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terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Tradição e os alfabetos perdidos...



 “Os ancestrais tomaram realmente como uma chave geral de
adaptação o céu e sua constituição. De forma que, embora todos
os arquivos terrestres viessem a desaparecer, era sempre possível reconstruí-los com o
 instrumento que formava a base de todas as 
artes e de todas as ciências do céu.
É por isso que o conhecimento da antiga astrologia
é indispensável aos verdadeiros pesquisadores,
como também ao historiador digno desse nome.
O céu foi dividido pelos ancestrais em doze grandes divisões,
cada uma delas correspondia a um astro: estes, por sua vez,
tinham domicílios positivos ou negativos,
quer dizer, diurnos e noturnos, em cada uma dessas casas.
Se lembrarmos, na antiga astrologia, cada signo do Zodíaco tinha uma letra,
a mesma coisa para cada planeta, de tal forma que o céu era constituído
por um verdadeiro alfabeto em movimento, no qual as letras planetárias
se apresentavam em frente a cada uma das letras fixas zodiacais;
eles inscreveram no céu nomes que encontraremos novamente
em todas as grandes religiões: Ishva-ra ou Jesus Rei, Mariah ou Mayah,
Maha-maia ou a Virgem das grandes águas celestes;
possuem seus nomes inscritos com letras de fogo no
céu desde a constituição dos primeiros elementos terrestres.”.
 O Arqueômetro (pág.196)

     Dentre os conhecimentos correlacionados com a arqueometria temos a sonometria, estudo dos sons; aritmologia, estudo dos números e morfologia, estudo da formação das palavras.
     Saint Yves d'Alveydre classificou os alfabetos de acordo com o número de letras, chamando os alfabetos de 36 letras de decânicos, os de 30 letras alfabetos mensais, os de 28 letras os alfabetos lunares, os de 24 letras alfabetos horários zodiacais e os de 22 letras alfabetos zodíacos-solares.
     Percebe-se que os alfabetos foram formados numa relação direta com a formação dos calendários pelas religiões dos povos que os criaram e que por sua vez foram baseados na observação astrológica.
     O Arqueômetro baseia-se no alfabeto zodiacal-solar de 22 letras, sendo representado pelos alfabetos siríaco, assírio, samaritano e caldeu, todos derivados ou relacionados aos alfabetos hebraicos, árabes, sânscrito e Wattan, este último considerado o alfabeto morfológico dos primeiros patriarcas, protótipo das letras védicas e sânscritas.
     Saint Yves coloca, nas páginas do arqueômetro, que a partir do renascimento, a filosofia que dava a síntese de várias ciências foi rejeitada, e assim separou-se a química da alquimia, a física da magia, a teologia da teurgia, os números e a matemática oculta, e principalmente a astronomia da astrologia, nesse particular ele cita textualmente:

 “A astrologia povoa o céu dos seres vivos e das forças inteligentes, enquanto a astronomia nos mostra acima de nossas cabeças um imenso cemitério de massas inertes e de forças cegas. Aguardando a união oficial das duas ciências, a séria astronomia e a oculta astrologia, indicaremos os elementos indispensáveis para compreender os livros dos antigos e dos modernos astrólogos. É necessário estudar três ordens de objetos: 1º.) Os planetas; 2º.) Os signos do Zodíaco e sua lista das casas planetárias; 3º.) As relações desses astros e desses signos com a vida e o destino dos entes que vivem sobre os planetas.”.  Arqueometro (p.248)

Saint Yves vai mais além e coloca que além da separação entre astronomia e astrologia, a síntese dessas duas era a astrosofia, que se tornou praticamente desconhecida.
O Arqueômetro é um aparelho constituído por dois discos fixos e dois movediços, com redução de seus diâmetros, para permitir a leitura dos elementos de que se compõem os inferiores, de modo que, desenhado um triângulo eqüilátero em cada um, os quatro passarão a formar uma estrela de 12 pontas.
Em cada uma das pontas dessa estrela de doze, há uma letra do alfabeto de 22 letras usado por todos os templos da Antigüidade, correspondem às 12 consoantes e às 12 constelações do Zodíaco, aí, também, inscritas em suas verdadeiras posições astronômicas.
Um dos círculos concêntricos é composto de seis pontas, e a cada uma corresponde uma letra das sete vogais em uso naquela época, bem como as sete notas musicais, as sete cores do espectro solar e os sete planetas. Mas, como as pontas são somente seis, vemos que a vogal A vai ocupar o centro, como diâmetro da circunferência, pois ela é, como já dissemos, sua figura geométrica ou morfológica na língua adâmica, como veremos mais adiante, ligando assim as seis cores homólogas ao centro, em que é reconstituído o raio branco em sua extrema pureza, contrariamente aos sistemas de Newton e de Chevreuil, em que ele é cinzento. A nota Mi, de uma importância capital, bem como o Sol, à roda do qual giram os seis planetas, também ocupa o centro.
Fazendo-se girar esse aparelho, assiste-se a um curioso fenômeno de vibrações ondulatórias do éter, em que a cor amarela, a única fotogênica, sobrepuja as outras mais vivas na aparência, pela coloração do ambiente. Também na mesma biblioteca pode ser visto esse aparelho.
Mas, para não complicar essa descrição, deixaremos de falar de suas funções.
Para nossa tese, precisamos unicamente utilizar o hexágono produzido pelos dois triângulos eqüilaterais, colocando-lhes exteriormente as letras que lhes pertencem e algumas interiormente em seus verdadeiros lugares matemáticos, para o caso a respeito do qual, também, teremos de nos ocupar.
Essas letras, representadas no Arqueômetro, em Wattan ou Adâmico, sânscrito, aramaico, sírio, hebraico, chinês, etc., tomam sons diversos no sânscrito, segundo as regras eufônicas do Ramayana , conforme a direção de sua leitura, da direita para a esquerda ou vice-versa, e o O tanto se pronuncia O como U ou V. O mesmo dá-se com a letra Y que tem som de I ou J.







Na Biblioteca de obras raras da Federação Espírita em Brasilia, acha-se um quadro arqueométrico onde pude ver pessoalmente o alfabeto templário das línguas orientais, até o do primitivo chinês, trigrama de Fo-hi, distribuído de acordo com seus valores, identificando-se mutuamente em sua morfologia universal.
"As letras colocadas sobre o Arqueômetro não obedeceram absolutamente à vontade humana, nem são o resultado de nenhuma combinação fantasiosa, o que afastaria, ipso facto, seu caráter científico na mais rigorosa acepção do termo. Elas ali se colocam autologicamente, obedecendo unicamente a uma lei divina, à Lei do Verbo, representando as 
forças fenomenais do Cosmos, e são falantes por sua própria natureza morfológica"
Aristides Leterre - Jesus e sua doutrina -1936

Não é em vão que a tradição se conservou sobre o valor cabalístico de certas palavras, empregadas ainda hoje por ocultistas, feiticeiros e até pelo próprio Catolicismo e seus exorcismos.
Para ser provado, seria preciso que reproduzíssemos aqui o primeiro alfabeto da humanidade, o Wattan, outrora chamado Adâmico, ainda conservado pelos Brahmanes.
A cada letra, no Arqueômetro, corresponde um Número. Esses Números, que constituem um capítulo especial da Bíblia, incompreensível a quem o lê sem possuir a chave, pertencem a uma matemática quantitativa e qualitativa.
Quantitativa pelo seu valor numérico e equivalente às vibrações sonoras e cromométricas dos gabinetes da física, e qualitativa pela correspondência verbal que possuem com as forças fenomenais do Universo sideral, com sua Logia, legislada, isto é, com o Verbo Criador, porque é bom dizer que a palavra humana não é a conseqüência do esforço dos primitivos seres racionais, como alguns antropologistas querem, mas, sim, uma incidência refletiva da Divina Palavra, dada ao homem para diferenciá-lo do resto da animalidade e poder glorificar seu Criador, que é o próprio Verbo.
...continua na próxima postagem.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

A. Leterre



Tive contato pela primeira vez com este renomado autor lá pelo idos de 1980, ao descobrir as obras de Saint Yves de Alveydre. Naqueles anos passei a procurar as obras do Marquês de Alveydre incessantemente em todos os sebos da capital paulistana. Eu sabia que teria muita dificuldade, pois, alem de ser obras raras eram caríssimas.
A primeira vez que me deparei com o Arqueometro foi na antiga Casa Fretin no centro de São Paulo, a Fretin era uma casa importadora de livros técnicos, instrumental cirúrgico e livros ocultistas, e cobrava todos seus produtos em dólar ou libra e naquela época eu era apenas um moço com parco salário, que só podia ficar admirando aquele livro em francês e que tinha o planisfério astro silábico no sua capa de papel que envolvia a encardenação de capa dura, e que durante muito tempo não pude ter.
Mas existia uma alternativa de conhecer um pouco mais as obras do Marques, era conseguir a obra de A. Leterre que chamava: Jesus e sua doutrina (1936).
O primeiro exemplar de Jesus e sua doutrina, foi conseguido através de um irmão nosso de santo     de nome Antonio Rivas que de forma curiosa conseguiu gerar uma cópia da Biblioteca de São Paulo.
Este livro foi citado exaustivamente pelo mestre W.W. da Mata e Silva  em suas obras, e assim pude conhecer um pouco mais do homem que trouxe os livros do Marquês para o Brasil.




No final do seu livro Jesus e sua doutrina, Leterre cita que tinha deixado todos os seu livros para a Federação Espírita Brasileira no Rio de Janeiro, inclusive uma tradução feita a mão por ele da Missão dos Judeus e Missão da Índia na Europa em papel almaço, sim aquele papel que todos nós usávamos quando meninos.





Passou o tempo, e em 1998 eu dirigia o Templo da Ordem Iniciatica do Cruzeiro Divino em Brasília. Ao  reler o livro de Leterre, tive a idéia de ligar para a FEB que já se estabelecia na capital federal e obtive a informação que todos as obras raras estavam agora em Brasília.

Imediatamente consultei a lista telefônica e liguei. A recepcionista em conversa comigo, informou que o diretor responsável estava em férias e não poderia falar com ele. Mas mesmo assim insisti pois voltaria para São Paulo por aqueles dias e era importante o contato. A moça reconhecendo que eu tinha necessidade em falar com o diretor me passou o telefone  particular dele, ao falar-lhe expliquei que procurava as obras que citei acima, inclusive o aparelho arqueometrico que Leterre citava no final de seu livro, como aquele que tinha trazido da França e doado a FEB.
Apesar de estar em férias, aquiesceu e nos encontramos em um domingo a tarde na FEB e pude conhecer a biblioteca de obras raras e que não estava aberto ao público.
Quando o diretor chegou, trazia consigo uma caixa de madeira e que ao abrir para mostrar-me, imediamente me perguntou se eu sabia o que era aquilo, e para meu doce regalo lá estava uns dos aparelhos construído pelo Marques e que Leterre trouxe ao Brasil.
O diretor informou que o aparelho ia fazer parte do museu da FEB, e se eu poderia escrever uma sinopse sobre o mesmo, assim combinamos que eu o faria se pudesse copiar alguns livros raros que estavam com ele e prontamente ele aceitou.
Mas não tinha acabado minha procura, pois queria os manuscritos de Leterre e estes o próprio diretor desconhecia, mostrou-me toda a biblioteca e uma serie de papeis que estavam para ser catalogados e reclamava de não ter pessoal para fazê-lo.
Naquele dia, tinha levado dois integrantes do templo de Brasília ( Leila e Guilherme) comigo. Combinamos que eles ajudariam o diretor todos os domingos, e assim foi feito, através do trabalho árduo destes dois filhos espirituais a época conseguimos acesso a estes materiais raros.
Interessante que todos falavam de Leterre e não citavam seu primeiro nome, escreviam apenas A. Leterrre , e foi em uns dos livros do Marques que Leterre escreveu na lateral de uma das páginas, algumas letras do alfabeto Wattan e que ao traduzi-las pudemos saber o seu nome completo: Aristides Leterre.

Aristides  Leterre era um renomado fotografo no Rio de Janeiro e que produzia fotos de operações cirúrgicas e trabalhos especializados para o governo, falava francês fluentemente e também tinha dotes musicais, esteve na França algumas vezes e pode desfrutar da atmosfera dos grandes mestres da época.

E foi assim meus amigos que tivemos a oportunidade em conhecer mais o trabalho deste autor.

Espero que aqueles que editam suas obras, sem a preocupação em descrever sua vida ou citar seu nome inteiro  façam-no a partir de agora.

O respeito com aqueles que favoreceram o conhecimento integral deve existir em todos os momentos, afinal os historiadores que prefaciam suas obras deveriam por ética ou apenas por questão de bom senso, elucidar seus leitores sobre quão grandioso é a missão de levar a Tradição a todos, e não ter apenas por escopo a aquisição financeira, mas...

Olavo Solera - Ygbere

Estas são as obras trazias por Leterre: