, européias e africanas não são nada mais nada menos que a expressão de sistemas individuais presididos pela anarquia. Não são filosóficos; não emanam do critério subjetivo, e demonstraremos que existe entre eles um laço de união que aponta uma origem comum neste mundo e um mesmo princípio revelador no plano espiritual. A mesma coisa podemos dizer dos sistemas científicos que acompanham essas obras, bem como os sistemas sociais que são a sua aplicação.
Todos os eruditos que tiveram a curiosidade de estudar-se uns aos outros chegaram às mesmas conclusões que as nossas, isto é, que esses desmembramentos estão tanto mais de acordo com as leis reais dos fatos universais quanto mais longe se remonta a sua antigüidade, até um ponto de partida, oculto mas translúcido, no qual se descortina a tríplice síntese primordial. E. pudemos verificar, com todo o rigor possível de um raciocínio mais exigente, que esta tríplice síntese primordial e sua Matesis são a religião cristã, aquela do Verbo Criador, antes de encarnar-se para a salvação dos homens. Além disso, o Evangelho nos diz isso com todas as letras e, depois dele, os apóstolos e seus discípulos que o pregam para todas as nações. Os sacerdotes da Igreja, saídos em sua maior parte das iniciações mediterrâneas e orientais, continuam a conquista cristã lembrando aos pagãos este fato incontestável.
É por essa razão que Jesus fala como Verbo Criador, Inspirador de toda a Revelação passada e futura, e como Verbo Encarnado antes de ascender novamente à glória de onde ele desceu, quando disse: "Eu sou a AMaTh", a verdade vivente de onde procede toda verdade.
AMaTh, com efeito, contém:
1º ThaMA, o milagre da vida, sua manifestação na existência universal;
2º AThMa, a existência infinita da Essência Absoluta, a Alma das Almas: ATh;
3º MaThA, Mata, a Razão Suprema de todas as razões verdadeiras, a incidência de todas as reflexões, a legislação de todas as leis, a eudoxia de todas as doutrinas.

Ao falar assim, o Senhor expressa, não só toda a Tradição Sagrada revelada por ele aos patriarcas, não apenas a Tora de Moisés que os resume, mas sua própria Tora direta, a do duplo Universo e da dupla Humanidade.
São João, registrou a antiga Matesis e os Princípios das três sínteses no começo de seu Evangelho. É impossível, lendo este livro e o Apocalipse, com um espírito ao mesmo tempo religioso e científico, não perceber que são do mesmo autor. Eles expressam os mesmos Mistérios, da mesma forma hierática, e em particular a AMaTh de que estamos tratando aqui.
"Eu vi um anjo ascender do Oriente com o Selo do Deus Vivo." Peço ao leitor guardar bem essas palavras do Apocalipse, VII, 2. Profetiza que a Matesis do AMaTh, inseparável em Jesus, porém aparentemente separada na humanidade religiosa, científica, universitária e social, será reconstituída entre o Oriente e o Ocidente. O eco de Daniel por meio de Esdras, relativo a certas tradições e as chaves dos Mistérios; o Talmud diz: "O Selo do Deus Vivo é AMaTh."
Os profetas, sabendo seu significado, poderiam reconhecer imediatamente o Messias a cada enunciado que este fizesse de Mistérios tão decisivos. Mas os profetas estavam todos mortos pelo estado mental e governamental da burguesia suplantadora, aquela da tribo de Judá.
Remontando o curso do tempo, examinemos as fontes universitárias em que os textos de Moisés foram reconstituídos em caracteres assírios vulgares e numa língua metade hebraica e metade caldéia. Daniel era nessa época o Grão-Mestre da Sagrada Escola dos Kashidim. As chaves dadas por ele abrem as portas de todos os Santuários da Tradição, como também de sua unidade e de sua universalidade pré-diluvianas e até pós-diluvianas por alguns séculos.
Entre essas chaves comuns direta ou indiretamente a todas as universidades patriarcais, temos que mencionar a Ca-Ba-LaH, da forma em que a definimos em nossas notas, com sua interpretação solar-lunar, lunar, horária, mensal, decânica, etc, de acordo com as línguas e sua sinalização sagrada. Essas chaves são científicas e tão claras quanto as profecias de Daniel, tão exatas como a época que ele indica para a encarnação dos Messias. Tudo isso, e muitas outras coisas, fazia parte da Matesis da AMaTh.
O mesmo Mistério nos conduz de sua segunda para a primeira transcrição, da Babilônia a Tebas, onde, sob o nome funcional de Oshar-Shiph, Moisés, como filho de um rei, foi epopte e depois chefe do Estado-Maior real comissionado como engenheiro militar para compor fortalezas e máquinas de guerra. Sua fama como sábio e como inventor passa dos egípcios aos romanos.
A universalidade tebana nos leva, voltando ao tempo, a outra que não foi sua mãe, mas sua irmã maior: Tirohita, uma vila erudita dos antigos brâmanes do Norte. Os sacerdotes tebanos e os da Etiópia, bem como os iniciados reais, iam terminar ali seus elevados estudos relativos ao Universo Invisível. Da mesma forma, os Kashidim da Babilônia iam aperfeiçoar seus estudos relativos ao Universo Visível, na sua Universidade de origem: Kashi (em sânscrito Caçi, hoje em dia Benares).
Detende-nos em Tirohita, e para observar a universidade e a universalidade cristãs, em um fato tão importante quanto a AMaTh, o Selo do Deus-Vivo; abrindo o Atharva-Veda: "O Selo do Deus-Vivo traz o Sol, porque sua Revelação ilumina o Universo." Assim, Nosso Senhor Jesus Cristo, nestas como em todas as suas palavras shemáticas, não fez mais que resumir a si mesmo, como Verbo Criador e Inspirador de sua religião eterna, una e universal.
O Atharva-Veda nos conduz a uma filiação antediluviana. E aí que voltamos a encontrar novamente a impressão do Selo da Matesis, seu Shema verbal e cosmológico solar no ARKA-METRA que reconstituímos baseados nos documentos antigos verificados pela ciência moderna. É o Arqueômetro dessa Palavra Primordial do Verbo que São João registra em seu Apocalipse. A leitura de um e do outro não deixa nenhuma dúvida de que essa impressão do Selo não teria sido revelada por seu Divino Mestre.
Assim, fomos conduzidos pelos Vedas ao Ciclo antediluviano, ao da tríplice síntese e de sua Matesis confirmada sobre o mesmo Selo: JeshU-Verbo e MeShIaH. Em nossas notas sobre a CaBaLaH, na primeira parte desta obra, lembramos que as litanias de nossa Igreja chamam o Senhor de: "Rei dos patriarcas". É um fato, e não uma forma de falar, e isso ocorre, com toda a tradição religiosa, desde seus textos teológicos até o Arqueômetro litúrgico, que os enquadra em todas as correspondências do duplo e do triplo Universo.


Em Vattan, a língua shemática do primeiro Ciclo, encontramos IShVa-Ra, JeShU, Rei dos Rishis. O sânscrito é articulado e procede do Vattan, de onde procede também o Veda, que diz IShOua e ISOua; porém, é necessário reintegrar as línguas sagradas sistematizadas cosmo-logicamente às 22 letras do Vattan que estão incluídas no Selo e em todas as suas correspondências arqueométricas. Aqui mencionaremos somente as correspondências dos números. A correspondência numérica do nome Divino é 316. Encontramos também o número 316 no nome do deus egípcio Osíris ou Oshl, Ri e Risch, Rei de Amenti, o Universo Visível. Em hebraico é ISnO, porém, antes deste, temos em etíope: ShOI. E sempre, qualquer que seja sua posição, o nome é verificado pelo seu número. Em sânscrito ISh significa o Senhor; Va, o movimento cíclico universal.
Depois do que precedeu, não podemos surpreender-nos em ver, dezessete séculos antes de nossa era, uma Iniciada no Ensino Superior da Tradição, a Infanta egípcia, dedicar a OSHI-RI uma pequena criança salva das águas, chamando-o de M'OSHI, que corresponde ao que nós chamamos: Menino de Jesus, Menino de Maria.
Voltaremos em outro momento para dar mais detalhes de todos esses pontos, mas agora queremos mostrar a seguir como, confirmando-se a AMaTh, Nosso Senhor Jesus Cristo afirmava ser o Verbo Criador, fundador do Cristianismo, religião eterna, confirmada por toda Tradição, tanto a antediluviana como a pós-diluviana.
A mentalidade européia dificilmente poderá entender tudo isso, dominada como está pela mentalidade dos pagãos greco-latinos, e apenas despertada da razão individual para a razão divina pelos recentes métodos científicos. Veremos isso mais adiante, voltando aquelas a levantar o Éter dos antigos, seu sistema ondulatório e o meio intermediário da transmissão dos Poderes divinos: ALHIM, das forças físicas: SheMaIM, para as vibrações musicais dos números.

(Textos extraídos do Arquêometro de Saint Yves...)