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terça-feira, 28 de setembro de 2010

A. Leterre



Tive contato pela primeira vez com este renomado autor lá pelo idos de 1980, ao descobrir as obras de Saint Yves de Alveydre. Naqueles anos passei a procurar as obras do Marquês de Alveydre incessantemente em todos os sebos da capital paulistana. Eu sabia que teria muita dificuldade, pois, alem de ser obras raras eram caríssimas.
A primeira vez que me deparei com o Arqueometro foi na antiga Casa Fretin no centro de São Paulo, a Fretin era uma casa importadora de livros técnicos, instrumental cirúrgico e livros ocultistas, e cobrava todos seus produtos em dólar ou libra e naquela época eu era apenas um moço com parco salário, que só podia ficar admirando aquele livro em francês e que tinha o planisfério astro silábico no sua capa de papel que envolvia a encardenação de capa dura, e que durante muito tempo não pude ter.
Mas existia uma alternativa de conhecer um pouco mais as obras do Marques, era conseguir a obra de A. Leterre que chamava: Jesus e sua doutrina (1936).
O primeiro exemplar de Jesus e sua doutrina, foi conseguido através de um irmão nosso de santo     de nome Antonio Rivas que de forma curiosa conseguiu gerar uma cópia da Biblioteca de São Paulo.
Este livro foi citado exaustivamente pelo mestre W.W. da Mata e Silva  em suas obras, e assim pude conhecer um pouco mais do homem que trouxe os livros do Marquês para o Brasil.




No final do seu livro Jesus e sua doutrina, Leterre cita que tinha deixado todos os seu livros para a Federação Espírita Brasileira no Rio de Janeiro, inclusive uma tradução feita a mão por ele da Missão dos Judeus e Missão da Índia na Europa em papel almaço, sim aquele papel que todos nós usávamos quando meninos.





Passou o tempo, e em 1998 eu dirigia o Templo da Ordem Iniciatica do Cruzeiro Divino em Brasília. Ao  reler o livro de Leterre, tive a idéia de ligar para a FEB que já se estabelecia na capital federal e obtive a informação que todos as obras raras estavam agora em Brasília.

Imediatamente consultei a lista telefônica e liguei. A recepcionista em conversa comigo, informou que o diretor responsável estava em férias e não poderia falar com ele. Mas mesmo assim insisti pois voltaria para São Paulo por aqueles dias e era importante o contato. A moça reconhecendo que eu tinha necessidade em falar com o diretor me passou o telefone  particular dele, ao falar-lhe expliquei que procurava as obras que citei acima, inclusive o aparelho arqueometrico que Leterre citava no final de seu livro, como aquele que tinha trazido da França e doado a FEB.
Apesar de estar em férias, aquiesceu e nos encontramos em um domingo a tarde na FEB e pude conhecer a biblioteca de obras raras e que não estava aberto ao público.
Quando o diretor chegou, trazia consigo uma caixa de madeira e que ao abrir para mostrar-me, imediamente me perguntou se eu sabia o que era aquilo, e para meu doce regalo lá estava uns dos aparelhos construído pelo Marques e que Leterre trouxe ao Brasil.
O diretor informou que o aparelho ia fazer parte do museu da FEB, e se eu poderia escrever uma sinopse sobre o mesmo, assim combinamos que eu o faria se pudesse copiar alguns livros raros que estavam com ele e prontamente ele aceitou.
Mas não tinha acabado minha procura, pois queria os manuscritos de Leterre e estes o próprio diretor desconhecia, mostrou-me toda a biblioteca e uma serie de papeis que estavam para ser catalogados e reclamava de não ter pessoal para fazê-lo.
Naquele dia, tinha levado dois integrantes do templo de Brasília ( Leila e Guilherme) comigo. Combinamos que eles ajudariam o diretor todos os domingos, e assim foi feito, através do trabalho árduo destes dois filhos espirituais a época conseguimos acesso a estes materiais raros.
Interessante que todos falavam de Leterre e não citavam seu primeiro nome, escreviam apenas A. Leterrre , e foi em uns dos livros do Marques que Leterre escreveu na lateral de uma das páginas, algumas letras do alfabeto Wattan e que ao traduzi-las pudemos saber o seu nome completo: Aristides Leterre.

Aristides  Leterre era um renomado fotografo no Rio de Janeiro e que produzia fotos de operações cirúrgicas e trabalhos especializados para o governo, falava francês fluentemente e também tinha dotes musicais, esteve na França algumas vezes e pode desfrutar da atmosfera dos grandes mestres da época.

E foi assim meus amigos que tivemos a oportunidade em conhecer mais o trabalho deste autor.

Espero que aqueles que editam suas obras, sem a preocupação em descrever sua vida ou citar seu nome inteiro  façam-no a partir de agora.

O respeito com aqueles que favoreceram o conhecimento integral deve existir em todos os momentos, afinal os historiadores que prefaciam suas obras deveriam por ética ou apenas por questão de bom senso, elucidar seus leitores sobre quão grandioso é a missão de levar a Tradição a todos, e não ter apenas por escopo a aquisição financeira, mas...

Olavo Solera - Ygbere

Estas são as obras trazias por Leterre: